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Descoberta de mais 1.200 novas espécies na Amazônia em
10 anos
O homem ainda desconhece grande parte da riqueza do
ecossistema da Amazônia, tal como aponta um estudo da
organização World Wildlife Fund (WWF) publicado nesta
segunda-feira, que revela que nos últimos dez anos foram
descobertas 1.200 novas espécies, uma a cada três dias.
"Mais uma vez se mostra a extraordinária exuberância em
biodiversidade de uma região fundamental para o
planeta".

"Os números são contundentes e significa que ainda hoje
continuamos descobrindo novas espécies", disse Ruiz,
quem enfatizou a importância de cuidar da Amazônia antes
de a ação do homem impedir que novas espécies sejam
descobertas. Os governos, as ONGs, os cientistas e a
sociedade civil "têm de redobrar esforços" para
conservar a Amazônia, "já que algumas dessas plantas
poderiam ter aplicação farmacológica" e "estamos pondo
em perigo espécies", advertiu.
No total, no relatório 'Amazônia Viva!: Uma década de
descobertas 1999-2009' se incluem 637 plantas, 257
peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 aves e 39
mamíferos, até agora não detectadas, embora algumas
possam ter origens pré-históricas.
'Formiga marciana'
Entre elas está a Martialis heureka, apelidada de
'formiga marciana', por sua combinação de
características jamais registradas. Trata-se de um
surpreendente exemplar depredador e cego, de dois a três
milímetros de comprimento, cor branca, sem olhos, mas
com grandes mandíbulas.
Descoberta no Brasil em 2008, a espécie pertence ao
primeiro gênero novo de formigas vivas descoberto desde
1923. Segundo seu descobridor, o cientista Christian
Rabeling, a 'formiga marciana' poderia descender de uma
das primeiras formigas que evoluiu na Terra, há mais de
120 milhões de anos.

A interação entre homem e meio ambiente levou os
moradores do município de Rio Pardo (Rio Grande do Sul)
a descobrirem, por acaso, o peixe Phreatobius
dracunculus quando perfuravam um poço e encontraram
vários espécimes nos baldes em que extraíam água. Desde
então, esta espécie que vive principalmente em águas
subterrâneas foi visto em outros poços, a maioria deles
em Rondônia.
Por seu colorido, destaca-se entre as espécies
recém-descobertas o papagaio-de-cabeça-laranja (Pyrilia
aurantiocephala), achado em localidades dos rios Madeira
e Tapajós, que foi registrado como "quase ameaçado"
porque sua população, que já é pequena, está diminuindo
com a destruição de seu habitat. Entre as novidades está
também a Telmatobius sibiricus, uma rã camaleônica.
Bioma ameaçado
Como bioma, a Amazônia abrange 6,7 milhões de
quilômetros quadrados, o que representa 45% da
superfície continental da América do Sul e mais de 1,5
vezes a Europa, explica Ruiz. No entanto, a maior parte
da região continua sem ser explorada.
A WWF adverte que, nos últimos 50 anos, o homem provocou
a destruição de 17% da área de floresta tropical na
Amazônia, um espaço maior que a Venezuela ou duas vezes
o tamanho da Espanha. A organização aponta o rápido
crescimento da demanda de carne, soja e biocombustível
como uma das principais causas desta transformação, já
que "80% das áreas desmatadas são ocupadas por pastos
para gado".
Dado o nível de desenvolvimento de alguns países, a WWF
destaca a necessidade de avançar na definição de áreas
protegidas, além de parques naturais e reservas, que
permitam a conservação do meio ambiente. "Reconheçamos a
extraordinária riqueza que está em nossas mãos e que
está em risco, caso não aumentemos nossos esforços para
sua conservação", conclui a ONG.
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