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Debate sobre clima recomeça alterado por Obama e crise
Uma mistura de pessimismo econômico e otimismo político deve pautar a 14ª
Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas) em Poznan, na
Polônia, que começa hoje.
O encontro é o início da negociação do regime de combate ao aquecimento global
que sucederá o Protocolo de Kyoto, válido até 2012. Como pano de fundo, há uma
crise global que deverá encarecer as medidas para reduzir a emissão de gases do
efeito estufa. Por outro lado, os Estados Unidos --país que não ratificou o
tratado de Kyoto e vinha sendo o principal entrave diplomático no debate--
sinalizam com mudanças, após o presidente eleito Barrack Obama tomar posse.
"A América está de volta", afirma o senador democrata John Kerry, que deve
participar do encontro de Poznan como um dos observadores que produzirão um
relatório para Obama. "Após oito anos de obstrução, atraso e negação, os EUA
voltam a se juntar à comunidade mundial para lidar com esse desafio global."
A idéia em Poznam é lançar as bases para concluir o novo acordo do clima no fim
de 2009, num encontro em Copenhague (Dinamarca).
Os entraves econômicos para a negociação, porém, não serão poucos. Um relatório
do Secretariado da ONU para Mudança Climática feito no ano passado estimou que o
custo de cortar em um quarto as emissões de gases estufa até 2030 seria de US$
200 bilhões por ano. O documento foi revisto recentemente --após a crise
financeira global-- e o preço foi reajustado para um valor 170% maior.
A crise já está atrapalhando debates internos na União Européia. Países que
dependem muito do carvão como fonte de energia, como Polônia e Itália, já
pressionam a UE para mudar alguns pontos de seu plano de metas até 2020, que
seria deixar as emissões do bloco 20% menores do que eram em 1990.
A economia também pode se tornar um fator adicional na pressão sobre países em
desenvolvimento que ficaram desobrigados de assumir metas de redução de emissões
no Protocolo de Kyoto. O discurso de resposta de nações como a China, porém,
será pedir mais dinheiro. O governo chinês defende que os países ricas concedam
às pobres uma ajuda financeira que represente 0,7% de seu produto interno bruto.
Espera-se que cerca de 9.000 pessoas participem do encontro de Poznan, entre
integrantes de governos, pesquisadores, industriais e representantes de ONGs
ambientais. As sessões da conferência com integrantes de alto escalão dos
governos estão marcadas para os dias 11 e 12. Até 150 ministros de meio ambiente
devem comparecer.
Com agências internacionais
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