O nacionalismo é um sentimento de valorização marcado
pela aproximação e identificação com uma nação, mais
precisamente com o ponto de vista ideológico.
Costuma diferenciar-se do patriotismo devido à sua
definição mais estreita. O patriotismo é considerado
mais uma manifestação de amor aos símbolos do Estado,
como o Hino, a Bandeira, suas instituições ou
representantes. Já o nacionalismo apresenta uma
definição política mais abrangente Por exemplo: da
defesa dos interesses da nação antes de quaisquer outros
e, sobretudo da sua preservação enquanto entidade, nos
campos lingüístico, cultural, etc., contra processos de
destruição identitária ou transformação.
São vários os movimentos dentro do espectro
político-ideológico que se apropriam do nacionalismo,
ora como elemento programático, ora como forma de
propaganda. Durante o século XX, o nacionalismo permeou
movimentos radicais como o fascismo, o
nacional-socialismo e o integralismo no Brasil e em
Portugal, especialmente durante o Estado Novo
(Portugal).
O nacionalismo é uma antiga ideologia moderna: surgiu
numa Europa pré-moderna e pós-medieval, a partir da
superação da produção e consumo feudais pelo mercado
capitalista, com a submissão dos feudos aos estados
modernos (ainda absolutistas ou já liberais), com as
reformas religiosas protestantes e a contra-reforma
católica – fatos históricos estes que permitiram, ou até
mais, que produziram o surgimento de culturas
diferenciadas por toda a Europa, culturas que, antes,
eram conformadas, deformadas e formatadas pelo
cristianismo católico, com o apoio da nobreza feudal.
Surgiu como uma ideologia popular revolucionária, pois
foi contrária ao domínio imperialista político-cultural
do cristianismo católico que se apoiava nos nobres
feudais e ajudava a sustentar a superada, limitada e
limitante economia feudal, mas também como uma ideologia
burguesa, pois as massas camponesas e o pequeno
proletariado que também surgia passavam do domínio da
nobreza feudal para o da burguesia industrial – e a
ideologia dominante em uma sociedade é a ideologia das
classes dominantes.
Após a definitiva vitória político-cultural dos
burgueses sobre a nobreza feudal – a qual foi submetida
pela destruição ou pela absorção pela cultura e pela
política burguesa – foi parcial e progressivamente
deixado para trás, como uma ideologia que teria sido
importante, mas que já não seria mais do que uma
lembrança histórica.
O nacionalismo ressurge nas colônias européias do Novo
Mundo, nas “Américas”, de Sul a Norte, e principalmente
na América Latina, antes mesmo do surgimento da
ideologia comunista européia, como um renovado
nacionalismo, um “nacionalismo revolucionário” com algo
já de socializante; Simón Bolívar foi o líder maior
desse “nacionalismo revolucionário” latino-americano, e
este seu nome, apenas, já basta para avalizar essa
ideologia, a qual formou-se ao comando de homens tais
como Tupac Amaru, San Martín ou José Artigas.
Ressurge na Europa, pouco antes do surgimento da
ideologia comunista, como um outro nacionalismo, como um
“nacionalismo revolucionário” socializante, ou até mesmo
socialista, e antiimperialista, contrário ao
imperialismo europeu, o qual, além de explorar as
colônias americanas, asiáticas e africanas, explorava
ainda as nações européias mais pobres; Giuseppe Mazzini
foi o líder maior desse “nacionalismo revolucionário” na
Europa.
O “nacionalismo revolucionário” europeu, como uma
ideologia antiimperialista original, também influenciou
o pensamento dos latino-americanos que souberam aprender
dos europeus aquilo que fosse interessante e útil,
desenvolvendo, no Novo Mundo, uma prática e uma luta
anticolonialista, a qual se desenvolveu na ação e no
discurso de homens tais como “Tiradentes”, San Martín ou
Giuseppe Garibaldi.
O “nacionalismo revolucionário” latino-americano, numa
inversão do colonialismo cultural, influenciou mesmo a
luta antiimperialista na Europa: as colônias
latino-americanas muito ensinaram às nações pobres
européias, com a luta e o comando de Giuseppe Garibaldi,
e de sua mulher, Anita Garibaldi, revolucionários e
heróis tanto no Novo Mundo quanto no Velho Mundo –
continuando (e vencendo) a luta antes comandada por
Giuseppe Mazzini.
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