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Oceano Ártico poderá ter verão sem gelo em 2013, diz estudo
Um estudo realizado nos Estados Unidos e na Polônia aponta que o oceano Ártico
poderá passar o verão totalmente sem gelo dentro de apenas cinco ou seis anos.

Em uma apresentação no encontro da União Americana de Geofísica, em San
Francisco, a equipe de cientistas da Nasa e da Academia Polonesa de Ciências
disse que projeções anteriores subestimaram o processo que está causando o
derretimento do gelo no Ártico.
A equipe de pesquisadores se concentrou em medidas da camada de gelo observadas
entre 1979 e 2004, mas a extensão mínima de gelo foi registrada no verão deste
ano.
"Com isso, podemos até dizer que nossa projeção para 2013 já é tímida", disse
Wieslaw Maslowski, chefe do grupo de cientistas.

Segundo o estudioso, a diferença entre outros estudos e o seu está na resolução
dos modelos criados para simular as situações no futuro.
"Nós usamos um modelo de alta resolução, com dados atmosféricos realísticos",
disse Maslowski. "Com isso, conseguimos uma imagem muito mais realista, com a
influência de forças acima da atmosfera e abaixo do oceano."
Avanço
O grupo do professor Maslowski, que inclui cientistas da Nasa e do Instituto de
Oceanologia e da Academia Polonesa de Ciências, é conhecido por produzir dados e
modelos mais avançados em relação a outros grupos de estudo.
Os outros grupos de pesquisadores produziram informações para um verão com o
Oceano Ártico aberto em um período que varia entre 2040 e 2100.
Para Maslowski, estes modelos subestimaram alguns processos importantes
envolvidos no derretimento das geleiras.

O pesquisador afirma que os modelos precisam incorporar representações mais
realistas da forma como a água quente está se movendo pela bacia ártica, vinda
dos oceanos Atlântico e Pacífico.
"O que alego é que os modelos climáticos globais subestimam a quantidade de
calor transportada para o oceano de gelo", afirmou.
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em
inglês), da ONU, usa a média de uma série de modelos para calcular a perda de
gelo na região.
Mas, nos últimos anos, aparentemente a taxa real de derretimento das geleiras no
verão está ficando à frente dos modelos.
Em setembro deste ano, a camada de gelo sofreu uma retração recorde e ficou com
4,13 milhões de quilômetros quadrados.
A marca anterior havia sido registrada em 2005, quando a extensão de gelo foi de
5,32 milhões de quilômetros quadrados.
Mar aberto
O NSIDC (Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos, na
sigla em inglês) coleta informações a respeito da extensão do gelo no Oceano
Ártico e faz boletins regulares sobre o assunto.
O cientista do centro, Mark Serreze, foi um dos palestrantes do encontro da
União Americana de Geofísica, em San Francisco, e discutiu a possibilidade de um
mar aberto, sem geleiras, no Oceano Ártico, durante os meses do verão.
"Há alguns anos, eu pensava (nesta possibilidade) para 2050, 2070, até além do
ano 2100, pois isto era o que nossos modelos nos mostravam", afirma Serreze.
"Mas, como vimos, os modelos não são rápidos o bastante no presente",
acrescentou. "Estamos perdendo gelo a uma velocidade maior."
"Minha opinião é que 2030 não é um ano cedo demais. Mas Maslowski é da opinião
de que poderá acontecer em 2013. Veremos como será o resultado", concluiu o
cientista.
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