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Relatório: concentrações de ozônio continuam subindo
As concentrações de ozônio ao nível do solo continuam a subir a despeito das
regulamentações cujo objetivo é controlar o nível desse gás, de acordo com a
Royal Society, a academia britânica de ciências.
O impacto dos poluentes sobre a saúde humana e o rendimento das safras também é
pior do que se imaginava anteriormente, alerta o estudo.

Os níveis de ozônio subjacente subiram em cerca de duas partes por bilhão (ppb)
a cada década, depois dos anos 80, e chegaram a 35/40 ppb, um patamar
prejudicial, na maioria dos países industrializados do mundo.
"No passado visto como questão de escala local ou regional, o ozônio ao nível do
solo emergiu como poluente mundial", afirma o relatório. Um acordo mundial para
controlar o crescimento do ozônio ao nível do solo se tornou necessário a fim de
evitar potenciais ameaças à segurança alimentar mundial e um crescente número de
mortes, conclui o estudo.
Amigo e inimigo
O ozônio é um elemento natural da atmosfera. Na estratosfera, ela serve como
filtro solar protetor que protege a Terra contra os níveis elevados de radiação
ultravioleta vinda do sol.
Mas o ozônio em nível do solo é formado por reações químicas propelidas pela
radiação solar entre compostos orgânicos voláteis, como os hidrocarbonetos
combustíveis, e óxidos de nitrogênio que são emitidos em larga medida pelos
escapamentos de veículos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu que o ozônio em concentração
superior a 50 ppb tem efeito sobre a saúde humana. Mas o estudo da Royal Society
diz que concentração de 35 ppb já gera impactos, e de acordo com a Agência
Ambiental Européia mais de 21 mil mortes prematuras a cada ano estão associadas
com o ozônio na União Européia.
O impacto sobre a vegetação começa em concentração de 40 ppb. Na União Européia,
em 2000, estima-se que 6,7 bilhões de euros (US$ 9 bilhões) em produção agrícola
tenham sido perdidos por conta do ozônio, segundo o estudo.
Choque para as safras
O estudo revisou os mais recentes dados disponíveis e executou novos trabalhos
de modelagem, para avaliar possíveis mudanças nos níveis de ozônio entre 2000 e
2050.
Se todos os regulamentos existentes forem obedecidos, as concentrações de ozônio
cairiam em até 15 ppb nos países desenvolvidos, até 2050. Mas nos países em
desenvolvimento, onde existem poucos controles legislativos em vigor, os níveis
de ozônio podem crescer em ate 3 ppb no mesmo período.
Peter Cox, cientista do clima na Universidade de Exeter, no Reino Unido, e um
dos autores do estudo, diz que "constatamos que o ozônio terá impacto
significativo sobre a saúde humana e das safras, o que vai se tornar
especialmente importante à medida que tentamos descobrir como manter o mundo
alimentado".
Stephen Long, especialista em safras agrícolas na Universidade do Illinois em
Urbana-Champaign, recebeu positivamente o relatório. "Em termos gerais, ele pode
ser considerado excelente. Destaca, com mais clareza do que em estudos
precedentes, o ozônio pode causar grandes problemas", diz. "Sabíamos que ele era
capaz de afetar a saúde, mas o relatório ressalta os efeitos sobre a vegetação e
as safras agrícolas".
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