Órfãos
gorilas ganham refúgio em
plena selva do Congo
Uma fundação com sede nos
Estados Unidos criou, em
plena floresta da República
Democrática do Congo, um
refúgio para gorilas órfãos,
onde os animais podem ser
tratados e preparados para
voltar à vida selvagem.
O Centro de Reabilitação de
Gorilas e Educação
Conservacionista (Grace, na
sigla em inglês) fica
localizado em uma área de
140 hectares em meio à selva
congolesa, na reserva
natural de Tayna, podendo
receber até 30 gorilas ao
mesmo tempo.
Os animais hospedados em
Grace foram confiscados de
caçadores que os mantinham
em cativeiro depois de caçar
e matar seus pais para
comercializar a carne
ilegalmente. Depois do
cativeiro, os animais seriam
vendidos - vivos ou mortos.
Grace tem um centro
veterinário (com atendimento
clínico e área para
cirurgias), dois
"dormitórios" onde os
animais passam a noite, um
pátio interno para convívio
entre eles e um
observatório, de onde os
gorilas podem ser vistos à
distância, sem serem
incomodados.
Os animais refugiados em
Grace são todos da
subespécie chamada Grauer, o
maior dos quatro tipos
conhecidos de gorila,
podendo pesar até 230 kg. Os
gorilas de Grauer vivem
exclusivamente no leste da
República Democrática do
Congo.
A fundação Dian Fossey
Gorilla Fund International,
que deu início ao projeto
Grace, afirma que o habitat
destes animais está sendo
cada vez mais dilapidado
pela ação do homem. Em 1995,
a estimativa era que
existissem apenas 16 mil
espécimes na região - e,
segundo a entidade, o número
hoje é certamente menor.
"Nós rezamos para que nenhum
outro filhote seja levado
por caçadores, mas nós
sabemos que isto não é um
pensamento realista", diz
Sandy Jones, gerente da
fundação. "Como o território
dos gorilas de Grauer é tão
vasto, e em sua maior parte
inexplorado e inseguro, nós
esperamos confiscar mais
animais no futuro", afirma.
Quarentena
Os quatro primeiros gorilas
chegaram ao refúgio em abril
de 2010, com ajuda de um
helicóptero da Monuc, a
força de paz da ONU no
Congo. Antes disso, eles
passaram por uma quarentena
na cidade congolesa de Goma,
onde receberam os primeiros
tratamentos.
Um dos gorilas tem apenas
sete meses de idade e foi
batizado de Kyasa. Resgatado
em dezembro de 2010, o
animal tinha uma ferida no
quadril, causada por
caçadores, além de
apresentar sinais de
estresse e desidratação.
Depois de um mês de
quarentena em Goma, período
no qual foi atendido por
veterinários e tratadores, o
jovem gorila recuperou a
confiança. Depois de chegar
em Grace, ele já é visto
pendurado em árvores e
tentando bater com as mãos
no peito, como os adultos
fazem. Hoje, Grace já abriga
cinco gorilas, enquanto seis
outros estão em instalações
temporárias na cidade de
Kinigi, em Ruanda, onde
passam por uma quarentena
antes de ser transferidos.
Grace diz ser o único local
do mundo que reabilita
gorilas com a intenção de
liberá-los para a vida
selvagem. O processo pode
levar muitos anos, já que
não existe muito
conhecimento a respeito dos
gorilas de Grauer. Apenas
dois espécimes vivem em
zoológicos em todo o mundo -
ambos em Antuérpia, na
Bélgica.
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