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O maior prejuízo ocorrerá nas plantações de soja, aponta o novo estudo.
O impacto mais forte do aquecimento global sobre a agricultura deve ocorrer
justamente em uma área que já não é favorecida. A análise feita pela Embrapa e
pela Unicamp separou as projeções município por município e mostrou que aqueles
do semi-árido são os que mais sofrerão.
"Infelizmente, parte do semi-árido deverá virar um deserto mesmo, o que coloca o
interior do Nordeste em situação crítica", diz Hilton Pinto, da Unicamp. Mas
isso, segundo Eduardo Assad, da Embrapa, pode ajudar o governo e a sociedade a
começarem a entender quais são as soluções.
"No caso do Nordeste, é muito simples", diz. "A saída está nas culturas locai.
Na serigüela, no sorgo e assim por diante".
Caminhos mais genéricos, como a integração pastagem-lavoura (para melhorar o
aproveitamento das áreas mais aptas para a produção) e o melhoramento genético
(plantas transgênicas mais aptas à falta d'água, por exemplo) poderão ser usados
para todo o Brasil.
O estudo de Assad e Pinto também aborda o problema da emissão de gases
causadores do efeito estufa resultantes do avanço da fronteira agrícola no país.
A situação tende apenas a piorar, dizem os pesquisadores, cada vez que se
derruba uma árvore para abrir uma lavoura. Para barrar isso, diz a dupla, a
questão do controle do desmatamento amazônico deve passar a ser central.
O maior prejuízo ocorrerá nas plantações de soja, aponta o novo estudo. A área
adequada ao grão diminuirá 34% até 2050. Em termos financeiros, isso significa
uma queda na produção da ordem de R$ 6,3 bilhões. "Em termos geográficos, a soja
deverá sumir, por exemplo, de grande parte do Rio Grande do Sul", diz Pinto.
O aquecimento global também vai reduzir a área ótima para lavouras de café
(queda de 17% na área de potencial cultivo), de girassol (-16%), de milho
(-15%), de algodão (-16%), de arroz (-12%) e de feijão (-10%).
Pelos cálculos feitos a preços de hoje, em 42 anos o clima vai causar, em todo o
Brasil, um prejuízo de R$ 10,7 bilhões, referente às culturas que perderão
territórios adequados.
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