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Aquecimento global gera mais preocupação do que atitudes, diz pesquisa
EDUARDO GERAQUE
Que a mudança climática é importante, isso nenhum entrevistado discorda. Porém,
segundo pesquisa feita sobre o tema pelo Iser (Instituto de Estudos da
Religião), do Rio de Janeiro, ninguém está muito interessado em transformar a
preocupação com esse tema em ações concretas. Para as pessoas ouvidas no
levantamento, o ônus da ação é quase uma exclusividade do governo federal.

"No caso dos congressistas fica bem claro a situação. Se o assunto não estiver
na boca do povo, se o executivo não tomar a iniciativa, não são eles que vão
puxar o tema", afirma a cientista social Samyra Crespo, organizadora da pesquisa
qualitativa, que contou com financiamento da Embaixada Britânica no Brasil.
O trabalho ouviu 210 lideranças das áreas da mídia, do Congresso Nacional, das
ONGs e da iniciativa privada.
No caso dos políticos brasileiros (foram ouvidos 30 no total, divididos em
quatro do Senado, seis de Assembléias Legislativas e 20 da Câmara dos
Deputados), fica evidente a posição constatada pelo trabalho.
Do total da amostra, 16 disseram que cabe ao governo federal tomar a dianteira
para a mitigação das mudanças climáticas. Apenas dois disseram que isso é papel
do próprio Congresso Nacional. Além de sete omissões, receberam votos nessa
pergunta as universidades (2), os empresários (2) e os proprietários de terra
(1).
A tabulação das respostas dadas pelos políticos brasileiros também mostra um
certo desconhecimento da classe com o tema das mudanças climáticas.
Ao responderem a pergunta "Como considera o seu grau de conhecimento sobre as
mudanças climáticas", apenas um disse que é bastante abrangente. Outros nove
responderam "bom, mas incompleto", 18 disseram explorando e aprendendo mais e um
admitiu que conhece pouco do tema.
Dos 21 que responderam sobre quando eles ouviram falar pela primeira vez da
questão climática, 18 disseram a partir dos anos 1990. Os outros três já
conheciam a questão antes.
Segundo Crespo, a iniciativa privada, mostra a pesquisa, também aguarda um
posicionamento do governo federal para agir com mais ímpeto.
"Os empresários querem, na verdade, saber mesmo quanto tempo eles terão para
começarem a reduzir suas emissões [de gases que contribuem para o efeito
estufa]", afirma Crespo.
E isso, segundo ela, depende de uma sinalização que só pode ser feita por uma
política nacional de mudanças climáticas.
Veja vídeo do aquecimento global
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