Obesidade, nediez ou pimelose
(tecnicamente, do grego pimelē = gordura e ose = processo mórbido) é
uma doença na qual a reserva natural de gordura aumenta até o ponto
em que passa a estar associada a certos problemas de saúde ou ao
aumento da taxa de mortalidade.
Apesar de se tratar de uma condição clínica individual, é vista,
cada vez mais, como um sério e crescente problema de saúde pública:
o excesso de peso predispõe o organismo a uma série de doenças, em
particular doença cardiovascular, diabetes mellitus tipo 2, apnéia
do sono e osteoartrite.
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Classificação
A obesidade pode ser definida em termos absolutos e
relativos. Na prática, a obesidade é avaliada em termos
absolutos pelo IMC (índice de massa corporal) e também pela
sua distribuição na circunferência da cintura ou pela razão
entre as circunferências da cintura e do quadril. Além
disso, a presença de obesidade deve ser avaliada enquanto
fator de risco cardiovascular e outras condições médicas que
podem aumentar o risco de complicações.
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IMC de 40.0 ou mais é
gravemente (ou morbidamente) 'obeso(a)' |
IMC, ou índice de massa corporal, é um método simples e amplamente
difundido de se medir a gordura corporal. A medida foi desenvolvida
na Bélgica pelo estatístico e antropometrista, Adolphe Quételet. É
calculado dividindo o peso do indivíduo em quilos pelo quadrado de
sua altura em metros.
Equação: IMC = kg / m2
Onde kg é o peso do indivíduo em quilogramas e m é sua altura em
metros.
As atuais definições estabelecem a seguinte convenção de valores,
acordada em 1997 e publicada em 2000:
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IMC menor que 18.5 é abaixo do peso
IMC entre 18.5 e 24.9 é normal
IMC entre 25.0 e 29.9 é acima do peso
IMC entre 30.0 e 39.9 é obeso/a
IMC de 40.0 ou mais é gravemente (ou morbidamente) 'obeso(a)'
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Em analíses clínicas, médicos levam em consideração raça, etnicidade,
massa muscular, idade, Patologia e outros fatores que podem influenciar a
interpretação do índice. O IMC superestima a gordura corporal em
indivíduos muito musculosos e pode subestimá-la naqueles que tiveram
perda de massa corporal (ex. idosos). Para crianças e adolescentes,
também se utiliza o IMC, observando-se os percentuais para idade e
Patologia, como critério de adiposidade. Há uma grande variedade de
critérios para definir sobrepeso e obesidade na infância, o que
dificulta as comparações entre os estudos de prevalência . O
critério mais utilizado atualmente é aquele sugerido em 2000 pelo
Center for Disease Control (CDC)3 quando, revisando suas tabelas de
crescimento que datam de 1977, incluiu as tabelas de IMC para
indivíduos de 2 a 19 anos de idade, e recomendou a utilização dos
termos risco de sobrepeso para aqueles com IMC para idade e Patologia
em percentuais > 85 e o termo sobrepeso para aqueles com IMC para
idade e Patologia em percentuais > 95. Na prática clinica, tais termos
foram substituídos por sobrepeso e obesidade, respectivamente.
Procura-se encontrar um índice de pontos de corte de IMC que possa
mostrar continuidade desde a infância à idade adulta, com o objetivo
de correlacionar a obesidade e comorbidades nestas diferentes faixas
etárias. Nesse sentido, o estudo realizado por Cole et al (2000)4,
em seis países (Inglaterra, Brasil, Hong Kong, Cingapura, Holanda e
EUA), tem sido aceito e recomendado pelo IOTF para estudos
epidemiológicos populacionais. Os autores desenvolveram pontos de
corte para sobrepeso e obesidade, a partir da correlação entre os
percentuais de IMC > 85 e > 95 para idade e Patologia na faixa etária
pediátrica que, aos 18 anos, correspondem aos pontos de corte para
sobrepeso (> 25 kg/m²) e obesidade (> 30 kg/m²) na faixa etária
adulta.
Circunferência da cintura
O IMC não distingue entre diferentes tipos de adiposidade, alguns
dos quais podem estar mais associados a doença cardiovascular.
Estudos mais recentes dos diferentes tipos de tecido adiposo têm
demonstrado, por exemplo, que a obesidade central (em forma de maçã,
tipicamente masculina) tem uma correlação muito superior à doença
cardiovascular que o IMC por si só.
A circunferência absoluta (>102 cm para homens e >88 cm para
mulheres) e o índice cintura-quadril (>0.9 para homens e >0.85 para
mulheres) são, ambos, utilizados como medidas da obesidade central.
Medição de gordura corpórea
Uma maneira alternativa de determinar obesidade é medindo a
porcentagem de gordura corpórea. Médicos e cientistas, em geral,
concordam que homens com mais de 25% de gordura e mulheres com mais
de 30% de gordura são obesos. Porém, é difícil medir a gordura
corporal com precisão. O método mais aceito é a pesagem do indivíduo
debaixo d'água, mas só é possível em laboratórios especializados que
dispõem do equipamento. Os dois métodos mais simples são o teste da
dobra, no qual a pele do abdómen é pinçada e medida para determinar
a grossura da camada de gordura subcutânea; e o teste de impedância
bioelétrica, que só pode ser realizado em clínicas especializadas e
não deve ser feito com freqüência. Outras formas de medir a gordura
corporal incluem a tomografia computadorizada e a ressonância
magnética.
Fatores de risco e co-morbidades
A presença de fatores de risco e outras doenças também é utilizada
no diagnóstico da obesidade. Arteriosclerose coronariana, diabetes
mellitus tipo 2 e apnéia do sono representam ameaças à vida do
paciente que indicariam a urgência de tratamento clínico da
obesidade.
Impacto na saúde
Um grande número de condições médicas e psicológicas estão
associadas à obesidade. São categorizadas como sendo originadas por
aumento da massa de gordura (osteoartrite, apnéia do sono obstrutiva
e estigma social) ou pelo aumento no número de células adiposas
(diabetes, câncer, doença cardiovascular e hepatite).
Enquanto a obesidade tem diversas implicações para a saúde, o
sobrepeso não está associado a um aumento na taxa de mortalidade ou
morbidade.
Causas e mecanismos
Ver também: Controle da ingestão de alimentos pelo sistema nervoso
central.
Estilo de vida
Pesquisadores já concluíram que o aumento da incidência de obesidade
em sociedades ocidentais nos últimos 25 anos do século XX teve como
principais causas o consumo excessivo de nutrientes combinado com
crescente sedentarismo.
Embora informações sobre o conteúdo nutricional dos alimentos esteja
bastante disponível nas embalagens dos alimentos, na internet, em
consultórios médicos e em escolas, é evidente que o consumo
excessivo de alimentos continua sendo um problema. Devido a diversos
fatores sociológicos, o consumo médio de calorias quase quadruplicou
entre 1977 e 1995.
Porém, a dieta, por si só, não explica o significativo aumento nas
taxas de obesidade em boa parte do mundo industrializado nos anos
recentes. Um estilo de vida cada vez mais sedentário teve um papel
importante. Outros fatores que podem ter contribuído para esse
aumento -- ainda que sua ligação direta com a obesidade não seja tão
bem estabelecida -- o estresse da vida moderna e sono insuficiente.
Genética
Como tantas condições médicas, o desequilíbrio metabólico que
resulta em obesidade é fruto da combinação, tanto de fatores
ambientais quanto genéticos. Polimorfismos em diversos genes que
controlam apetite e metabolismo predispõem à obesidade, mas a
condição requer a disponibilidade de calorias em quantidade
suficiente, e talvez outros fatores, para se desenvolver plenamente.
Diversas condições genéticas que têm a obesidade como sintoma já
foram identificadas (tais como Síndrome de Prader-Willi, Síndrome de
Bardet-Biedl, síndrome de MOMO e mutações dos receptores de leptina
e melanocortina), mas mutações genéticas só foram identificadas em
cerca de 5% das pessoas obesas. Embora se acredite que grande parte
dos genes causadores estejam por ser identificados, é provável que
boa parte da obesidade resulte da interação entre diversos genes e
que fatores não-genéticos também sejam importantes.
Doenças
Determinadas doenças físicas e mentais e algumas substâncias
farmacêuticas podem predispor à obesidade. Além da cura dessas
situações poder diminuir a obesidade, a presença de sobrepeso pode
agravar a gestão de outras. Males físicos que aumentam o risco de
desenvolvimento de obesidade incluem diversas síndromes congênitas
(acima mencionadas), hipotiroidismo, Síndrome de Cushing e
deficiência do hormônio do crescimento.
Certas enfermidades psicológicas também podem aumentar o risco de
desenvolvimento de obesidade, especificamente disfunções alimentares
como bulimia nervosa.
Tratamento
O principal tratamento para a obesidade é a redução da gordura
corporal por meio de adequação da dieta e aumento do exercício
físico. Programas de dieta e exercício produzem perda media de
aproximadamente 8% da massa total (excluindo os que não concluem os
programas). Nem todos ficam satisfeitos com esses resultados, mas
até a perda de 5% da massa pode contribuir significativamente para a
saúde.
Mais difícil do que perder peso, é manter o peso reduzido. Entre
oitenta e cinco e noventa e cinco por cento, daqueles que perdem 10%
ou mais de sua massa corporal, recuperam todo o peso perdido em dois
a cinco anos. O corpo tem sistemas que mantêm sua homeostase em
certos pontos fixos, incluindo peso.
Existem cinco recomendações para o tratamento clínico da obesidade:
Pessoas com IMC acima de 30 devem ser iniciadas num programa de
dieta de redução calórica, exercício e outras intervenções
comportamentais e estabelecer objetivos realístas de perda de peso.
Se os objetivos não forem alcançados, terapia farmacêutica pode ser
oferecida. O paciente deve ser informado da possibilidade de efeitos
colaterais e da inexistência de dados sobre a segurança e eficácia
de tais medicamentos no longo prazo.
Terapia farmacêutica pode incluir sibutramina, orlistat, fentermina,
dietilpropiona, fluoxetina e bupropiona. Para casos mais severos de
obesidade, medicamentos mais fortes como anfetaminas e
metanfetaminas podem ser usadas seletivamente(somente após consulta
prévia ao seu medico responsável)
Pacientes com IMC acima de 40 que não alcançam seus objetivos de
perda de peso (com ou sem medicamentos) e que desenvolvem outras
condições derivadas da obesidade, podem receber indicação para
realizarem cirurgia bariátrica. O paciente deve ser informado dos
riscos e potenciais complicações.
Nesses casos, a cirurgia deve ser realizada em centros que realizam
grande número desses procedimentos já que as evidências indicam que
pacientes de cirurgiões que os realizam com freqüência tendem a ter
menos complicações no pós-cirúrgico.
Epidemiologia
A obesidade caracteriza-se também como um problema de natureza
estética e psicológica, além de ser um grande risco para a saúde.
Segundo um estudo realizado pela OMS, cerca de 300 milhões de
pessoas atualmente são obesas. Nauru, ilha no Pacífico apresenta os
maiores problemas de obesidade (80% de sua população sofre de
obesidade, sendo que o país onde há mais subnutrição é a Somália,
onde 75,02% da população passa fome). Países como Barbados, EUA,
Brasil também sofrem de sérios problemas com uma população acima do
peso. Nos últimos vinte anos, a América Latina tem atravessado
transição epidemiológica, demográfica e nutricional, refletindo em
mudanças relacionadas à nutrição. Nessa população, tais alterações
estão bem caracterizadas pelos levantamentos que demonstram a
passagem da maior ocorrência de desnutrição para a maior ocorrência
de obesidade Dá-se a esse fenômeno a denominação de Transição
Nutricional 5.