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Elefantes são 'engenheiros' que ajudam a biodiversidade
cientistas americanos afirma que áreas destruídas por
elefantes abrigam mais espécies de anfíbios e répteis do
que aquelas que ficam intocadas, o que faz dos
paquidermes verdadeiros "engenheiros ecológicos". Os
pesquisadores encontraram 18 espécies de animais em
locais altamente danificados pelos elefantes, enquanto
as áreas intactas tinham apenas oito. As descobertas
foram publicadas na revista African Journal of Ecology.

"Elefantes, junto de algumas outras espécies, são
considerados engenheiros ecológicos porque as suas
atividades modificam o habitat de uma maneira que afeta
muitas outras espécies", explica Bruce Schulte, da
Universidade Western Kentucky (EUA). "Eles fazem de
tudo, desde cavar com suas patas dianteiras, puxar grama
e derrubar grandes árvores. Assim, realmente mudam a
paisagem."
O cientista afirma que o sistema digestivo dos
elefantes, por não processar muito bem todas as sementes
que eles comem, também ajuda na modificação do habitat.
"Como as fezes são também um ótimo fertilizante, os
elefantes são capazes de rejuvenescer a paisagem ao
transportar sementes para diferentes lugares".
A equipe da Universidade Georgia Southern (EUA) realizou
o estudo entre agosto de 2007 e fevereiro de 2008 no
rancho Ndarakwai, uma área de 4,3 mil hectares no
nordeste da Tanzânia. Os cientistas identificaram áreas
com grandes, médios e baixos danos causados por
elefantes criados livremente, em comparação com uma área
de 250 hectares que foi isolada de grandes herbívoros,
como elefantes, girafas e zebras. Ao buscar amostras de
espécies, os pesquisadores encontraram "uma tendência de
maior riqueza em áreas com danos causados por elefantes
do que na vegetação florestal."
Melhores amigos dos sapos
No artigo, os cientistas concluem que a diferença na
riqueza animal nas áreas danificadas era provavelmente
resultado da "engenharia" dos elefantes, gerando novos
habitats para uma diversidade de espécies de sapos. "As
crateras e destroços de madeira formados por árvores
quebradas e arrancadas pela raiz (aumentaram) o número
de refúgios contra predadores", diz o estudo.
Os cientistas afirmam ainda que os locais também
favoreceram insetos, que se tornaram uma importante
fonte de comida para anfíbios e répteis. Schulte afirma
que a descoberta traz implicações para estratégias de
manutenção do habitat e da vida selvagem. "Se estamos
administrando o habitat, então claramente temos que
saber para que o estamos administrando", diz. "O que
este estudo aponta é que, embora algumas coisas não
pareçam particularmente boas para o olho humano, isto
não significa necessariamente que isto é prejudicial
para toda a vida que está ali."
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