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Danos ambientais atingem 90% dos municípios e afetam a economia, diz IBGE
Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
nesta sexta-feira mostram que 90% dos municípios brasileiros sofrem algum tipo
de problema ligado ao ambiente. Estes problemas já afetam a qualidade de vida
dos cidadãos em 14% desses municípios e também a saúde financeira de 35% deles,
segundo a Pesquisa de Informações Básicas de Municípios de 2008.
Os problemas ambientais mais freqüentes nos municípios são as queimadas,
presentes em 3.018 deles (54,2%), seguidas do desmatamento (em 2.976 municípios)
e do assoreamento de corpo de água (em 2.950), provocado pelas duas primeiras. A
poluição do ar foi relatada em 22,2% das administrações municipais.
O Norte, onde está a floresta amazônica, é a região que concentra a maior
incidência de desmatamento, segundo a pesquisa, que usa dados referentes ao
primeiro semestre de 2008. Na região, 71% dos municípios sofrem este tipo de
problema, acima da média brasileira. No Nordeste, este índice foi de 64,8%.
Os municípios do Sudeste (43,6% deles) e do Sul (43,2%) lideram as ocorrências
de poluição de recursos hídricos --causados, por exemplo, por despejo de
produtos químicos de indústrias petrolíferas--, também acima da média nacional,
que é de 41,77%. Já a escassez de água está presente em 53,5% dos municípios do
Sul e em 52,3% dos do Nordeste.
O desmatamento de áreas protegidas por lei, segundo registrou o IBGE, é mais
recorrente no Centro-Oeste (está em 28,5% dos municípios da região) e do Norte
(28,3%). Em todo o Brasil, há 1.200 municípios com áreas de proteção desmatadas
--cerca de um quinto do total.
Mas o problema ambiental que mais cresceu foi o da contaminação do solo,
provocada, sobretudo, por herbicidas e poluentes utilizados na agricultura, na
mineração e em atividades industriais, segundo o IBGE. De 33% dos municípios em
2002, este problema passou a afetar 53% das cidades brasileiras em 2008, de
acordo com o IBGE.
A única queda em ocorrências ambientais registrada pela pesquisa foi a de
alterações com algum tipo de dano para a paisagem, que acometia 31,1% dos
municípios em 2002 e 17,8% em 2008.
A pesquisa revela ainda que, quanto maior o município brasileiro, mais problemas
ambientais ele tem. Das cidades com mais de 500 mil habitantes, 40,5% relataram
ter algum tipo de ocorrência ligada ao meio ambiente, enquanto que apenas 17,5%
dos municípios com até cinco mil habitantes ter feito este relato.
A diferença, para o IBGE, pode ser explicada em parte pelo fato de os municípios
menores não contarem com infra-estrutura como vias pavimentadas, que podem
causar impactos ambientais.
Impactos financeiros
Além dos danos ambientais, os prejuízos econômicos por causa de problemas como
desmatamento, assoreamento e acúmulo de resíduos tóxicos já afetam 35,7% dos
municípios brasileiros, ou 1.987 deles.
As atividades que mais sofrem perdas financeiras são a pesca (em 39,1% dos
municípios), a agricultura (22%) e a pecuária (21,4%). Elas são atingidas,
principalmente, pela poluição das águas e, no caso das duas últimas, pela erosão
do solo, segundo os pesquisadores.
No Norte, mais da metade dos municípios (52,6%) sofrem impactos econômicos
causados por danos ambientais. O menor índice é o do Sudeste (25,8%).
Os resultados mostram que, apesar de mobilizarem a máquina pública para a área,
as prefeituras ainda não conseguem resolver seus problemas ambientais. A
pesquisa conclui que, para impedir que suas economias sejam afetadas, os
municípios devem ter "algum tipo de estrutura ambiental", presente em 77,8%. Mas
também ter outros tipos de ação, como recursos específicos e conselhos para a
área. No primeiro caso, apenas 37,4% dos municípios reservam verbas próprias
para o meio ambiente. Já os municípios que contam com um conselho municipal,
além de um órgão como uma secretaria de meio ambiente e também de recursos
próprios são 18,7% do total.
A Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE foi feita com dados
coletados em todos os 5.564 municípios brasileiros durante o primeiro semestre
de 2008, segundo o instituto.
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