O fascismo é uma doutrina totalitária desenvolvida por
Benito Mussolini na Itália, a partir de 1919, durante
seu governo (1922–1943 e 1943–1945). Fascismo deriva de
fascio, nome de grupos políticos ou de militância que
surgiram na Itália entre fins do século XIX e começo do
século XX; mas também de fasces, que nos tempos do
Império Romano era um símbolo dos magistrados: um
machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o
poder do Estado e a unidade do povo. Os fascistas
italianos também ficaram conhecidos pela expressão
camisas negras, em virtude do uniforme que utilizavam.
Definição
Um fasceO fascismo é uma doutrina e uma prática política
estadista e coletivista, opondo-se aos diversos
liberalismos, socialismos e democracias.
A palavra fascismo adquiriu o significado de qualquer
sistema de governo que, de maneira semelhante ao de
Benito Mussolini, exalta o Estado e usa modernas
técnicas de propaganda e censura para suprimir a
oposição política, fazendo uma severa arregimentação
econômica, social e cultural, sustentando-se no
nacionalismo e por vezes na xenofobia (nacionalismo
étnico), privilegiando os nascidos no próprio país,
apresentando uma certa apatia ou indiferença para com os
imigrantes.
Benito Mussolini, jornalista e agitador político
italiano, fundou o partido fascista, originário de um
movimento paramilitar que ele mesmo criara para combater
as agitações e as greves organizadas pelos socialistas e
outros movimentos de esquerda. O 'Fascio di
Combattimento', ou Esquadra de Combate, que deu origem
ao fascismo, buscou seu nome na expressão 'fascio', que
significa feixe de varas. O feixe de varas, simbolizando
união e força, vem do latim 'fesce', um feixe de varas
que, junto com uma machadinha, era levado pelo 'litor',
uma espécie de oficial de justiça que, na Roma antiga,
seguia os magistrados para executar as decisões da
justiça, com poderes para coagir, incluindo a aplicação
de castigos físicos.
O Fascismo italiano assumiu que a natureza do Estado é
superior à soma dos indivíduos que o compõem e que eles
existem para o Estado, em vez de o Estado existir para
os servir. Todos os assuntos dos indivíduos são assuntos
do Estado.
Traço característico do Fascismo foi o Corporativismo de
Estado, realizado através de um Partido Único e de
Sindicatos Nacionais subordinados ao Estado. No seu
modelo corporativista de gestão totalitária, as várias
funções do Estado podiam ser desempenhadas por entidades
particulares, sem que fossem nacionalizadas, mas cabia
ao Estado planear e inspeccionar a sua acção. A
actividade privada era deste modo empregue pelo Estado,
o qual podia decidir suspender a suas actividades se não
actuasse de acordo com as instruções e os planos
superiormente estabelecidos. É o Estado quem define a
utilidade e a direcção de todas as actividades da Nação,
seja no campo político, económico, social ou cultural.
O fascismo surgiu em tempo de crise, nas dificuldades
económicas e sociais do primeiro pós-guerra, e na
depressão dos anos 30, quando as elites políticas se
mostravam incapazes de integrar as massas através da
fórmula democrática parlamentar ou quando existia um
crescimento socialista ou comunista paralelo assustando
as classes médias.
A composição social dos movimentos fascistas foi
historicamente a de pequenos negociantes, burocratas de
nível baixo e as classes médias. O Fascismo também
encontrou sucesso nas áreas rurais, especialmente entre
agricultores, e na cidade entre as classes
trabalhadoras. Um aspecto importante do fascismo é que
ele usa os seus movimentos de massa para atacar as
organizações que se reivindicam das classes
trabalhadoras - partidos operários e sindicatos.
O líder fascista foi em regra um actor exagerado,
procurando seduzir as massas populares para o seu papel
messiânico.
O Fascismo segundo Mussolini
O Duce Benito Mussolini.Benito Mussolini, num discurso
proferido na Câmara dos Deputados no dia 26 de Maio de
1927, disse uma frase que define concisamente a
ideologia do fascismo: "Tutto nello Stato, niente al di
fuori dello Stato, nulla contro lo Stato" ("Tudo no
Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado"). (em
inglês)]
Mais tarde, num artigo da Enciclopedia Italiana de 1931
("La Dottrina del fascismo", it) , escrito por Giovanni
Gentile e Benito Mussolini, o fascismo é, além de
explicitado nas suas principais linhas filosóficas,
descrito como uma doutrina cujo "fundamento é a
concepção do Estado, da sua essência, das suas
competências, da sua finalidade. Para o fascismo o
Estado é um absoluto, perante o qual indivíduos e grupos
são o relativo. Indivíduos e grupos são «pensáveis»
enquanto estejam no Estado" (Caposaldo della dottrina
fascista è la concezione dello Stato, della sua essenza,
dei suoi compiti, delle sue finalità. Per il fascismo lo
Stato è un assoluto, davanti al quale individui e gruppi
sono il relativo. Individui e gruppi sono «pensabili» in
quanto siano nello Stato).
Nesse texto de 1932, Mussolini identifica "no grande rio
do Fascismo", as correntes que nele vão desaguar, e que
terão as suas fontes em Georges Sorel, Charles Peguy,
Hubert Lagardelle do Movimento Socialista, e nos
sindicalistas italianos que, entre 1904 e 1914, terão
trazido um novo tom ao ambiente do socialismo italiano -
Angelo Oliviero Olivetti da Pagine Libere, Orano de a
Lupa, o Enrico Leone de Divenire sociale.
Em 1928, na "Autobiografia" ditada a Richard Washburn
Child, Mussolini disse que estudou muito o risorgimento
e o desenvolvimento da vida intelectual italiana depois
de 1870, que "meditou muito com os pensadores alemães",
que admirava os franceses, e que um dos livros que mais
o tinha interessado fora A Psicologia das Multidões de
Gustave Le Bon. Colocando-se o problema da Revolução,
Mussolini rejeitava o bolchevismo, e que, a ser
realizada uma Revolução em Itália, esta deveria ser
"tipicamente italiana", firmando-se "nas dimensões
magnificentes das ideias de Mazzini e com o espírito de
Carlo Pisacane"
Em 1932, Mussolini diz que o Fascismo terá recebido
muitas influências, mas que estas não constituíram o
Fascismo: "um partido que governa totalitariamente uma
nação, é um facto novo na história" (Un partito che
governa totalitariamente una nazione, è un fatto nuovo
nella storia). E acrescenta que "não há pontos de
referência ou de comparação" com os seus antecessores.
No entanto, Mussolini diz também no mesmo texto que o
francês Ernest Renan teve "iluminações pré-fascistas"
(Renan, che ebbe delle illuminazioni prefasciste") e que
o Fascismo fez seu o duplo conselho de Giuseppe Mazzini:
Pensamento e Acção.
Entre os antecessores, em 1932, Renan e Mazzini são
afinal os únicos autores a quem Mussolini aceita pagar
algum tributo intelectual. Com estas ressalvas,
Mussolini insiste no entanto em proclamar a "novidade do
fascismo", apresentando, em apêndice (edição de 1935),
as referências que remetem para os seus próprios
discursos e textos (edição com o apêndice, en).
Mussolini diz-nos também neste texto o que o Fascismo
não é. O fascismo não se filia no pensamento
contra-revolucionário: Mussolini não toma "Joseph de
Maistre como seu profeta"; Mussolini diz que o Fascismo
respeita a Igreja, mas recusa a sua religião, a "eclesiolatria"
(ecclesiolatria), como lhe chama.
O corpo do texto está dividido em duas partes: 1ª.
Ideias fundamentais; e 2ª. Doutrina Política e Social.
Ideias Fundamentais
Sob o título "ideias fundamentais", os assuntos surgem
distribuídos por 13 parágrafos, mas com as notas
arrumadas no anexo em 11 títulos (em inglês)] "La
Dottrina del fascismo" (em italiano)] :
1. Concepção filosófica. Apresenta o Fascismo como acção
(prática) e pensamento (ideia) político. Considera que
toda a acção é contingente ao espaço e ao tempo, havendo
no seu pensamento um "conteúdo ideal que a eleva a
fórmula de verdade na história superior do pensamento" (un
contenuto ideale che la eleva a formula di verità nella
storia superiore del pensiero). Diz que "para se
conhecer os homens é preciso conhecer o homem; e para
conhecer o homem é preciso conhecer a realidade e as
suas leis" ("Per conoscere gli uomini bisogna conoscere
l'uomo; e per conoscere l'uomo bisogna conoscere la
realtà e le sue leggi"); não há um conceito de Estado
que não seja uma concepção da vida e do mundo.
2. Concepção espiritual. É a partir de uma "concepção
espiritual" que o homem é definido pelo fascismo. Na sua
concepção, o homem é um ''indivíduo que é nação e
pátria" (L'uomo del fascismo è individuo che è nazione e
patria); há, na sua perspectiva, "uma lei moral que liga
os indivíduos e as gerações numa tradição e numa missão"
("legge morale che stringe insieme individui e
generazioni in una tradizione e in una missione");
3. Concepção positiva da vida como luta. A sua
"concepção espiritual" define-se por oposição ao
materialismo filosófico do século XVIII; sendo
antipositivista, é porém positiva (antipositivistica, ma
positiva); não é céptica, nem agnóstica, nem pessimista
(non scettica, né agnostica, né pessimistica). Pretende
o homem activo e impregnado na acção com toda a sua
energia. O que se aplica ao indivíduo, aplica-se à
nação;
4. Concepção ética. Tem uma concepção ética da vida,
"séria, austera, religiosa": "tutta librata in un mondo
sorretto dalle forze morali e responsabili dello spirito";
o fascismo desdenha a vida "cómoda";
5. Concepção religiosa. O homem é visto numa relação
imanente com uma lei superior, com uma Vontade objectiva
que transcende o indivíduo particular e o eleva a membro
de uma sociedade espiritual (l'uomo è veduto nel suo
immanente rapporto con una legge superiore, con una
Volontà obiettiva che trascende l'individuo particolare
e lo eleva a membro consapevole di una società
spirituale).
6. Concepção histórica e realista. O homem é visto como
um ser na história, num fluxo continuo em processo de
evolução; tem no entanto uma visão "realista", não
partilhando o optimismo do materialismo filosófico do
século XVIII que via o homem a caminho da "felicidade"
na terra;
7. O indivíduo e a liberdade. A concepção fascista é
definida como "anti-individualista", colocando o Estado
antes do indivíduo (Antiindividualistica, la concezione
fascista è per lo Stato); o liberalismo negou o Estado
no interesse dos indivíduos particulares, o fascismo
reafirma o Estado como a verdadeira realidade do
indivíduo (Il liberalismo negava lo Stato nell'interesse
dell'individuo particolare; il fascismo riafferma lo
Stato come la realtà vera dell'individuo). Para o
fascismo, tudo está no Estado - a sua concepção é
totalitária ("per il fascista, tutto è nello Stato, e
nulla di umano o spirituale esiste, e tanto meno ha
valore, fuori dello Stato. In tal senso il fascismo è
totalitario, e lo Stato fascista, sintesi e unità di
ogni valore, interpreta, sviluppa e potenzia tutta la
vita del popolo"). Para o fascismo, fora do Estado não
há valores humanos ou espirituais.
8. Concepção do Estado corporativo. "Não há indivíduos
fora do Estado, nem grupos (partidos políticos,
associações, sindicatos, classes)" (Né individui fuori
dello Stato, né gruppi (partiti politici, associazioni,
sindacati, classi)); defende um corporativismo no qual
os interesses são conciliados na unidade do Estado ("nel
sistema corporativo degli interessi conciliati
nell'unità dello Stato"); diz-se contrário ao socialismo
que reduz o movimento histórico à luta de classes e,
analogamente, é também contrário ao sindicalismo.
9. Democracia. O fascismo opõe-se à democracia que
entende a nação como a maioria, descendo o seu nível ao
maior número; o fascismo considera-se no entanto como "a
mais pura forma de democracia se o povo for considerado
do ponto de vista da qualidade em vez da quantidade",
como uma "multidão unificada por uma ideia, que é
vontade de existência e de potência: consciência de si,
personalidade" ("moltitudine unificata da un'idea, che è
volontà di esistenza e di potenza: coscienza di sé,
personalità"). O fascismo defende "uma democracia
organizada, centralizada, autoritária", exercida através
do partido único.
10. Concepção do Estado. Para o Fascismo a nação não
cria o Estado; é o Estado que cria a nação. Considera o
Estado como a expressão de uma "vontade ética
universal", criadora do direito, e "realidade ética". Na
sua concepção é o Estado "que dá ao povo unidade moral,
uma vontade, e portanto uma efectiva existência" ("che
dà al popolo, consapevole della propria unità morale,
una volontà, e quindi un'effettiva esistenza").
11. Realidade dinâmica. Na concepção fascista o Estado
deve ser o educador e o promotor da vida espiritual.
Para alcançar o seu objectivo, quer refazer não a forma
da vida humana, mas o conteúdo, o homem, o carácter, a
fé ("Vuol rifare non le forme della vita umana, ma il
contenuto, l'uomo, il carattere, la fede").
A filosofia do Fascismo, tal como a definiu Mussolini, é
assim uma filosofia essencialmente moderna e modernista.
Doutrina Política e Social
Na segunda parte do texto, acerca da "Doutrina Política
e Social" (em inglês)] "La Dottrina del fascismo" (em
italiano)] do Fascismo, Mussolini começa por traçar o
itinerário do seu pensamento e acção. Ponto de partida,
o Socialismo; ponto de chegada, o Fascismo.
Até ao inverno de 1914, Mussolini é um socialista. Em
1919, quando são lançados os fasci em Milão, não têm uma
doutrina, mas têm um programa e, sobretudo, têm a "fé".
Rejeitam o Socialismo reformista de Bernstein,
integrando a "esquerda revolucionária" que privilegia a
doutrina da acção. Depois da guerra, o Socialismo
reformista estaria já morto como doutrina. Nessa altura,
com as expedições punitivas da Itália decorrendo em pano
de fundo, os fasci estavam confrontados com várias
forças politicas - "liberais, democratas, socialistas,
maçónicos, e com o Partito Popolare" – , e respectivas
doutrinas. Isto enquanto enfrentavam vários problemas;
como o da relação entre o indivíduo e do Estado; o da
relação entre autoridade e liberdade; e o problema
nacional italiano.
Entre a “Marcha sobre Roma” (Outubro de 1920) e os anos
1926, 1927, e 1928, o Fascismo foi sendo espelhado nas
leis e instituições do regime fascista. A doutrina do
Fascismo é apresentada por Mussolini como um produto do
seu exercício do poder na Itália dos anos 20. Em 1932,
por fim, o Fascismo estaria já definido como regime e
como doutrina.
Neste texto, em 1932, Mussolini começa por negar três
ideias-chave: 1. O pacifismo; 2. O internacionalismo. 3.
A equação “bem-estar = felicidade”. Mas nega também três
doutrinas políticas modernas que lhe são anteriores: o
socialismo, o liberalismo e a democracia.
Estas doutrinas têm a sua própria história, que
Mussolini enuncia com brevidade: do socialismo utópico
(Fourier, Owen, Saint-Simon) saíra o socialismo
científico de Marx; do Iluminismo do século XVIII saíra
o liberalismo do século XIX; do enciclopedismo saíra a
doutrina democrática. Cada uma dessas doutrinas terá
chegado ao século XX, superando as respectivas origens
em resposta a novas necessidades.
Segundo Mussolini, o Fascismo estaria agora a abrir uma
nova época realizando uma síntese doutrinária que a
todas superaria. Encontrara um campo de doutrinas em
ruína, a partir das quais construíra um novo edifício -
“O fascismo, das ruínas das doutrinas liberal,
socialista, e democrática, extrai aqueles elementos que
têm ainda um valor de vida.” (Il fascismo dalle macerie
delle dottrine liberali, socialistiche, democratiche,
trae quegli elementi che hanno ancora un valore di
vita).
Diz-nos pouco acerca do que aproveita, mas esclarece o
que rejeita. O Fascismo, segundo Mussolini, do
socialismo científico, rejeita o materialismo histórico
(determinismo económico) e o conceito de luta de
classes; do liberalismo, recusa a economia e a política,
e tanto por razões doutrinárias como por razões
históricas (a Itália sofrera a derrocada sob o
liberalismo); da democracia, recusa o sufrágio universal
que “dá ao povo a ilusão de ser soberano, enquanto a
verdadeira e efectiva soberania está noutras forças
irresponsáveis e secretas" (dà al popolo l'illusione di
essere sovrano, mentre la vera effettiva sovranità sta
in altre forze talora irresponsabili e segrete). Até
1922, o fascismo fora republicano; o dilema república ou
monarquia estaria porém já ultrapassado. Uma invocação
histórica justifica o argumento, fazendo-nos pensar uma
vez mais em Giuseppe Mazzini: “A República Romana foi
morta por uma República irmã, a da França.”
O Fascismo de Mussolini vinha colocar uma concepção da
“vida como luta” no centro da sua doutrina; afirma-se
“pragmatico”, no seu desejo de poder, desejo de viver,
na sua atitude face à violência, na afirmação da
violência como valor. “Activismo, quer dizer
nacionalismo, futurismo, fascismo.”
Para Mussolini, assim como o século XIX fora o século do
indivíduo, o século XX seria o século do Estado. Foram
referidas acima as ideias essenciais da sua doutrina do
Estado. Mas falta citar a "iluminação pré-fascista" de
Ernest Renan, que a terá motivado:
“A razão, a ciência – dizia Renan, que teve uma
iluminação pré-fascista numa das suas Meditações
filosóficas - são produtos da humanidade, mas querer a
razão directamente pelo povo e através do povo é uma
quimera. Não é necessário pela existência da razão que
todo o mundo a conheça. Em todo o caso se tal iniciação
se devesse fazer não seria feita através da baixa
democracia, que parece conduzir à extinção da alta
cultura, e da mais elevada disciplina. O princípio de
que a sociedade existe somente para o bem estar e a
liberdade dos indivíduos que a compõem não parece estar
em conformidade com os planos da natureza, planos nos
quais a espécie só é tomada em consideração e o
indivíduo parece sacrificado. É de temer fortemente que
a última palavra da democracia assim entendida (...) não
seja um estado social no qual uma massa degenerada não
teria outra preocupação que gozar os ignóbeis prazeres
do homem vulgar”
O último parágrafo do texto explica a razão de ser da
sua doutrina: o Estado fascista é uma vontade de
potência e de império. A tradição romana é aqui uma
ideia de força (Lo Stato fascista è una volontà di
potenza e d'imperio. La tradizione romana è qui un'idea
di forza).
A Origem da Ideologia do Fascismo
Etimologicamente, o uso da palavra fascismo na história
política italiana moderna recua aos anos da década de
1890 na forma dos fasci, que eram grupos políticos
radicais que proliferaram nas décadas anteriores à
Primeira Guerra Mundial. (ver Fascio para mais
informação sobre este movimento e sua evolução).
Em 1928, ainda a doutrina fascista não tinha sido
oficialmente definida, W. Y. Elliott, da Universidade de
Harvard, considerava que o fascismo revelava um
"pragmatismo" decerto recebido de Papini, Pantaleone,
Pareto, e Sorel [4].
A primeira parte do texto Doutrina do Fascismo terá sido
escrito por Giovanni Gentile, um filósofo idealista na
linha de Hegel, e que serviu como o filósofo oficial do
regime. A segunda parte terá sido escrita por Mussolini,
mas é este quem assina o verbete e o texto foi-lhe
atribuído oficialmente. Nesse texto e nas notas da
edição de 1935, dois autores são especialmente referidos
como antecessores do Fascismo: Giuseppe Mazzini e Ernest
Renan. Entre outros, são também invocados como fontes do
"grande rio" que vem a desaguar no Fascismo: Georges
Sorel, Charles Peguy e Hubert Lagardelle.
Estabelecer a origem da ideologia do Fascismo, tem
gerado muito controversia entre os historiadores.
Partindo dos tributos intelectuais efectivamente pagos
por Mussolini a Giuseppe Mazzini e Ernest Renan, é
possível identificar as raízes fundamentais para o seu
nacionalismo e estatismo, e também para o seu culto da
acção e da violência. Vários autores têm no entanto
procurado encontrar outras raízes, sugerindo que nem
tudo aquilo que caracterizou a ideologia fascista tem
origem nas ideias de Mazzini e Renan.
Uma vez que tanto Sorel como Peguy foram influenciados
por Henri Bergson, aí poderia estar também uma das
origens do fascismo. Bergson rejeitava o cientismo, a
evolução mecânica e o materialismo histórico de Karl
Marx. Bergson falou também de um élan vital como um
processo evolucionário. Ambos estes elementos de Bergson
aparecem no fascismo.
Hubert Lagardelle, um conhecido escritor sindicalista,
foi influenciado por Pierre-Joseph Proudhon, que é a
figura inspiradora do anarco-sindicalismo, portanto nos
antípodas da doutrina de Mussolini acerca do Estado.
Foram também referidas as influências do tradicionalismo
recebidas por Mussolini. Sergio Panunzio, um teórico do
fascismo na década de 1920, tinha um passado
sindicalista mas a sua influência diminuiu à medida que
o movimento se distanciou das suas raízes esquerdistas.
Também se quis ver no conceito fascista do
corporativismo de Estado, em particular a sua teoria da
colaboração de classes e relações económicas e sociais
regidas pelo Estado, semelhança com as ideias expostas
pelo Papa Leão XIII na sua encíclica de 1892 Rerum
Novarum.
Esta encíclica reflectia sobre a condição de vida dos
operários transformada pela Revolução Industrial,
criticando o capitalismo e a exploração das massas
operárias na indústria, propondo aos católicos com
responsabilidade nos governos que acolhessem e
respeitassem as reivindicações dos trabalhadores através
dos seus sindicatos, protegendo os seus povos da
exploração. Pedia também aos Católicos para aplicarem os
princípios da justiça social às suas próprias vidas.
Na encíclica criticava-se o conceito de luta de classes
e a visão socialista que apontava para a eliminação da
propriedade privada como solução para o problema da
exploração. Em alternativa, propunha a solidariedade
social entre as classes sociais a realizar através da
reactivação de um Corporativismo de Associação como o
que fora praticado pelas guildas medievais. A ideia era
a de se constituírem sociedades políticas nas quais se
reconhecesse os diversos sectores do trabalho. Na defesa
do Corporativismo de Associação da encíclica papal, se
quis ver a defesa do Corporativismo de Estado enunciado
por Mussolini. Em flagrante contradição com a doutrina
fascista acerca do papel a desempenhar pelo Estado,
dizia-se na referida encíclica: "não é justo que o
indivíduo ou a família sejam absorvidos pelo Estado, mas
é justo, pelo contrário, que aquele e esta tenham a
faculdade de proceder com liberdade, contando que não
atentem contra o bem geral, e não prejudiquem ninguém."
- "O Governo é para os governados e não vice-versa"
O fascismo também se teria baseado em Gabriele
D'Annunzio e na Constituição de Fiume, aplicada na sua
efémera "regência" da cidade de Fiume. O Sindicalismo
teria tido uma influencia no fascismo, pelo facto de
alguns sindicalistas se terem cruzado com as ideias de
D'Annunzio. Antes da Primeira Guerra Mundial, o
sindicalismo era tido como uma doutrina militante para a
revolução da classe trabalhadora. Distinguia-se do
Marxismo porque insistia que o melhor caminho para a
classe trabalhadora se liberar era o sindicato em vez do
partido. Em 1908, o partido socialista italiano expulsou
os sindicalistas. O movimento sindicalista dividiu-se
entre o anarco-sindicalismo e outras tendências mais
moderadas. Alguns desses "moderados" terão começado a
promover os chamados "sindicatos mistos" de
trabalhadores e patrões. Nesta linha de acção, eles
teriam absorvido alguns ensinamentos dos teóricos
católicos, mas expandindo as teorias de um
Corporativismo de Associação para um Corporativismo de
Estado, desviando-se das influências de D'Annuzio e
aproximando-se de ideais mais Estatistas.
Quando foi publicada a tradução italiana do livro
Au-delà du marxisme, de Henri de Man, Mussolini estaria
inquieto e escreveu que o criticismo de Man havia
destruído qualquer elemento "científico" ainda existente
no Marxismo. Mussolini achava que a sua organização
Corporativa no Estado, com as novas relações entre
trabalho e o capital completamente submetidas ao Estado,
iriam eliminar o "conflito de interesses econômicos" e
portanto neutralizar o "germe da luta de classes".
Pensadores socialistas que rejeitaram as idéias
convencionais, Robert Michels, Sergio Panunzio, Ottavio
Dinale, Agostino Lanzillo, Angelo Oliviero Olivetti,
Michele Bianchi, e Edmondo Rossoni promoveram essa
tentativa de reconciliar o socialismo com o Estatismo.
O fascismo na Itália
Mussolini e Hitler em Veneza, 1934Mussolini fundou o
movimento fascista em 23 de março de 1919, numa reunião
feita na cidade de Milão. Entre os membros fundadores
estavam os líderes revolucionários sindicalistas
Agostino Lanzillo e Michele Bianchi.
Em 1921, os fascistas passaram a desenvolver um programa
que exigia a república, a separação da igreja do estado,
um exército nacional, um imposto progressivo para
heranças e o desenvolvimento de coperativas.
O estado fascista de Mussolini foi estabelecido
aproximadamente uma década antes da chegada de Hitler ao
poder. Tanto um movimentos como um fenômeno histórico, o
fascismo italiano foi, em muitos aspectos, uma reação à
falha aparente do laissez-faire e ao medo dos movimentos
de esquerda, apesar de que as circustâncias na história
intelectual devem ser consideradas, como o abalo do
positivismo e o fatalismo generalizado do pós-guerra na
Europa.
O fascismo foi de certa forma o resultado de um
sentimento geral de ansiedade e medo dentro da classe
média na Itália do pós-guerra, que surgiu no seguimento
da convergência de pressões interrelacionadas de ordem
económica, política e cultural. Sob o estandarte desta
ideologia autoritária e nacionalista, Mussolini foi
capaz de explorar os medos perante o capitalismo numa
era de depressão pós-guerra, o ascendente de uma
esquerda mais militante, e um sentimento de vergonha
nacional e de humilhação que resultaram da "vitória
mutilada" da Itália nos tratados de paz pós Primeira
Guerra Mundial. Tais aspirações nacionalistas não
realizadas (ou frustradas) manchavam a reputação do
liberalismo e do constitucionalismo entre muitos
sectores da população italiana. Adicionalmente, tais
instituições democráticas nunca cresceram ao ponto de se
tornarem firmemente enraizadas na nova nação-estado.
À medida que essa mesma depressão do pós-guerra fez
crescer a sedução pelo Marxismo entre o proletariado
urbano, ainda mais desprovido de direitos do que os seus
contrapartes no continente, o receio relativamente à
força crescente do sindicalismo, o comunismo e o
socialismo proliferaram entre a elite e a classe média.
De certa forma, Benito Mussolini preenchia um vácuo
politico. O Fascismo emergiu como uma "terceira via" —
como a última esperança da Itália para evitar o colapso
iminente do "fraco" liberalismo italiano, e a revolução
comunista.
Ao mesmo tempo que falhava em delinear um programa
coerente, o fascismo evoluiu para um novo sistema
político e económico que combinava o corporativismo, o
totalitarismo, nacionalismo, e anti-comunismo num estado
desenhado por forma a unir todas as classes num sistema
capitalista, mas um novo sistema capitalista no qual o
estado detinha o controlo da organização de indústrias
vitais. Sob a bandeira do nacionalismo e poder estatal,
o Fascismo parecia sintetizar o glorioso passado romano
com uma utopia futurista.
A sedução pelo movimento, a promessa de um capitalismo
mais ordenado após uma era de depressão económica do
pós-guerra, no entanto, não se confinava à Itália ou
mesmo à Europa. Por exemplo, uma década mais tarde,
quando a Grande Depressão originou uma queda da economia
brasileira, uma espécie de proto-fascismo iria emergir
como reacção aos problemas socio-económicos, e
consciência nacionalista do estatuto periférico da
economia do Brasil. O regime de Getúlio Vargas adotou
uma extensa influência fascista com a Constituição do
Estado-Novo, redigida por Francisco Campos, eminente
jurista filiado ao Partido Fascista Brasileiro.
Fundado como uma associação nacionalista (o Fasci di
Combattimento) de veteranos da Primeira Guerra Mundial
em Milão a 23 de Março de 1919, o movimento fascista de
Mussolini converteu-se num partido nacional (o Partito
Nazionale Fascista) após ter ganho 35 assentos no
eleições ao parlamento de Maio de 1921. Inicialmente
combinando elementos ideológicos da esquerda e da
direita, ele alinhava pelas forças conservadoras pela
sua oposição às ocupações a fábricas de Setembro de
1920.
Apesar dos temas da reforma social e económica no
manifesto fascista inicial de Junho de 1919, o movimento
foi apoiado por secções da classe média, receosos do
socialismo e do comunismo, enquanto que industriais e
donos de terra viram-no como uma defesa contra a
militância trabalhista. Sob a ameaça de uma "Marcha
sobre Roma fascista," Mussolini assumiu em Outubro de
1922 a liderança de um governo de coligação de direita
incluindo inicialmente membros do partido popular,
pro-Igreja.
A transição para uma ditadura assumida foi mais gradual
do que na Alemanha uma década mais tarde, apesar de em
Julho de 1923 uma nova lei eleitoral ter dificultado a
constituição de uma maioria parlamentar fascista, e o
assassínio do deputado socialista Giacomo Matteotti onze
meses mais tarde mostrou os limites da oposição
política. Em 1926 os movimentos de oposição tinham sido
declarado ilegais, e em 1928 a eleição ao parlamento era
restrita a candidatos aprovados pelos fascistas.
O feito político mais duradouro deste regime foi talvez
o Tratado de Latrão de Fevereiro de 1929 entre o estado
italiano e a Santa Sé, pelo qual ao Papado foi concedida
a soberania sobre a Cidade do Vaticano e recebeu a
garantia do livre exercício do Catolicismo como a única
religião do estado em toda a Itália em retorno da sua
aceitação da soberania italiana sobre os anteriores
domínios do Papa.
Os sindicatos e associações de trabalhadores foram
reorganizados em 1934 em 22 corporações fascistas
combinando trabalhadores e empregadores por sector
económico, cujos representantes em 1938 substituíram o
parlamento como a "Câmara de Corporações". O poder
continuava investido no Grande Conselho Fascista, o
corpo governativo do movimento.
Nos anos 30 do século XX, a Itália recuperava da Grande
Depressão, e obtinha o crescimento económico em parte
pela substituição de importações pela produção doméstica
(Autarchia). A drenagem dos pântanos de Pontine a sul de
Roma, empestados de malária, foi um dos orgulhos
badalados do regime. Mas o crescimento foi minado pelas
sanções internacionais impostas à Itália no seguimento
da invasão da Etiópia em Outubro de 1935 (a crise da
Abissínia), e pelo forte esforço financeiro que o
governo fez para apoiar militarmente os nacionalistas de
Franco na Guerra Civil Espanhola.
O isolamento internacional e o seu envolvimento comum na
Espanha vão fazer ressaltar uma crescente colaboração
diplomática entre a Itália e a Alemanha Nazi. Isto
fez-se reflectir também nas políticas domésticas do
regime fascista italiano, as primeiras leis anti-semitas
foram passadas em 1938.
A intervenção da Itália (com início em 10 de Junho de
1940) na Segunda Guerra Mundial como aliado da Alemanha
trouxe o desastre militar e resultou na perda das
colónias no norte e leste africanos bem como a invasão
americano-britânica da Sicília em Julho de 1943 e o sul
de Itália em Setembro de 1943.
Mussolini foi demitido como primeiro-ministro pelo rei
Vítor Emanuel III da Itália a 25 de Julho de 1943, e
subsequentemente preso. Foi libertado em Setembro por
pára-quedistas alemães e instalado como chefe de uma
"República Social Italiana" fantoche em Salo, no norte
da Itália, então ocupado pela Alemanha. Sua política
econômica é a socialização. A sua associação com o
regime de ocupação alemão erodiu muito do pouco apoio
que lhe restava. A sua execução sumária em 28 de Abril
de 1945 por guerrilheiros, durante uma fase final da
guerra particularmente violenta, foi vista por muitos
observadores então como o final apropriado para o seu
regime.
Após a guerra, os resquícios do fascismo italiano
reagruparam-se largamente sobre a égide do "Movimento
Social Italiano" (MSI) neo-fascista. O MSI coligou-se em
1994 com a antiga "Democrazia Cristiana" conservadora
para formar a Alleanza Nazionale (AN), que proclama o
seu compromisso com o constitucionalismo, o governo
parlamentar e pluralismo político.
Fascismo e Paganismo
Durante as décadas do Fascismo, o Paganismo não alcançou
a mesma expressão pública obtida durante o Nazismo.
Benito Mussolini não parece ter sido um grande
entusiasta do paganismo, como Adolf Hitler. Mussolini
considerava-se no entanto um admirador do risorgimento
italiano, onde pontificara por exemplo a obra, com
assinalável componente pagã, de Giosuè Carducci [5].
Na primeira fase do Fascismo, Mussolini não hostilizou a
Igreja Católica, tendo inclusive subscrito o Tratado de
Latrão, através do qual se reconhecia estatuto politico
ao Estado do Vaticano, e formalmente a sua independência
de acção dentro de Itália.
Mas muito vai mudar no início da década de 1930, com as
medidas que Mussolini tomou contra a liberdade de ensino
da Igreja, e a proibição da Acção Católica. É nessa
altura que o Papa Pio XI reage condenando os erros do
Fascismo com a Encíclica Non abbiamo bisogno.
Na luta entre o Estado Fascista e a Igreja católica,
desperta então a adormecida componente anticlerical do
primeiro fascismo dos fasci di combattimento. Mussolini,
ao definir a sua doutrina em 1932, paga já tributo
intelectual aos anticlericais Giuseppe Mazzini e Ernest
Renan.
E é pela mesma época que começa a ganhar importância o
paganismo, acolhendo-se o pensamento do filósofo Julius
Evola e do seu ramo Nietzschiano do fascismo, saturado
de gnosticismo e de misteriosos e antigos cultos pagãos
[6]. Nos anos de 1930, Julius Evola torna-se cada vez
mais influente no seio do regime fascista através dos
seus amigos Bottai e Roberto Farinacci. Com o
estabelecimento do Eixo Roma-Berlim, em 1937, o influxo
do paganismo alemão activa ainda mais o paganismo
italiano, em guerra aberta com a Igreja Católica [7].
Evola, se bem que se considerasse um racista
“espiritual” por oposição ao racismo “materialista” do
Nazismo, estava no auge da sua influência no regime
fascista quando se proclamaram as leis raciais de 1938.
No pós-guerra, Evola vai manter-se um filósofo activo,
vindo a ser um dos autores de referência do paganismo
presente em alguns círculos neofascistas da actualidade
[8]. Os escritos de Alain de Benoist são outra das suas
referências fundamentais [9].
Fascismo e Nazismo
Adolf Hitler.
A suástica nazista.O Nazismo é geralmente considerado
uma forma de fascismo, mas o Nazismo, em contraste com o
Fascismo, viu o objectivo do Estado no serviço de um
ideal daquilo que o Estado supostamente deveria ser: as
suas pessoas, raças, e a engenharia social destes
aspectos da cultura com o fim último de uma maior
prosperidade possível para eles às custas de todos os
outros.
Por seu lado, o Fascismo de Mussolini continuou fiel à
ideologia de que todos estes factores existiam para
servir o Estado e que não era necessariamente no
interesse do Estado servir ou manipular algumas daquelas
características. O único objectivo do governo sob o
fascismo era auto-valorizar-se como a maior prioridade
da sua cultura, simplesmente sendo o Estado em si,
quanto maior a sua dimensão, melhor, pelo que se pode
dizer que se tratou de uma Estadolatria (idolatria do
estado) governamental. Enquanto o Nazismo era uma
ideologia Metapolítica, vendo a si mesmo apenas como uma
utilidade pela qual uma condição alegórica do seu povo
era o seu objectivo, o fascismo era uma forma
sinceramente anti-socialista de Estatismo que existiu
por virtude de e com fins em si mesmo. O movimento
Nazista falou da sociedade baseada em classes como o seu
inimigo e pretendia unificar o elemento racial acima de
classes estabelecidas, enquanto que o movimento fascista
tentou preservar o sistema de classes e sustentou-o como
a fundação de cultura estabelecida e progressiva.
Este teorema subjacente fez os Fascistas e Nazistas de
então verem-se como parcialmente exclusivos entre si.
Hoje, no entanto, esta diferença não é patente na
terminologia, mesmo quando usada num contexto histórico.
O Nazismo distingue-se do Fascismo por pretender
estabelecer teorias raciais. O Fascismo não apresentou
esta característica, tendo em 1922, visto um terço dos
Judeus aderir ao movimento liderado por Mussolini .
Fascismo e Socialismo
O Fascismo desenvolveu uma oposição ao socialismo e o
comunismo, embora muitos fascistas houvessem sido
marxistas no passado. Com relação a isso, em 1923
Mussolini declarou, na Doutrina do Fascismo:
"(...) O Fascismo [é] a completa oposição ao ...
socialismo marxista, à concepção materialista da
história das civilizações humanas, que explica a
evolução humana como simples conflitos de interesses
entre vários grupos sociais e pela mudança e
desenvolvimento envolvendo os instrumentos e modos de
produção...
O Fascismo, agora e sempre, acredita no sagrado e no
heroísmo; quer dizer, em acções não influenciadas por
motivos económicos, directos ou indirectos. E se a
concepção economicista da história for negada, de acordo
com a teoria de que os homens são mais do que bonecos,
levados ao sabor de ondas de mudança, enquanto as forças
controladoras reais estão fora de controle, disso tudo
se conclui que a existência de uma luta de classes
eterna é também negada — o produto natural da concepção
economicista da história. E acima de tudo o Fascismo
nega que a luta de classes possa ser a força
preponderante na transformação da sociedade.
... A máxima que a sociedade existe apenas para o
bem-estar e para a liberdade daqueles que a compõe não
parece estar em conformidade com os planos da
natureza... Se o liberalismo clássico acarreta
individualismo, o Fascimo acarreta governo forte."
—Benito Mussolini, citação em domínio público extraída
de The Internet Modern History Sourcebook.
Por mais que certos tipos de socialismo possam
parecer-se superficialmente ao fascismo, deve ser
destacado que as duas ideologias se chocam violentamente
em muitos assuntos. O papel do Estado, por exemplo. No
Socialismo, considera-se que o Estado é meramente uma
"ferramenta do povo", algumas vezes chamado de "mal
necessário", que existe para servir aos interesses do
povo e proteger o bem comum (e algumas formas de
socialismo, como o socialismo libertário, rejeitam
completamente o estado). Já o Fascismo crê no Estado
como um fim em si mesmo, e digno de obediência e
subserviência por parte do povo.
O Fascismo rejeita as doutrinas centrais do Marxismo,
que são a luta de classes e a necessidade de substituir
o capitalismo por uma sociedade controlada pelo
operariado, na qual os trabalhadores sejam proprietários
dos meios de produção.
Um governo fascista é geralmente caracterizado como de
"extrema direita" e um governo socialista, de
"esquerda". Mas teóricos como Hannah Arendt e Friedrich
Hayek argumentam que existem diferenças apenas
superficiais entre o Fascismo e formas totalitárias de
socialismo (veja Stalinismo); uma vez que os governos
autoproclamados "socialistas" nem sempre mantiveram seu
ideal de servir ao povo e respeitar os princípios
democráticos. Muitos socialistas e comunistas rejeitam
esses governos totalitários, encarados como uma forma de
Fascismo com máscara de socialismo. (Veja espectro
político e modelo político para mais detalhes.)
Socialistas e outros críticos (não necessariamente de
esquerda) sustentam que não há sobreposição ideológica
entre Fascismo e Marxismo; acreditam que ambas as
doutrinas são diametralmente opostas. Sendo o Marxismo a
base ideológica do comunismo, eles concluem que as
comparações feitas por Arendt e outros são inválidas.
Mussolini rejeitou completamente o conceito Marxista de
luta de classes ou a tese Marxista de que o operariado
deveria apropriar-se dos meios de produção. Em 1932 ele
escreveu (na Doutrina do Fascismo, por via de Giovanni
Gentile):
"Fora do Estado não pode haver nem indivíduos nem grupos
(partidos políticos, associações, sindicatos, classes).
Então o Fascismo opõe-se ao Socialismo, que confina o
fluxo da história à luta de classes e ignora a unidade
de classes estabelecida em uma realidade económica e
moral do Estado."
( http://www.constitution.org/tyr/mussolini.htm )
A origem esquerdista do líder fascista italiano
Mussolini, como um antigo líder da ala mais radical do
partido socialista italiano, tem sido frequentemente
notada. Após a sua viragem para a direita, Mussolini
continuou a empregar muito da retórica do socialismo,
substituindo a classe social pela nação como a base da
lealdade política.
Também é frequentemente notado que a Itália fascista não
nacionalizou quaisquer indústrias ou entidades
capitalistas. Em vez disso, ela estabeleceu uma
estructura corporativista influenciada pelo modelo de
relações de classe avançado pela Igreja Católica. De
facto, existe uma grande quantidade de literatura sobre
a influência do Catolicismo no fascismo e nas ligações
entre o clero e os partidos políticos na Europa antes e
durante a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de o fascismo italiano ter proclamado a sua
antítese ao socialismo, a história pessoal de Mussolini
no movimento socialista teve alguma influência sobre
ele. Elementos da prática dos movimentos socialistas que
ele reteve foram:
A necessidade de um partido de massas;
A importância de obter o apoio entre a classe
trabalhadora
técnicas de disseminação de ideias tais como o uso de
propaganda.
O Manifesto Fascista original continha um determinado
número de propostas para reformas que também eram comuns
entre os movimentos socialista e democráticos e eram
desenhados para apelar à classe trabalhadora. Estas
promessas foram geralmente ignoradas uma vez que os
fascistas tomaram o poder.
Críticos apontam que os Marxistas e os sindicalistas
foram os primeiros alvos e as primeiras vítimas de
Mussolini e de Adolf Hitler uma vez que eles chegaram ao
poder. Eles também notam o antagonismo que resultou em
lutas de rua entre fascistas e socialistas, incluindo:
a Batalha de Cable Street de 1936 em Londres entre
Trotskistas e membros do Partido Comunista da
Grã-Bretanha contra simpatizantes de Mosely
lutas de rua na Alemanha anteriormente à chegada ao
poder de Hitler.
Mussolini também imprisionou Antonio Gramsci desde 1926
até 1934, depois de Gramsci, um líder do Partido
Comunista Italiano e uma figura intelectual destacada,
tentar criar uma fronte comum entre a esquerda política
e os trabalhadores, por forma a resistir e derrotar o
fascismo. Outros líderes comunistas italianos tais como
Palmiro Togliatti foram para o exílio e lutaram pela
república em Espanha.
Uma mais séria manifestação do conflito entre fascismo e
socialismo foi a Guerra Civil Espanhola, já mencionada
neste artigo.
Fascismo e outros regimes totalitários
Joseph Stalin.Alguns historiadores e teóricos vêem no
fascismo e no regime comunista da União Soviética (mais
especificamente o Estalinismo) grandes semelhanças,
designando-os de "totalitarismo" (uma designação de
Hannah Arendt). Outros vêem-nos como incomparáveis.
Arendt e outros teóricos do totalitarismo argumentam que
há semelhanças entre as nações sob domínio Fascista e
Estalinista. Por exemplo, quer Hitler quer Stalin
cometeram o assassínio massivo de milhões dos seus
concidadãos civis que não se integravam nos seus planos.
De acordo com o doutrinário do libertarianismo Nolan
chart, o "fascismo" ocupa um lugar no espectro político
como o equivalente capitalista do comunismo, sendo um
sistema que apoia a "liberdade económica" mas que é
coagido pelos seus controles sociais de tal forma que se
torna totalitário.
Em 1947, o economista austríaco Ludwig von Mises
publicou um livro chamado "Caos planeado" (Planned
Chaos). Ele afirmava que o fascismo e o Nazismo são
ditaduras socialistas e que ambas obedeciam aos
princípios soviéticos de ditadura e opressão violenta
dos dissidentes. Ele afirmou que a maior heresia de
Mussolini à ortodoxia marxista tinha sido o seu forte
subscrever da entrada italiana na Primeira Guerra
Mundial do lado aliado (Mussolini pretendia "libertar"
áreas de língua italiana vivendo sob o controlo
austríaco nos Alpes). Esta visão contradiz as
declarações do próprio Mussolini (para não mencionar os
seus oponentes socialistas) e é geralmente vista com
cepticismo por historiadores.
Críticos de von Mises argumentam que ele estava atacando
um fantoche; por outras palavras, que ele mudou a
definição de socialismo, por forma a acomodar o fascismo
e o nazismo a essa definição. O conceito de ditadura do
proletariado ao qual Von Mises alude não é o mesmo que o
conceito de ditadura empregue pelos fascistas. Ditadura
do proletariado é suposto significar, na definição
marxista, uma ditadura dominada pelas classes
trabalhadoras, em vez de uma ditadura dominada pela
classe capitalista. Este conceito foi destorcido por
Estaline ao ponto de significar uma ditadura pelo
Secreário Geral sobre o partido e as classes
trabalhadoras. Neste ponto, Estaline desviou-se de Marx,
e como tal não é correto afirmar conduzia uma forma de
governo Marxista.
Por outro lado, enquanto o modelo económico fascista
baseado no corporativismo promove uam colaboração entre
classes numa tentativa de união da mesmas sob o controle
do estado, o modelo marxista promove a eliminação não só
das classes como também do próprio estado.
Adicionalmente, o fato de os estados fascistas, por um
lado, e a União Soviética e o bloco soviético por outro,
serem estados policiais, não significa que sejam produto
do socialismo. Apesar de todos os estados de partido
único poderem ser considerados estados policiais, não há
qualquer relação entre a definição de socialismo e a
definição estado policial, nem todos os estados policias
são socialistas ou fascistas. Muitos outros regimes de
partido único, incluíndo regimes capitalistas, foram
também estados policiais. Alguns exemplos são:
A Republica da China sob o regime Kuomintang de Chiang
Kai-shek;
O Afeganistão sob o regime Talibã;
O Irão, durante o regime dos Xá, um estado monárquico
policial;
O Vietname do Sul, a Coreia do Sul, Singapura e outros
países do sudueste asiático, durante periodos recentes
da sua história.
Por outro lado, existiram muitos governos socialistas em
sistemas multi-partidários que não foram estados
policiais.
Anti-Comunismo
Fascismo e Comunismo são sistemas políticos que
ascenderam à significância após a Primeira Guerra
Mundial. Historiadores do período entre a primeira e a
segunda guerra mundial tais como E.H. Carr e Eric
Hobsbawm afirmaram que o liberalismo estava sob pressão
séria neste período e que pareceu na altura uma
filosofia condenada. O sucesso da Revolução Russa de
1917 resultou numa onda revolucionária por toda a
Europa. O movimento socialista mundial dividiu-se entre
as alas social democrata e Leninista.
A subsequente formação da Terceira Internacional
levantou sérios debates entre os partidos
social-democratas, resultando no separatismo de
apoiantes da Revolução Russa para formar partidos
comunistas na maioria dos países industrializados (e não
industrializados).
Nos finais da Primeira Guerra Mundial, houve tentativas
de revoltas ou ameaças de revoltas por toda a Europa,
notavelmente na Alemanha, onde a Revolta Spartacista,
liderada por Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht em Janeiro
de 1919, (com poucos apoiantes) foi facilmente esmagada.
Na Baviera, comunistas derrubaram o governo e
estabeleceram o Soviete de Munique entre 1918 e 1919. Um
curto governo soviético foi estabelecido na Hungria sob
Béla Kun em 1919.
A revolução russa também inspirou movimentos
revolucionários em Itália, com uma onda de ocupação de
fábricas. Muitos historiadores vêem o fascismo como uma
resposta a estes desenvolvimentos, como um movimento que
ao mesmo tempo tentou apelar às massas e desviá-las do
Marxismo. Também apelou aos capitalistas como uma
barreira contra o Bolchevismo. O fascismo italiano tomou
o poder com a benção do rei de Itália após anos de
intranquilidade esquerdista terem levado muitos
conservadores a recear que uma revolução comunista era
inevitável.
Através da Europa, numerosos aristocratas, intelectuais
conservadores, capitalistas e industriais ofereceram
apoio aos movimentos fascistas nos seus países, emulando
o fascismo italiano. Na Alemanha, numerosos grupos de
direita nacionalista surgiram, particularmente no
pós-guerra os Freikorps, que foram usados para esmagar
os spartaquistas e a Räterrepublik de Munique.
Com a Grande Depressão da década de 1930, parecia que o
liberalismo e as formas liberais de capitalismo estavam
condenadas, e os movimentos fascistas e comunistas
incharam. Estes movimentos opunham-se ferozmente um ao
outro e lutavam frequentemente, o exemplo mais notável
foi a Guerra Civil Espanhola. Esta guerra tornou-se uma
guerra por representantes (proxy war) entre países
fascistas e seus apoiantes internacionais, que apoiaram
Franco e o movimento comunista mundial aliado com certo
atrito aos anarquistas e trotskistas, que apoiaram a
Frente Popular e que foram ajudados sobretudo pela União
Soviética.
Inicialmente, a União Soviética apoiou a coligação com
potências ocidentais contra a Alemanha Nazi e frentes
populares em vários países contra o fascismo doméstico.
Esta política foi largamente mal sucedida devido à
desconfiança mostrada pelas potências ocidentais
(sobretudo pela Grâ-Bretanha) face à União Soviética. O
Acordo de Munique entre a Alemanha, França e Inglaterra
contribuiram para o receio soviético de que as potências
ocidentais estariam desejosas de força-la a lutar contra
o Nazismo. A falta de ímpeto por parte dos britânicos
durante as negociações diplomáticas com os soviéticos
serviu para tornar a situação ainda pior. Os soviéticos
mudaram a sua política e negociaram um pacto de
não-agressão conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop
em 1939. Vyacheslav Molotov afirma nas suas memórias que
os soviéticos acreditavam que isto era necessário para
ganharem tempo e prepararem uma guerra esperada com a
Alemanha. Stalin não esperava que os Alemães atacassem
antes de 1942, mas o pacto acabou em 1941 quando a
Alemanha Nazi invadiu a União Soviética na Operação
Barbarossa. Fascismo e comunismo tornaram-se inimigos de
morte. A guerra, para ambos os campos, era vista como
uma guerra de ideologias.
Ver também: Anti-Comunismo
Fascismo e Cristianismo
Um tópico controverso é o relacionamento entre os
movimentos fascistas e o Cristianismo, particularmente a
Igreja Católica Romana.
Tem sido alegado por alguns autores que a encíclica do
Papa Leão XIII de 1891, Rerum Novarum antecipou a
doutrina que se tornou conhecida como Fascismo. Na
referida encíclica, dizia-se no entanto em flagrante
contradição com a doutrina fascista acerca do papel a
desempenhar pelo Estado: "não é justo que o indivíduo ou
a família sejam absorvidos pelo Estado, mas é justo,
pelo contrário, que aquele e esta tenham a faculdade de
proceder com liberdade, contando que não atentem contra
o bem geral, e não prejudiquem ninguém." - "O Governo é
para os governados e não vice-versa"
Alega-se que as "tendências corporativas" da Rerum
Novarum foram ressaltadas pela encíclica do Papa Pio XI
em 25 de Maio de 1931 Quadragesimo Anno que reafirmou a
hostilidade de Rerum Novarum face à competição
desordenada e à luta de classes. Uma vez mais, o papel
do Estado era o de velar pelo bem comum e não o de
reduzir os indivíduos ao Estado, como no Fascismo.
A promulgação da encíclica Non abbiamo bisogno, em 29 de
Junho de 1931, Pio XI reitera de forma veemente a
condenação dos erros do fascismo italiano,
considerando-o já uma estatolatria, como se confirmou na
definição que Mussolini fez da doutrina fascista em
1932.
O conflito entre o Fascismo e a Igreja Católica, remonta
ao início dos anos 20 do século XX. O partido católico
na Itália (Partito Popolare) estava então prestes a
formar uma coligação com o partido reformador que
poderia ter estabilizado a política italiana e
frustrando o golpe projetado por Mussolini. A 2 de
Outubro de 1922, o Papa Pio XI fez circular uma carta
ordenando ao clero que não se identificasse com o
Partito Popolare, mas que ficasse neutral, uma ação que
iria enfraquecer o partido e sua aliança contra
Mussolini. No seguimento da ascenção de Mussolini ao
poder, o secretário de estado do Vaticano encontrou-se
com Il Duce no início de 1923 e concordou em dissolver o
Partito Popolare, que Mussolini via como um obstáculo ao
domínio fascista. Em troca, os fascistas fizeram
garantias quanto à educação e instituições católicas.
Em 1924, no seguimento do assassínio do líder do Partido
Socialista por fascistas, o Partito Popolare juntou-se
ao partido socialista na exigência de que o rei
demitisse Mussolini como primeiro-ministro, e afirmou o
desejo de formar um governo de coligação. Pio XI
respondeu ao avisar contra os perigos de uma coligação
entre católicos e socialistas. O Vaticano ordenou que
todos os padres deixassem quaisquer posições que
tivessem no "Partito Populare", abandonando-o. Esta
posição da Igreja levou à desintegração deste partido
nas áreas rurais, onde o partido dependia da
condescendência clerical.
O Vaticano estabeleceu subsequentemente a Ação Católica
como uma organização não política sob o controlo direto
dos bispos. A organização foi proibida pelo Vaticano de
participar na política, ordenando a todos os católicos
que se juntassem à Ação Católica. Isto resultou em
centenas de milhares de católicos italianos terem
deixado o Partito Popolare, aderindo ao à Ação Católica.
Foi o colapso do partido católico - Partito Populare.
[1]
Em 1927, Giovanni Gentile dera-se conta de uma séria
antítese filosófica, deixando adivinhar um problema
político de difícil resolução: era necessário resolver a
contradição entre a concepção transcendente da Igreja
Católica e o carácter imanente da concepção política do
fascismo. O "caminho mostrava-se empinado" (palavra
suas): a política eclesiástica do Estado fascista "devia
resolver o problema de manter intacta e absoluta a sua
soberanía face à Igreja" [10]. Quando Mussolini ordenou
o fecho da Ação Católica em Maio de 1931, Pio XI emitiu
uma encíclica, Non abbiamo bisogno, na qual declarava a
oposição da Igreja Católica à estatolatria de Mussolini,
dizendo que aquela ordem tinha "desmascarado as
intenções pagãs do Estado fascista". Sob pressão
internacional, Mussolini decidiu o compromisso com os
católicos e a Ação Católica foi salva.
Tem sido também alegado, para além das semelhanças
doutrinais, terá havido relações entre a Igreja católica
e os movimentos fascistas de outros países. Por exemplo,
na Eslováquia, o ditador fascista foi um monsignor
católico. Na Croácia, os Ustaše fascistas ter-se-ão
identificado a si mesmos como um "movimento católico".
Estes regimes têm sido vistos como exemplos de fascismo
clerical.
No Brasil, o movimento TFP (Sociedade Brasileira de
Defesa da Tradição, Família e Propriedade, organização
católica fundada por Plínio Corrêa de Oliveira), reagiu
fortemente contra os ideais e a prática dos
fascistas[11]. Em 1939, no primeiro número do ano do
Legionário, Corrêa de Oliveira fez uma surpreendente
previsão: "enquanto se vão delimitando todos os campos
de batalha, vai-se desenvolvendo um processo cada vez
mais claro: o da fusão doutrinária do nazismo com o
comunismo. A nosso ver, o ano de 1939 assistirá à
consumação desta fusão"[12]. Em Agosto de 1939, foi
anunciado o pacto Ribbentrop-Molotov, no qual a URSS e a
Alemanha nazista faziam a partilha da Polónia.
Prática do Fascismo
General Francisco Franco.Exemplos de sistemas fascistas
incluem:
A Itália de Mussolini,
Espanha sob o governo da Falange Española y de las
Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista, partido de
Francisco Franco
A prática do Fascismo envolveu medidas políticas e
econômicas, convidando a comparações diferentes. Como
notado em outro lugar neste artigo, alguns escritores
que focalizam suas análises nas medidas politicamente
repressivas de fascismo identificam isto como uma forma
de totalitarismo, uma descrição eles usam para não só
caracterizar a Itália fascista, mas também países como a
União Soviética, a República Popular de China ou a
Coréia do Norte. Deve ser notado que o termo
"totalitarismo" é muito amplo e inclui muitas ideologias
diferentes, que são inimigas juradas umas das outras.
Alguns analistas, no entanto, mostram que certos
governos fascistas eram mais autoritários que
totalitários, como é o caso dos governos da Espanha de
Francisco Franco e Portugal de Salazar, enquanto
fascistas, eram mais autoritários ou totalitários.
Escritores que focalizam suas análises em políticas
econômicas e no uso do aparato estatal para combater os
conflitos entre as classes diferentes fazem comparações
até mais amplas, identificando o fascismo como uma forma
de corporativismo. O corporatismo era a face política da
doutrina social católica do final do século XIX. Algumas
comprações são feitas em relação ao corporativismo como
certas partes do New Deal de Roosevelt nos EUA, e o
populismo de Juan Domingo Perón na Argentina.
Fascismo como um fenômeno internacional
É frequentemente uma matéria de disputa saber se um
determinado governo poderá ser caracterizado como
fascista, autoritário, totalitário, ou simplesmente um
Estado policial. Regimes que se proclamaram como
fascistas ou que são considerados como simpatizantes do
fascismo, segundo alguns autores, incluem:
Áustria (1933-1938) - Austro-fascismo: Engelbert Dollfuß
dissolveu o parlamento e estabeleceu uma ditadura
clerical-fascista, com base no Partido Social Cristão,
que durou até a Áustria ter sido incorporada na Alemanha
através do Anschluss.. a ideia de Dollfuß de um
"Ständestaat" foi tirada de Mussolini.
Itália (1922-1943) - O primeiro país fascista, foi
governado por Benito Mussolini (Il Duce) até que
Mussolini foi capturado durante a invasão Aliada. Antes
disso Mussolini tinha sido salvo da prisão domiciliária
por tropas alemãs, montando de seguida um
estado-fantoche (a República de Saló) no norte da Itália
sob a protecção do exército alemão, e reorganizou o
Partido Republicano Fascista, com outros que se
mantiveram fiéis, como Alessandro Pavolini.
Espanha (1936-1975) - Após a prisão e execução em 1936
do seu fundador José Antonio Primo de Rivera durante a
Guerra Civil Espanhola, o partido da Falange espanhola
foi liderado pelo Generalíssimo Francisco Franco, que se
tornou conhecido como El Caudillo, líder indisputado do
lado nacionalista na guerra civil, e, após a sua
vitória, chefe de estado espanhol até à sua morte, mais
de 35 anos depois.
Portugal (1932-1974) - Menos restrictivo que os regimes
da Itália e Espanha, o Estado Novo de António de
Oliveira Salazar era no entanto um regime filo-fascista,
ou seja, um regime autoritário com inspiração fascista,
reflectida no regime de Partido único (União Nacional e
no corporativismo de Estado.
Grécia - a ditadura de Joannis Metaxas entre 1936 e 1941
não era particularmente ideológica na sua natureza, e
pode por isso ser caracterizada mais como autoritária do
que fascista. O mesmo pode ser argumentado sobre a
ditadura militar do Coronel George Papadopoulos entre
1967 e 1974, que foi apoiada pelos Estados Unidos.
Juan Domingo Perón.Roménia (1940-1944) - A Guarda de
ferro tomou o poder quando Ion Antonescu forçou o rei
Carol II da Roménia a abdicar. O regime fascista acabou
após a entrada das trovas soviéticas.
Argentina (1946-1955 e 1973-1974) - Juan Perón admirava
Mussolini e estabeleceu o seu próprio regime
filo-fascista. Após a sua morte, a sua terceira esposa e
então vice-presidente Isabel Peron foi deposta por uma
junta militar.
Em outros países, como o Canadá, Reino Unido, Austrália,
Estados Unidos, viram a organização de pequenos partidos
fascistas ou nacional-socialistas, logo postos na
ilegalidade com a eclosão da Segunda Guerra. O Brasil,
entre outros países, viram florescer organizações
nacionalistas ou filo-fascistas, como a AIB (Ação
Integralista Brasileira), nos anos 30.
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Lemas e provérbios fascistas
O acima mencionado Tutto nello Stato, niente al di fuori
dello Stato, nulla contro lo Stato, "Tudo no Estado,
nada fora do Estado, nada contra o Estado."
Me ne frego, "Não me importa," o lema fascista italiano.
Libro e moschetto - fascista perfetto, "Livro e mosquete
- fascista perfeito." (na Alemanha, Goebbels iria usar
algo de semelhante - "Com um livro numa mão e a espada
na outra", o nazi...
Viva la Morte, "Viva a morte (sacrifício)."
Acreditar, obedecer, combater.
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Guerra Mundial)
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Carta do Trabalho (1927) - "Carta dos direitos do
Fascismo italiano".
Benito Mussolini Doutrina do Fascismo, publicado como
parte do verbete Fascismo na Enciclopedia Italiana de
1932.
Giuseppe Mazzini - Pensamento e Acção.
Georges Sorel - Teoria da Violência.
Ernest Renan - A Humanidade como Deidade em progresso
(em francês)]
George Seldes, repórter do fascismo americano inicial.
Horst Wessel Lied, uma cantiga alemã que incorpora muito
da ideologia Fascista.
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