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Aquecimento global durará mil anos, diz estudo
O aquecimento global é irreversível e, mesmo se todas as emissões de
gases-estufa fossem cortadas a zero, as temperaturas continuariam elevadas por
mil anos, causando secas graves em regiões como o Nordeste do Brasil. A
conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira (27) por uma das principais
cientistas do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas.
Escrevendo no periódico "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA, a
climatologista americana Susan Solomon e colegas afirmam que um aquecimento
médio de 2ºC da superfície terrestre reduziria as chuvas no inverno em 10% no
Nordeste brasileiro e no sul da África, e em 20% na bacia do Mediterrâneo e na
Austrália. Esse efeito deve perdurar até depois do ano 3000.
"Para comparação, o "dust bowl" americano esteve associado com reduções médias
de chuva de cerca de 10% em um período de 10 a 20 anos", afirmam os cientistas.
O "dust bowl" foi uma grande seca que arrasou a agricultura das Pradarias dos
Estados Unidos na década de 1930, agravando a crise econômica da época e a
Grande Depressão.
O novo estudo usa modelos climáticos para aprofundar previsões feitas pelo IPCC
em seu relatório sobre o estado das mudanças climáticas lançado em 2007. Solomon
foi uma das coordenadoras do relatório.
Segundo o novo resultado, a mudança climática é "irreversível" por mil anos
depois que as emissões cessam porque, apesar de o gás carbônico persistir por
apenas um século na atmosfera, o oceano continua reemitindo calor por séculos.
"As pessoas imaginavam que, se nós parássemos de emitir dióxido de carbono, o
clima voltaria ao normal em 100 ou 200 anos. Isso não é verdade", disse Solomon,
em uma entrevista coletiva. "A mudança climática é lenta, mas irrefreável",
afirmou a pesquisadora da Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera).
As simulações de computador rodadas por Solomon e seus colegas também tentaram
estimar o que aconteceria com o nível do mar no fim do século 21 e além. Aqui a
divergência com os resultados cautelosos do IPCC é radical: para uma
concentração de CO2 na atmosfera de 600 partes por milhão --hoje ela é de 385
partes por milhão--, os oceanos subiriam de 40 centímetros a 1 metro até 2100,
continuando a subir depois disso, mesmo sem um grama a mais de gás carbônico na
atmosfera após a estabilização. Isso só por expansão térmica, sem contar o
efeito do degelo polar, ainda incerto.
Segundo os pesquisadores, a única conclusão possível é a óbvia: cortar mais e
mais as emissões. "Taxas de desconto usadas em estimativas econômicas assumem
que uma mitigação mais eficiente pode ocorrer em um mundo mais rico, mas ignoram
a irreversibilidade mostrada aqui."
Com Associated Press
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