Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião
de pessoas, da mesma raça, falando o mesmo idioma, tendo
os mesmos costumes e adotando a mesma religião,
formando, assim, um povo, cujos elementos componentes
trazem consigo as mesmas características raciais e se
mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião e
língua.
Mas, a rigor, os elementos território, língua, religião,
costumes e tradição, por si sós, não constituem o
caráter da nação. São requisitos secundários, que se
integram na sua formação. O elemento dominante, que se
mostra condição subjetiva para a evidência de uma nação
assenta no vínculo que une estes indivíduos,
determinando entre eles a convicção de um querer viver
coletivo. É, assim, a consciência de sua nacionalidade,
em virtude da qual se sentem constituindo um organismo
ou um agrupamento, distinto de qualquer outro, com vida
própria, interesses especiais e necessidades peculiares.
Nesta razão, o sentido de nação não se anula porque seja
esta fracionada esta entre vários Estados, ou porque
várias nações se unam para a formação de um Estado. O
Estado é uma forma política, adotada por um povo, que
constitui uma nação, ou por vários povos de
nacionalidades distintas, para que se submetam a um
poder público soberano, emanado da sua própria vontade,
que lhes vem dar unidade política. A nação preexiste sem
qualquer espécie de organização legal. E mesmo que,
habitualmente, seja utilizada em sinonímia de Estado, em
realidade significa a substância humana que o forma,
atuando aquele em seu nome e no seu próprio interesse,
isto é, pelo seu bem-estar, por sua honra, por sua
independência e por sua prosperidade.
História
O termo, proveniente do latim, natio, era, inicialmente
utilizado pelos estudantes das universidades medievais
(em que se destacava a Universidade de Paris -
Sorbonne), que se organizavam em grupos com esse nome,
devido ao facto de terem proveniências diversas. Em cada
nação, falava-se a língua materna dos estudantes, sendo
estes regidos pelas leis dos seus próprios países.
Com o início das navegações no Atlântico e Pacífico por
Portugal e Espanha um novo desenvolvimento econômico
surgiu na Europa. O modelo colonialista fez surgir os
dois primeiros Estados fortes e coesos na Europa. Foi um
grande momento de riqueza cultural que fez surgir o
Renascimento. As universidades européias viram surgir
muitas idéias e o Humanismo e o Iluminismo se tornaram
as grandes correntes de contestação dos valores da
Igreja Católica.
Com a decadência da Espanha e de Portugal no domínio da
navegação internacional, estados como a Inglaterra,
Holanda e França começaram a participar de novas
ocupações da América, África e Ásia. Estes estados
tinham grande vinculação de seus monarcas e príncipes
com os protestantes e por isso tinham pouco ou nenhum
apoio da igreja de Roma. Desde então, o humanismo passou
a ser o centro dos estudos sobre as relações entre o
homem e a natureza.
Uma das primeiras obras que lançam luzes sobre este tema
é o livro de Adam Smith publicado em 1776, A Riqueza das
Nações, que apesar de utilizar o termo "nação" para
designar as várias organizações humanas, não se debruça
em uma categorização minuciosa, deixando aberta sua
interpretação. A colaboração mais visível desta obra é a
vinculação do termo nação à organização social
necessária para a organização das relações econômicas
entre as sociedades, ou seja, o Estado. Essa vinculação
deu origem a uma corrente de pensamento teórico que
sustenta o capitalismo.
Neste mesmo período, surgiram duas revoluções
interligadas em vários ideais. A primeira foi a
Revolução Americana de 1776 que em com base na
Declaração da Independência dos Estados Unidos da
América a Revolução Francesa lança a sua Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão onde o termo "nação" foi
utilizado para identificar a reunião do povo para
legitimar o novo poder e as novas leis que agora não
adivinham de um poder monárquico legitimado por uma
religião, mas sim pelo povo reunido pela sua
autodeterminação. É nesta acepção política que emergem
os Estados-nação na Europa e nas Américas.
Durante o Século XIX, as organizações humanas discutiram
vários modelos de organização em todo o mundo e na
Europa se fortaleceram Estados que mais tarde seriam
consideradas as nações de origem de várias colônias pelo
mundo tais como França e Inglaterra. A Alemanha e a
Itália passaram por diversas reformas e conflitos
internos (Unificação Alemã e Risorgimento) que
resultariam em organizações políticas e territoriais com
poder centralizador e uma organização do Estado unido
pelo idioma e pela luta de mercados e unificações
monetárias.
Ao final do século XIX e começo do XX, houve a expansão
do Imperialismo que culminou com a Primeira Guerra
Mundial. Este momento foi de grande apreensão sobre o
que é o sentimento nacional, o Nacionalismo que levou a
morte tantas pessoas e vários intelectuais publicaram
estudos sobre o tema, tais como Lord Acton, Ernest Renan
e Otto Bauer. Os países vitoriosos da guerra tentaram
criar a Liga das Nações o que futuramente, após novo
massacre na Segunda Guerra Mundial, resultaria na
Organização das Nações Unidas, a principal organização
legitimadora dos Estados-Nacionais atualmente.
Movimentos pela autodeterminação versus terrorismo
Muitas vezes, o nacionalismo (como sentimento comum de
uma comunidade humana) entra em conflito com os estados
formados institucionalmente, o que leva a lutas
políticas, guerrilhas, terrorismo (consoante o ponto de
vista: por exemplo, vários países - não obstante a dura
repressão do governo indonésio - consideravam a
guerrilha timorense como terrorismo, o que em Portugal -
e agora que Timor-Leste se definiu como estado - não era
de forma alguma aceito, tendo em conta o apoio
institucional dado a este movimento de libertação
nacional). Isso verifica-se em várias comunidades, sendo
algumas delas os curdos e os bascos.
Uma manifestação diferente do nacionalismo é o
irredentismo, que é a aspiração de um povo a completar a
própria unidade territorial nacional, anexando terras
sujeitas ao domínio estrangeiro ("terras irredentas").
Ver também
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre:
Nação.Micronacionalismo
Nacionalidade
Referências
* DE PLÁCIDO E SILVA. "Vocabulário Jurídico". Rio de
Janeiro: Forense - Volume III 4.ed. 1975
BALAKRISHNAM, Gopal (org). Uma mapa da questão nacional.
Rio de Janeiro: Contraponto, 2000. ISBN 85-85910-36-4
ANDERSON, Benedict. Nação e consciência Nacional. São
Paulo: Ática, 1989;
ELIAS, Norbert. Os Alemães: a luta pelo poder e a
evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
GELLNER, Ernest. Nações e nacionalismo. Lisboa,
Portugal: Gradiva, 1993.
HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX:
1914/1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
HOBSBAWM, Eric J. Nações e nacionalismos desde 1870. Rio
de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
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