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Gatos bebem leite sem se lambuzar, só agora ciência
descobre
Um novo estudo, feito por pesquisadores do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos,
diz ter encontrado a resposta para um mistério que
envolve o modo como gatos bebem leite sem molhar o
queixo. Ao examinar um gato doméstico com as câmeras de
alta velocidade, os cientistas constataram que o animal
usa a língua para carregar a água para a boca sem romper
a tensão na superfície do líquido.

O estudo, publicado na revista Science, explica como os
gatos se diferenciam dos cachorros, que fazem mais
bangunça na hora de matar a sede. O biofísico do MIT
Roman Stocker, que coordenou o estudo, diz que teve a
ideia de investigar a física das lambidas desses animais
após assistir ao seu próprio gato Cutta Cutta se
alimentando. "Me dei conta de que há um problema
biomecânico interessante por trás dessa ação tão
simples. O projeto evoluiu a partir daí", declarou.
Cutta Cutta foi também a cobaia do estudo, que envolveu
engenheiros, físicos e matemáticos do Instituto
Politécnico da Virgínia e da Universidade de Princeton,
e durou três anos e meio. As imagens mostram que gatos
usam um mecanismo mais complexo e sutil para beber, ao
contrário de humanos, que sugam o líquido, e de
cachorros, que dobram a língua para a frente formando
uma espécie de concha. A língua do gato se dobra para
trás ao descer em direção ao liquido e toca levemente na
superfície dele, ao invés de mergulhar. Stocker explica
que "o fluido entra em contato com a língua e adere a
ela. Ao puxar a língua rapidamente de volta, o gato cria
uma coluna de líquido que vai até a boca". Ao fechar a
mandíbula, o animal captura parte do leite, e repete o
movimento.
Língua-robô
Para compreender o mecanismo com mais detalhes, os
pesquisadores criaram uma língua de gato mecânica, e
concluíram que o processo é o resultado do equilíbrio
entre duas forças - a inércia e a gravidade. Segundo
Roman Stocker, a criação da coluna de líquido é regida
pela inércia - a tendência de uma substância de se
movimentar em uma direção até que outra força
intervenha. A outra força em questão é a gravidade. "No
início, a coluna de leite tem mais comprimento e volume,
mas em algum momento a gravidade se sobrepõe à inércia e
ela cai de volta na tigela", explica.
Por isso, de acordo com o estudo, o gato precisa saber
qual é o exato momento de fechar a boca, para conseguir
capturar o máximo de leite que sobre na coluna. Gatos
domésticos dão, em média, quatro lambidas por segundo,
cada uma trazendo cerca de 0,1 mililitros de leite para
a boca. Grandes felinos como os tigres, lambem mais
devagar para manter o equilíbrio entre as duas forças,
já que tem línguas maiores.
Stocker e seu time não sabem explicar por que o ato de
beber para os gatos envolve um mecanismo tão diferente
de outros animais, mas a suspeita é de que ele pode ter
nascido da conhecida aversão dos felinos à água. Eles
acreditam que a cara do animal, especialmente a região
ao redor do nariz, é extremamente sensível. "Por causa
isso, eles devem querer que ela fique o mais seca
possível", diz Stocker.
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