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Fórum Global: quem polui mais deve pagar mais
Todos os países devem assumir compromissos na luta contra a mudança climática,
mas sem negar a oportunidade às nações pobres de se desenvolverem
economicamente, e aplicando o princípio de que quem polui mais deve pagar mais,
disseram hoje os líderes mundiais em Genebra, na reunião anual do Fórum Global
Humanitário, do qual participam representantes de governos e do setor privado de
dezenas de países
O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE),
Javier Solana, afirmou que a mudança climática é um problema global - amplamente
reconhecido com base em dados científicos - "que só terá solução se todo o mundo
participar".
No entanto, Solana reconheceu que não se pode pedir que todos os países assumam
o mesmo nível de responsabilidade, de modo que as nações que mais poluíram no
passado ou que continuam fazendo devem assumir compromissos maiores.
"Essa diferenciação é importante", declarou o chefe da diplomacia da UE durante
um debate com o economista americano Jeffrey Sachs, na reunião.
Sachs reconheceu que é imperativo respeitar essa diferença entre os países, mas
destacou que as nações emergentes que se tornaram grandes emissoras dos gases
que intensificam a mudança climática "devem aceitar contribuir"
significativamente.
Nesse sentido, Sachs advertiu de que os Estados Unidos nunca aceitarão uma regra
internacional sobre mudança climática se a China não decidir cooperar
ativamente.
O economista disse que essa promessa é válida além do resultado das eleições de
novembro nos EUA, considerado o maior poluidor do mundo e que se negou a
ratificar o Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir as emissões de gases que
causam o efeito estufa.
A comunidade internacional se prepara agora para negociar um novo tratado que
substituirá o Protocolo de Kyoto após 2012 e cuja adoção está prevista para o
próximo ano em uma conferência internacional na Dinamarca.
A China e outras economias emergentes defendem que os países industrializados e
com maior responsabilidade histórica pela mudança climática são os que devem
pagar agora pela poluição que causaram, enquanto eles devem respeitar seu
direito ao crescimento econômico.
No entanto, Sachs admitiu que "o caminho também não é asfixiar as economias em
desenvolvimento", mas fazer com que seu crescimento se baseie em tecnologias que
respeitem o meio ambiente que os países ricos deverão fornecer ao mundo em
desenvolvimento.
Neste ponto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em
inglês), Rajendra Pachauri, sugeriu a criação de uma "forma inteligente de
tributação" para financiar a luta contra a mudança climática.
Pachauri também pediu o "ajuste" da pesquisa científica às necessidades dos
países mais pobres. Durante as diversas exposições de argumentos, os
participantes concordaram em que não há dúvidas de que o mundo enfrenta uma
crise real como conseqüência da mudança climática.
A situação, segundo eles, se agravará em decorrência do crescimento demográfico
e da escassez cada vez maior de recursos como a água, as terras férteis e fontes
de energia.
Calcula-se que a atual população mundial, que supera os 6,4 bilhões de
habitantes, aumentará 2,5 bilhões nos próximos 40 anos e a grande maioria deles
deve nascer nos países em desenvolvimento.
Os sistemas sociais e a economia atual já são considerados incapazes de conduzir
esses números, e o problema será agravado pelas dificuldades de acesso à água
potável e pelo aumento dos fluxos migratórios, segundo vários participantes.
O presidente do Fórum Humanitário Mundial e ex-secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, disse que existem soluções viáveis, mas lembrou que todas elas precisam
de dinheiro para sem aplicadas. Por isso, Annan afirmou que um dos maiores
desafios atuais é encontrar fontes sustentáveis de financiamento.
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