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Ban Ki-moon faz da mudança climática a sua bandeira à frente da ONU



A luta contra a mudança climática se transformou na grande bandeira do sul-coreano Ban Ki-moon durante seu primeiro ano à frente das Nações Unidas.

Sem o carisma de seu antecessor, Kofi Annan, mas com a persistência tradicional da diplomacia oriental, o secretário-geral este ano transformou o aquecimento da Terra em prioridade na agenda mundial. A ONU se firmou como o fórum ideal para enfrentar o problema.

Ban, que na sua primeira entrevista coletiva não chegou a citar o tema, termina 2007 como "um evangelista da mudança climática". Foi assim que ele mesmo se definiu, antes da conferência organizada pela ONU de 3 a 14 de dezembro, em Bali, para lançar as bases de um acordo mundial para o período pós-Protocolo de Kyoto em 2012.

O mesmo fervor levou o dirigente a viajar das florestas do Brasil até a Antártida, para comprovar em primeira mão os efeitos da mudança climática. Ele promoveu também a primeira cúpula de chefes de Estado e de governo na sede da ONU para debater o tema.

No encontro, mais de 80 líderes manifestaram sua posição e propuseram medidas. Até o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aceitou o convite para jantar com o secretário-geral.

Empurrão

A preocupação ganhou eco na opinião pública, em parte graças ao premiado documentário "Uma Verdade Inconveniente", apresentado pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Ele dividiu o Prêmio Nobel da Paz deste ano com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática).

O relatório de fevereiro do IPCC concluiu que o aquecimento global se deve à atividade humana e será irreversível se não for combatido. Foi então que a questão entrou de vez nas prioridades do secretário-geral, que tinha acabado de assumir o cargo.

Desde então, sua tarefa mais delicada tem sido convencer os líderes das principais economias do mundo da necessidade de tomar medidas concretas para reduzir as emissões poluentes.

Negociação

Os EUA hesitam em se comprometer com um nível específico de redução de emissões. Principalmente porque alguns países emergentes gozam de exceções, pelo Protocolo de Kyoto. Já as economias em desenvolvimento argumentam que as nações mais ricas são as maiores responsáveis pelo problema.

Fontes da ONU disseram à Efe que Ban passou longas horas ao telefone para convencer os governos dos países mais poluentes a se comprometer com as negociações de Bali.

"O aquecimento global é prioridade da agenda mundial. Espero que também haja vontade política de atuar", disse recentemente o sul-coreano, em alusão a países como Brasil, EUA, Índia e China.

O empenho de Ban com a luta contra a mudança climática pôs em jogo boa parte de sua credibilidade e da capacidade das Nações Unidas de conseguir um acordo com efeitos reais. Por isso, o resultado da conferência de Bali é uma prova crucial no primeiro dos seus cinco anos de mandato.


 

 

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