O termo Nazismo (do alemão: Nationalsozialismus) designa
a política da ditadura que governou a Alemanha de 1933 a
1945, o Terceiro Reich. O nazismo é freqüentemente
associado ao fascismo, embora os nazistas dissessem
praticar uma forma nacionalista e totalitária de
socialismo (oposta ao socialismo internacional e
totalitário). O nazismo também é anticapitalista e
antiliberal.
A generalidade da esquerda rejeita que o nazismo tenha
sido de fato socialista, apontando para a existência,
ainda antes da tomada do poder por Hitler, de uma
resistência comunista e socialista ao nazismo, para o
carácter internacionalista do socialismo, totalmente
oposto à teoria e prática nazista, e a manutenção, pelos
nazistas, de toda a estrutura capitalista da economia
alemã, limitada apenas pelas condicionantes de uma
economia de guerra e pela abordagem àquilo a que os
nazistas chamavam o "problema judeu". Porém esta questão
é controversa, com alguns autores a referirem-se ao
nazismo como uma forma de socialismo, apontando para a
designação do partido, para alguma da retórica nazista e
para a estatização da sociedade. Ludwig von Mises
argumenta, por exemplo: "O governo diz a estes supostos
empreendedores o que e como produzir, a quais preços e
de quem comprar, a quais preços e a quem vender ... A
autoridade, não os consumidores, direciona a produção
... todos os cidadãos não são nada mais que funcionários
públicos. Isto é socialismo com a aparência externa de
capitalismo."
O ditador Adolf Hitler chegou ao poder enquanto líder de
um partido político, o Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche
Arbeiterpartei, ou NSDAP). Os termos Nazi ou Nazista são
acrônimos do nome do partido (vem de National Sozialist).
A Alemanha deste período é também conhecida como
"Alemanha Nazista" ("Alemanha Nazi" PE) e os partidários
do nazismo eram (e são) chamados nazistas (nazis PE). O
nazismo foi proibido na Alemanha moderna, muito embora
pequenos grupos de simpatizantes, chamados neonazistas (neonazis
PE), continuem a existir na Alemanha e noutros países.
Alguns revisionistas históricos disseminam propaganda
que nega ou minimiza o Holocausto e outras acções dos
nazistas e tenta deitar uma luz positiva sobre as
políticas do regime nazista e os acontecimentos que
ocorreram sob ele.
Teoria ideológica
Selo com a estampa de Hitler
Selo que engrandece o trabalhador nazistaDe acordo com o
livro Mein Kampf ("Minha Luta"); Hitler desenvolveu as
suas teorias políticas pela observação cuidadosa das
políticas do Império Austro-Húngaro. Ele nasceu como
cidadão do Império e acreditava que a sua diversidade
étnica e lingüística o enfraquecera. Também via a
democracia como uma força desestabilizadora, porque
colocava o poder nas mãos das minorias étnicas, que
tinham incentivo para enfraquecer e desestabilizar mais
o Império.
O centro da ideologia nacional-socialista é o termo
raça. A teoria nazista diz que a raça ariana é uma
"raça-mestra", superior a todas as outras, e justifica
esta crença da seguinte maneira:
O nacional-socialismo diz que uma nação é a máxima
criação de uma raça. Conseqüentemente, as grandes nações
(literalmente, nações grandes) seriam a criação de
grandes raças. A teoria diz que as grandes nações
alcançam tal nível devido seu poderio militar e que
este, por sua vez, se origina em culturas racionais e
civilizadas, que, por sua vez ainda, são criadas por
raças com boa saúde natural e traços agressivos,
inteligentes e corajosos.
As nações mais fracas, para os nazistas, são aquelas
criadas por raças impuras, isto é, que não apresentassem
a quase totalidade de indivíduos de origem germânica.
De acordo com os nazistas, um erro óbvio deste tipo é
permitir ou encorajar múltiplas línguas dentro de uma
nação. Esta crença é o motivo pelo qual os nazistas
alemães estavam tão preocupados com a unificação dos
territórios dos povos de língua alemã.
Nações incapazes de defender as suas fronteiras, diziam,
seriam a criação de raças fracas ou escravas. Pensava-se
que as raças escravas eram menos dignas de existir do
que as raças-mestras. Em particular, se uma raça-mestra
necessitar de espaço para viver (Lebensraum), pensava-se
que ela tinha o direito de tomar o território e matar ou
escravizar as "raças escravas" indígenas.
Raças sem pátria eram, portanto, consideradas "raças
parasíticas". Quanto mais ricos fossem os membros da
"raça parasítica" mais virulento seria o parasitismo.
Uma raça-mestra podia, portanto, de acordo com a
doutrina nazista, endireitar-se facilmente pela
eliminação das "raças parasíticas" da sua pátria.
Foi esta a justificação teórica para a opressão e
eliminação dos judeus, ciganos, eslavos e homossexuais,
um dever que muitos nazis (curiosamente) consideravam
repugnante.
As religiões que reconhecessem e ensinassem estas
"verdades" eram as religiões "verdadeiras" ou "mestras"
porque criavam liderança por evitarem as "mentiras
reconfortantes". As que pregassem o amor e a tolerância,
"em contradição com os fatos", eram chamadas religiões
"escravas" ou "falsas".
Os homens que aceitassem estas "verdades" eram chamados
"líderes naturais"; os que as rejeitassem eram chamados
"escravos naturais". Dizia-se dos escravos,
especialmente dos inteligentes, que embaraçavam os
mestres pela promoção de falsas doutrinas religiosas e
políticas.
Se bem que a raça fosse limitada na visão de mundo dos
nazistas, não era tudo. As raízes ideológicas do nazismo
iam um pouco mais fundo do que isso, visto que os
nazistas procuraram legitimação em obras anteriores,
particularmente numa leitura, por muitos considerada no
mínimo discutível, da tradição romântica do século XIX,
e em especial do pensamento de Friedrich Nietzsche sobre
o desenvolvimento do homem em direcção ao Übermensch.
No seu livro de 1939, Alemanha:Jekyll & Hyde, Sebastian
Haffner chama ao Nazismo de "uma primeira (autónoma e
nova) forma de Niilismo radical, que nega
simultaneamente todos os valores, sejam eles valores
capitalistas e burgueses ou sejam eles proletários". É
bem verdade, que este ponto de vista, acaba por
desconsiderar o projecto de crescimento industrial e de
manutenção da ordem social estabelecida como se percebe
na Alemanha sob poder nazista, não necessariamente
burguesa (visto o repúdio aos judeus, grande parte da
burguesia na época).
Programa do NSDAP
O Programa do Partido Nacional Socialista Alemão dos
Trabalhadores (NSDAP) pode ser resumido em 25
pontos-chaves.
" Nós pedimos a constituição de uma Grande Alemanha, que
reúna todos os alemães, baseados no direito dos povos a
disporem de si mesmos.
Pedimos igualdade de direitos para o Povo Alemão em
relação às outras nações e a revogação do Tratado de
Versalhes e do Tratado de Saint Germain.
Pedimos terras e colônias para nutrir o nosso povo e
reabsorver a nossa população.
Só os cidadãos gozam de direitos cívicos. Para ser
cidadão, é necessário ser de sangue alemão. A confissão
religiosa pouco importa. Nenhum judeu, porém, pode ser
cidadão.
Os não cidadãos só podem viver na Alemanha como
hóspedes, e terão de submeter-se à legislação sobre os
estrangeiros.
O direito de fixar a orientação e as leis do Estado é
reservado unicamente aos cidadãos. Por isso pedimos que
todas as funções públicas, seja qual for a sua natureza,
não possam ser exercidas senão por cidadãos. Nós
combatemos a prática parlamentar, origem da corrupção,
de atribuição de lugares por relações de Partido sem
importar o caráter ou a capacidade.
Pedimos que o Estado se comprometa a proporcionar meios
de vida a todos os cidadãos. Se o país não puder
alimentar toda a população, os não cidadãos devem ser
expulsos do Reich.
É necessário impedir novas imigrações de não alemães.
Pedimos que todos os não alemães estabelecidos no Reich
depois de 2 de Agosto de 1914, sejam imediatamente
obrigados a deixar o Reich.
Todos os cidadãos têm os mesmos direitos e os mesmos
deveres.
O primeiro dever do cidadão é trabalhar, física ou
intelectualmente. A atividade do indivíduo não deve
prejudicar os interesses do coletivo, mas integrar-se
dentro desta e para bem de todos. É por isso que
pedimos:
A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam
uma vida fácil, a supressão da escravidão do juro.
Considerando os enormes sacrifícios de vidas e de
dinheiro que qualquer guerra exige do povo, o
enriquecimento pessoal com a guerra deve ser
estigmatizado como um crime contra o povo. Pedimos por
isso o confisco de todos os lucros de guerra, sem
exceção.
Pedimos a nacionalização de todas as empresas que
atualmente pertencem a trusts.
Pedimos uma participação nos lucros das grandes
empresas.
Pedimos um aumento substancial das pensões de reforma.
Pedimos a criação e proteção de uma classe média sã, a
entrega imediata das grandes lojas à administração
comunal e o seu aluguer aos pequenos comerciantes a
baixo preço. Deve ser dado prioridade aos pequenos
comerciantes e industriais nos fornecimentos ao Estado,
aos Länder ou aos municípios.
Pedimos uma reforma agrária adaptada às nossas
necessidades nacionais, a promulgação de uma lei que
permite a expropriação, sem indemnização, de terrenos
para fins de utilidade pública – a supressão de impostos
sobre os terrenos e a extinção da especulação fundiária.
Pedimos uma luta sem tréguas contra todos os que, pelas
suas atividades, prejudicam o interesse nacional.
Criminosos de direito comum, traficantes, agiotas, etc.,
devem ser punidos com a pena de morte, sem consideração
de credo religioso ou raça.
Pedimos que o Direito romano seja substituído por um
direito público alemão, pois o primeiro é servidor de
uma concepção materialista do mundo.
A extensão da nossa infra-estrutura escolar deve
permitir a todos os Alemães bem dotados e trabalhadores
o acesso a uma educação superior, e através dela os
lugares de direção. Os programas de todos os
estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às
necessidades da vida prática. O espírito nacional deve
ser incutido na escola a partir da idade da razão.
Pedimos que o Estado suporte os encargos da instituição
superior dos filhos excepcionalmente dotados de pais
pobres, qualquer que seja a sua profissão ou classe
social
O Estado deve preocupar-se por melhorar a saúde pública
mediante a proteção da mãe e dos filhos, a introdução de
meios idôneos para desenvolver as aptidões físicas pela
obrigação legal de praticar desporto e ginástica, e
mediante um apoio poderoso a todas as associações que
tenham por objetivo a educação física da juventude.
Pedimos a supressão do exército de mercenários e a
criação de um exército nacional.
Pedimos a luta pela lei contra a mentira política
consciente e a sua propagação por meio da Imprensa. Para
que se torne possível a criação de uma imprensa alemã,
pedimos que:
Todos os diretores e colaboradores de jornais em língua
alemã sejam cidadãos alemães.
A difusão dos jornais não alemães seja submetida a
autorização expressa. Estes jornais não podem ser
impressos em língua alemã.
Seja proibida por lei qualquer participação financeira
ou de qualquer influência de não alemães em jornais
alemães. Pedimos que qualquer infração estas medidas
seja sancionada com o encerramento das empresas de
impressão culpadas, bem como pela expulsão imediata para
fora do Reich os não alemães responsáveis. Os jornais
que forem contra o interesse público devem ser
proibidos. Pedimos que se combata peã lei um ensino
literário e artístico gerador da desagregação da nossa
vida nacional; e o encerramento das organizações que
contrariem as medidas anteriores.
Pedimos a liberdade no seio do Estado para todas as
confissões religiosas, na medida em que não ponham em
perigo a existência do Estado ou não ofendam o
sentimento moral da raça germânica. O Partido, como tal,
defende o ponto de vista de um Cristianismo construtivo,
sem todavia se ligar a uma confissão precisa. Combate o
espírito judaico-materialista no interior e no exterior
e está convencido de que a restauração duradoura do
nosso povo não pode conseguir-se senão partindo do
interior e com base no princípio: o interesse geral
sobrepõe-se ao interesse particular.
Para levar tudo isso a bom termo, pedimos a criação de
um poder central forte, a autoridade absoluta do
gabinete político sobre a totalidade do Reich e as suas
organizações, a criação de câmaras profissionais e de
organismos municipais encarregados da realização dos
diferentes Länder, de leis e bases promulgadas pelo
Reich.
Os dirigentes do Partido prometem envidar todos os seus
esforços para a realização dos pontos antes enumerados,
sacrificando, se for preciso, a sua própria vida.
Munique, 24 de Fevereiro de 1920".
Nazismo e romantismo
De acordo com Bertrand Russell, o nazismo provém de uma
tradição diferente quer do capitalismo liberal quer do
comunismo. E por isso, para entender os valores do
nazismo, é necessário explorar esta ligação, sem
trivializar o movimento tal como ele era no seu auge,
nos anos 30, e o descartar como pouco mais que racismo.
Muitos historiadores dizem que o elemento anti-semítico,
que também existe nos movimentos-irmãos do nazismo, os
fascismos de Itália e Espanha (mesmo que em formas e
medidas diferentes), foi adaptado por Hitler para obter
popularidade para o seu movimento. O preconceito
anti-semita era muito comum nas massas do Império
Alemão. Por isso, diz-se que a aceitação das massas
dependia do anti-semitismo e da exaltação do orgulho
alemão, ferido com a derrota na Primeira Guerra Mundial.
Mas há quem diga (por exemplo o filólogo Victor
Klemperer) que as origens e os valores do nazismo provém
da tradição irracionalista do movimento romântico do
início do século XIX.
Teoria econômica
A teoria econômica nazista preocupou-se com os assuntos
domésticos imediatos e, em separado, com as concepções
ideológicas da economia internacional.
A política econômica doméstica concentrou-se em três
objetivos principais:
eliminação do desemprego
eliminação da hiperinflação
expansão da produção de bens de consumo para melhorar o
nível de vida das classes média e baixa
Todos estes objetivos pretendiam contrariar aquilo que
era visto como os defeitos da República de Weimar e para
solidificar o apoio doméstico ao partido. Nisto, os
nazistas foram bastante bem sucedidos. Entre 1933 e 1936
o PIB alemão cresceu a uma taxa média anual de 9,5%, e a
taxa de crescimento da indústria foi de 17,2%. Muitos
economistas, no entanto, afirmam que a expansão da
economia alemã nesse período não foi resultado da ação
do partido nazista, mas sim uma consequência das
políticas econômicas dos últimos anos da República de
Weimar que começaram então a ter efeito.
Mas existem dúvidas se a economia realmente cresceu ou
se só se recuperou da depressão porque os salários na
Alemanha nazista de 1939 eram um pouco menores do que os
salários na Alemanha de 1929.
Além disso, também se tem feito notar que embora seja
crença algo generalizada que os nazistas puseram fim à
hiperinflação, na realidade isso precedeu os nazistas em
vários anos.
Esta expansão empurrou a economia alemã para fora de uma
profunda depressão e para o pleno emprego em menos de
quatro anos. O consumo público durante o mesmo período
aumentou 18,7%, enquanto que o consumo privado aumentou
3,6% anualmente. No entanto, e uma vez que a produção
era mais consumidora do que produtora (a elaboração de
projetos de trabalho, a expansão da máquina de guerra, a
iniciação do recrutamento para tirar homens em idade
produtiva do mercado de trabalho), as pressões
inflacionárias reapareceram, se bem que não chegassem
aos extremos da República de Weimar. Estas pressões
econômicas, combinadas com a máquina de guerra azeitada
durante a expansão (e as concomitantes pressões para o
seu uso), levou alguns comentadores à conclusão de que
bastavam essas razões para tornar uma guerra européia
inevitável. Dito de outra forma, sem uma nova guerra
européia, que suportasse esta política econômica
consumista e inflacionária, o programa econômico
doméstico nazista era insustentável. Isto não significa
que as considerações políticas não tivessem tido maior
peso no desencadear da Segunda Guerra Mundial. Significa
apenas que a economia foi e continua a ser um dos
principais fatores de motivação para que qualquer
sociedade vá para a guerra.
O partido nazista acreditava que uma cabala da banca
internacional tinha estado por trás da depressão global
dos anos 30. O controle desta cabala foi identificado
com o grupo étnico conhecido por judeus, o que forneceu
outra ligação à sua motivação ideológica para a
destruição desse grupo no holocausto. No entanto, e de
uma maneira geral, a existência de grandes organizações
internacionais da banca e de banca mercantil era bem
conhecida ao tempo. Muitas dessas instituições bancárias
eram capazes de exercer pressões sobre os estados-nações
através da extensão ou da retenção de créditos. Esta
influência não se limita aos pequenos estados que
precederam a criação do Império Alemão enquanto
estado-nação na década de 1870, mas surge nas histórias
de todas as potências européias desde 1500. Na
realidade, algumas corporações trans-nacionais do
período entre 1500 e 1800 (a Companhia Holandesa das
Índias Orientais é um bom exemplo) foram criadas
especificamente para entrar em guerras no lugar dos
governos e não o inverso.
Usando mais nomenclatura moderna, ainda que fazê-lo
possa ser algo discutível, é possível dizer que o
partido nazista estava contra o poder das corporações
trans-nacionais, que considerava excessivo em relação ao
dos estados-nação. Embora por motivos por vezes opostos,
esta posição anticorporativa é partilhada por muitas
forças políticas desde a esquerda e centro-esquerda, até
a extrema-direita.
É importante fazer notar que a concepção nazista da
economia internacional era muito limitada. A principal
motivação do partido era incorporar no Reich recursos
que anteriormente não faziam parte dele, pela força e
não através do comércio. Isto fez da teoria económica
internacional um fator de suporte da ideologia política
em vez de uma trave mestra da plataforma política, como
na maioria dos partidos políticos modernos.
Do ponto de vista econômico, o nazismo e o fascismo
estão relacionados. O nazismo pode ser encarado como um
subconjunto do fascismo - todos os nazistas são
fascistas mas nem todos os fascistas são nazistas. O
nazismo partilha muitas características econômicas com o
fascismo, com o controle governamental da finança e do
investimento (através da atribuição de créditos), da
indústria e da agricultura, ao mesmo tempo que o poder
corporativo e sistemas baseados no mercado para criar os
preços se mantinham. Citando Benito Mussolini: "O
fascismo devia ser chamado corporativismo, porque é uma
fusão do Estado e do poder corporativo."
Em vez de ser o estado a requerer bens das empresas
industriais e a colocar nelas as matérias-primas
necessárias à produção (como em sistemas
socialistas/comunistas), o estado pagava por esses bens.
Isto permitia que o preço desempenhasse um papel
essencial no fornecimento de informação sobre a escassez
dos materiais, ou nas principais necessidades em
tecnologia e mão-de-obra (incluindo a educação de
mão-de-obra qualificada) para a produção de bens. Além
disso, o papel que os sindicatos deviam desempenhar nas
relações de trabalho nas empresas era outro ponto de
contacto entre fascismo e nazismo. Tanto o partido
nazista alemão como o partido fascista italiano tiveram
inícios ligados ao sindicalismo, e encaravam o controle
estatal como forma de eliminar o conflito nas relações
laborais.
Efeitos
Na condição de Escravos do nazismo, Judeus e outros
perseguidos politicos ainda sobreviventes no campo de
concentração de Wobbelin foram libertados pelos
AliadosEstas teorias foram utilizadas para justificar
uma agenda política totalitária de ódio racial e de
supressão da dissidência com o uso de todos os meios do
estado.
Como outros regimes fascistas, o regime nazista punha
ênfase no anticomunismo e no princípio do líder (Führerprinzip).
Este é um princípio-chave na ideologia fascista, segundo
o qual se considera o líder como a corporização do
movimento e da nação. Ao contrário de outras ideologias
fascistas, o nazismo era virulentamente racista. Algumas
das manifestações do racismo nazista foram:
Anti-semitismo, que culminou no Holocausto;
Nacionalismo étnico, incluindo a noção dos alemães como
o Herrenvolk ("raça-mestra") e o Übermensch
("super-homem");
Uma crença na necessidade de purificar a "raça alemã"
através da eugenia, que culminou na eutanásia
não-voluntária de pessoas diminuídas.
O anticlericalismo faz parte da ideologia nazista, o que
é mais um ponto de divergência com outros fascismos.
Efeitos secundários
Talvez o efeito intelectual mais importante do nazismo
tenha sido o descrédito, durante pelo menos duas
gerações, das tentativas de utilizar a sociobiologia
para explicar ou influenciar assuntos sociais.
Pessoas e história
O nazista mais importante foi Adolf Hitler, que governou
a Alemanha Nazi entre 30 de Janeiro de 1933 até ao seu
suicídio a 30 de Abril de 1945, levou o Reich alemão à
Segunda Guerra Mundial. Com Hitler, o nacionalismo
étnico e o racismo juntaram-se numa ideologia
militarista.
Depois da guerra, muitos nazis de primeiro plano foram
condenados por crimes de guerra e contra a humanidade no
Julgamento de Nuremberg.
O símbolo nazista é a suástica orientada no sentido dos
ponteiros do relógio.
Nazismo e religião
Este artigo ou secção possui passagens que não respeitam
o princípio da imparcialidade.
Tenha algum cuidado ao ler as informações contidas nele.
Se puder, tente tornar o artigo mais imparcial.
Estado deplorável de Judeus e outros contrários ao
nazismo, no final da guerra. Campo de concentração de
BuchenwaldAs relações iniciais entre o nazismo e o
cristianismo podem ser descritas como complexas e
controversas. Nas igrejas protestantes a revolução
nazista foi no início acolhida com "benévola simpatia".
Tendo o nazismo procurado identificar-se com o
patriotismo alemão, algumas personalidades protestantes,
como o Dr. Martin Niemöller, votaram inicialmente a
favor dos nacionais socialistas. Desde o início, foi
diferente a atitude dos católicos, alarmados pelo
conteúdo racista dos livros "Minha Luta" de Adolf Hitler
e "O Mito do Século XX" de Alfred Rosenberg. Nesses
livros, os arianos surgem como os elementos superiores e
criadores da humanidade, defendendo-se a pureza racial
ariana como a primeira necessidade dos alemães.
Contrapunham os católicos que a destruição de barreiras
entre judeus e gentílicos pertence à própria essência do
Evangelho e que o racismo não tem cabimento na igreja
cristã. Quando Hitler aceitou uma Concordata com o
Vaticano, houve alguns católicos que ainda hesitaram. Os
três inimigos mortais da Alemanha, tal como os nazistas
afirmavam na sua propaganda interna, eram porém
claramente identificados: marxismo, judaísmo, e
cristianismo. A "incompatibilidade fundamental do
nacional-socialismo com a religião cristã era
manifesta", passando todos os cristãos, tanto
protestantes como católicos, ao ataque sistemático ao
nazismo.
Apesar disso, as relações do Partido Nazista com a
Igreja Católica tem sido apresentada por alguns
autores[carece de fontes?] como controversa. Argumentam
não saber se Hitler se considerava, ou não, cristão, e
que a hierarquia da Igreja, representada pelo Papa Pio
XI, se teria mantido basicamente silenciosa. A
existência de um Ministério de Assuntos da Igreja,
instituído em 1935 e liderado por Hanns Kerrl, teria
sido quase ignorada por ideólogos como Alfred Rosenberg
e por outros decisores políticos.
É claro que Hitler e os outros líderes nazistas
procuraram utilizar o simbolismo e a emoção cristã para
propaganda junto do público alemão, esmagadoramente
cristão. Enquanto que autores não-cristãos[carece de
fontes?] puseram ênfase na utilização externa da
doutrina cristã, sem dar importância ao que poderia ter
sido a mitologia interna do partido, os cristãos,
baseando-se nos livros dos chefes nazis, e nos folhetos
de propaganda que estes lançavam contra o cristianismo,
tipificaram Hitler como ateu ou ocultista — ou mesmo um
satanista.
Declarações públicas e oficiais produzidas por
autoridades católicas sobre o nazismo, existem pelo
menos desde o ano de 1930, bem antes da chegada de
Hitler ao poder, quando o Ordinário de Mogúncia, em nome
do seu bispo, declarou: "O que acabamos de dizer (sobre
o nazismo), responde às três perguntas que nos foram
postas: a) Pode um católico ser membro do partido
hitleriano? b) Está um sacerdote católico autorizado a
consentir que os adeptos desse partido tomem parte em
cerimónias eclesiásticas, incluindo funerais? c) Pode um
católico fiel aos princípios do partido ser abrangido
pelos sacramentos? Devemos responder "Não" a tais
perguntas"
O Papa Pio XI sabia do que se passava na Alemanha e
escreveu vários documentos condenando o nazismo, com
destaque para a encíclica de condenação do Nazismo - Mit
brennender sorge ("Com viva preocupação"). Muitos padres
e líderes católicos opuseram-se com todo o vigor ao
nazismo, dizendo que ele era incompatível com a moral e
a fé cristã. Tal como aconteceu com muitos opositores
políticos, muitos destes padres foram condenados aos
campos de concentração pela sua oposição. O próprio Dr.
Martin Niemöller, que a princípio lhes dera apoio, foi
enviado para Dachau.
O ano de 1938 ficou assinalado pela anexação da Áustria,
imediatamente seguida pelo assalto aos bens e à
influência da Igreja; os cardeais Innitzer e Faulhaber,
bem como o arcebispo Grober e o bispo Sproll foram
vítimas de violências organizadas pelas "kochende
Volksseele".
No mesmo ano de 1938, o neo-paganismo romântico gerado
pela acção dos responsáveis e órgãos nazis, vai entrar
abertamente em ruptura com as igrejas cristãs,
protestantes e católica.
Nazismo e Paganismo
Foi por intermédio do nazismo que se deu no século XX a
mais importante manifestação do paganismo.
Uma denuncia da componente pagã do nazismo surgiu nos
Estados Unidos da América, em 1934, logo após a vitória
eleitoral e a subida ao poder de Adolf Hitler, como o
livro "Nazismo: um assalto à civilização". Nesse livro
se chamava a atenção para algo que se considerava
inquietante: no dia 30 de Julho de 1933 mais de cem mil
nazistas tinham-se reunido em Eisenach para declarar
querer tornar "a origem germânica a realidade divina",
restaurando Odin, Baldur, Freia, e os outros deuses
teutónicos nos altares da Alemanha - Wotan deveria estar
no lugar de Deus, Siegfried no lugar de Cristo.
Durante o ano de 1936, os lideres nazis começam a
abandonar a "cristandade alemã" ou o que também se
designava por "cristianismo positivo". É então que
Goebbels apresenta o Nazismo como se fosse uma religião
a ser respeitada - havia uma nova fé alemã a defender.
Enquanto von Schirach tentava imbuir na Juventude
Hitleriana a admiração pelas antigas tribos pagãs, o
Movimento da Fé Germânica (Deutsche Glaubensbewegung,
DGB) fazia o grosso da propaganda. O DGB tinha como
profeta Jakob Wilhelm Hauer (1881-1962), professor de
Teologia em Tübingen, que pregava a ideia de uma fé
ariana dos alemães. No livro Deutsche Gottschau, Hauer
defendia que a história da Alemanha era mais do que mera
sequência de factos, havendo na sua base uma Divindade
que encarnava o espírito da raça ariana.
A Páscoa de 1936 já foi preparada na Alemanha como se um
grande festival pagão se tratasse. As livrarias
encheram-se de literatura pagã, e a bandeira azul com o
disco solar dourado do “Movimento da Fé Germânica” (DGB)
chegou às mais recônditas zonas rurais. Uma grande
manifestação foi organizada em Burg Hunxe, na Renânia .
Em 1937, o Papa Pio XI publica uma Carta Encíclica de
condenação do Nazismo - Mit brennender sorge ("Com viva
preocupação"), onde diz: Damos graças, veneráveis
irmãos, a vós, aos vossos sacerdotes e a todos os fieis
que, defendendo os direitos da Divina Majestade contra
um provocador neopaganismo, apoiado, desgraçadamente com
frequência, por personalidades influentes, haveis
cumprido e cumpris o vosso dever de cristãos.
No Congresso de Nuremberg, em 1937, revivia entre os
nazistas o paganismo ancestral do povo ariano, surgindo
um místico laicismo como um dos tópicos centrais em
discussão: para que a Alemanha voltasse à sua antiga fé,
não bastava a separação da Igreja e do Estado; as
Igrejas cristãs teriam que ser destruídas, e o Estado
transformado numa nova Igreja; impunha-se uma nova
religião Nacional
O ano de 1938 veio a revelar-se como um dos pontos altos
de manifestação dessa nova religião pagã. No festival
nórdico do Solestício de Verão, Julius Streicher,
director do Strümer e amigo pessoal de Hitler, perante
uma enorme multidão de alemães reunidos em Hesselberg
(montanha a qual o Fuhrer declarou sagrada), ao lado de
uma grande fogueira simbólica, disse: "Se olharmos para
as chamas deste fogo sagrado e nelas lançarmos os nossos
pecados, poderemos baixar desta montanha com as nossas
almas limpas. Não precisamos nem de padres nem de
pastores".
Este neo-paganismo romântico, gerado pela ação dos
responsáveis e órgãos nazistas, com destaque para, além
de Goebbels, Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich,
entrava então já em clara ruptura com as igrejas
cristãs, protestantes e católica. Em 1938, depois das
perseguições aos judeus que vinham desde a subida ao
poder de Hitler, a perseguição aos cristãos passava
então também a ser sistemática.
Mais tarde, ao estudar o fenómeno totalitário, o
filósofo Herbert Marcuse identifica na ideologia do
nazismo várias camadas sobrepostas, considerando
precisamente o paganismo, a par do misticismo, racismo e
biologismo, uma das componentes essenciais da sua
"camada mitológica". A perspectiva de Marcuse foi
partilhada pela "Escola de Frankfurt", especialmente por
Max Horkheimer e Erich Fromm. Segundo Paul Tillich, no
paganismo do nazismo estava o elemento essencial que
explicava o seu antisemitismo, no enfoque colocado nos
"laços de sangue arianos". Para Emmanuel Levinas, o
Nazismo apresentava uma forma de religiosidade pagã que
se opunha a toda uma civilização monoteísta
Vítimas religiosas
Corpos de prisioneiros dos nazistas encontrados pelas
tropas americanas em Weimar, AlemanhaChama-se a atenção
também para o facto de as Testemunhas de Jeová terem
sido vítimas por opção. "A guerra nazista contra os
judeus visava à sua aniquilação e os deixou com poucas
opções para escapar", explicou o Dr. Abraham J. Peck,
Diretor Executivo do Museu do Holocausto de Houston,
Texas, EUA. "A perseguição nazista contra as Testemunhas
de Jeová visava a erradicação da religião. Por
conseguinte, as Testemunhas de Jeová recebiam dos
nazistas a oferta de liberdade, caso renunciassem à sua
fé. A maioria das Testemunhas preferiu sofrer e
enfrentar a morte junto com as outras vítimas do nazismo
a apoiar a ideologia nazista de ódio e violência."
Como judeu polonês, o Dr. Ben Abraham, agora
Vice-presidente da Associação Mundial dos Sobreviventes
do Nazismo, passou cinco anos e meio em campos de
concentração onde conheceu pessoalmente várias
Testemunhas de Jeová. Ele disse: "A diferença entre as
Testemunhas e todos os outros prisioneiros é que, se
renunciassem à sua fé e se comprometessem a denunciar os
outros que praticavam a mesma crença, seriam soltas na
hora. Mas preferiam permanecer presas a renunciar à fé."
Nazismo e fascismo
O termo "nazismo" é freqüentemente (mas incorretamente)
usado como sinônimo de "fascismo". Ao passo que o
nazismo incorporou elementos estilísticos do fascismo,
as semelhanças principais entre os dois foram a
ditadura, o irredentismo territorial e a teoria
econômica básica. Por exemplo, Benito Mussolini, o
fundador do fascismo, não adaptou o anti-semitismo até
se ter aliado a Hitler, enquanto que o nazismo foi
explicitamente racista desde o início. O ditador
espanhol Francisco Franco, freqüentemente chamado
fascista, poderá talvez ser descrito como um monárquico
católico reacionário que adotou pouco do fascismo para
além do estilo.
Para o fim do século XX, surgiram movimentos neonazistas
em vários países, incluindo os Estados Unidos da América
e várias nações européias. O neonazismo inclui qualquer
grupo ou organização que exibe uma ligação ideológica
com o nazismo. É freqüentemente associado à subcultura
juvenil skinhead, apesar de nem todos membros desta
cultura estarem ligados à ideologia nazista. Alguns
partidos políticos da orla do espectro como, nos EUA, o
Partido Verde Nacional Socialista Libertário (LNSGP, ou
Libertarian National Socialist Green Party), adotaram
idéias nazistas.
Que fatores levaram ao sucesso do nacional-socialismo?
Uma questão importante sobre o nacional-socialismo tem a
ver com os fatores que promoveram a sua ascensão, não só
na Alemanha mas também noutros países europeus e do
continente americano (podiam encontrar-se movimentos
nacionais-socialistas na Suécia, Grã-Bretanha, Itália,
Espanha, Checoslováquia, EUA, Argentina e Chile nos anos
20 e 30).
Estes fatores podem ter tido a ver com:
A devastação económica em toda a Europa depois da
Primeira Guerra Mundial
A falta de orientação em muitas pessoas depois da queda
da monarquia em muitos países europeus
A fama de envolvimento judaico em aproveitamentos
ilegítimos com a Primeira Guerra Mundial
A rejeição do comunismo
A influência das comunidades de língua alemã
As dificuldades das classes trabalhadores e a crise
econômica
O termo "nazista" na cultura popular
As múltiplas atrocidades e ideologia extremista que os
nazistas seguiram tornaram-nos tão dignos de nota na
linguagem popular como na história. O termo "nazista"
ou, no português europeu, "nazi", é usado de diversas
formas. É frequentemente utilizado para descrever grupos
de pessoas que tentam impor soluções impopulares ou
extremistas à população em geral, ou então que cometem
crimes e outros tipos de violações sobre terceiros sem
mostrar remorso. Israel é um alvo comum e extremamente
controverso do termo "nazista", quando aplicado ao modo
que eles, os judeus, tratam os palestinianos e as suas
políticas racialistas.
Alguns dos usos do termo que se vêem na cultura popular
são extremamente ofensivos. Frases como "nazista do
software livre" ou "feminazi" são dois exemplos de usos
particularmente objetáveis. Mesmo muitos dos que mais
fortemente se opõem ao movimento do Software Livre não
gostam do que encaram como a trivialização dos nazistas.
O termo, usado tão frequentemente que inspirou a "lei de
Godwin" que diz que "com o prolongamento de uma
discussão online, a probabilidade de surgir uma
comparação envolvendo os nazistas ou Hitler aproxima-se
de um". Talvez esteja a acontecer o mesmo que com outras
palavras ofensivas e a comunidade esteja a reclamar o
termo.
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