|
Poluição prejudica olfato, diz estudo mexicano
Patricia Mercado Sánchez
Um estudo conduzido pela Universidade Nacional Autônoma do México afirma que a
poluição da Cidade do México está diminuindo a capacidade olfativa dos
moradores.
A pesquisadora Robyn Hudson comparou a capacidade olfativa de pessoas da Cidade
do México e de Tlaxcala, uma cidade próxima com as mesmas características
ambientais e de altitude.
O estudo de Hudson utilizou dimetil dissulfeto, uma substância associada com o
apodrecimento dos alimentos. Os moradores da Cidade do México só conseguiram
detectar o cheiro da substância em concentrações nove vezes maiores, em
comparação com as pessoas de Tlaxcala.
20 milhões
Hudson explica que o aparelho olfativo humano possui células receptoras e de
suporte. A poluição provocaria uma diminuição das células receptoras e aumento
das de suporte. Essa alteração provocaria uma diminuição na capacidade olfativa
das pessoas.
O próximo passo da pesquisa será constatar se os danos são reversíveis. A
cientista disse à BBC que os resultados da nova pesquisa devem ficar prontos em
três meses.
A Cidade do México tem cerca de 20 milhões de habitantes e é uma das cidades
mais poluídas do mundo. Para Mario Molina, ganhador do prêmio Nobel de Química
de 1995, a poluição da Cidade do México "é um problema de saúde pública que
precisa ser levado a sério".
Em 2004, Molina montou um centro de pesquisadores de várias partes do mundo
dedicados a fazer medições mais precisas sobre a qualidade do ar da cidade.
No final dos anos 90, o nível de poluição diminuiu na Cidade do México. Mas a
frota de veículos da cidade - um importante fator de poluição - vem aumentando
em cerca de 250 mil carros por ano.
|