|
Amazônia sofreu destruição de 17% em cinco anos, diz ONU
Um relatório prestes a ser divulgado pelo Pnuma (Programa da ONU para o Meio
Ambiente) aponta que 17% da Floresta Amazônica foram destruídos em um período de
cinco anos, entre 2000 e 2005.
A informação foi noticiada pelo jornal francês "Le Monde" na quinta-feira, e foi
confirmada à "BBC Brasil" pelo Pnuma.
Segundo o jornal, durante este período foram queimados ou destruídos 857 mil km²
de árvores --o equivalente ao território da Venezuela.
A maior parte do desmatamento ocorreu no Brasil, mas os outros sete países que
também abrigam a floresta estão sendo responsabilizados pela Pnuma, com exceção
da Venezuela e do Peru.
"Irreversível"
"A progressão das frentes pioneiras na Amazônia e as transformações que elas
introduziram são tantas que o movimento de ocupação dessa última fronteira do
planeta parece irreversível", disse o órgão da ONU ao "Le Monde".
Além do desmatamento, a grande corrida pela apropriação das gigantescas reservas
de terra e das matérias-primas da região também tem um papel importante na
deterioração da Amazônia, segundo o jornal.
"O modelo de produção dominante não leva em conta critério algum de
desenvolvimento sustentável, conduz à fragmentação dos ecossistemas e à erosão
da biodiversidade", afirmou o Pnuma.
A entidade também condenou a situação das populações que habitam a floresta, que
"vivem uma situação de grande pobreza". "A riqueza retirada da exploração dos
recursos naturais não é reinvestida na região", disse.
O "Le Monde" conclui o artigo citando que o Pnuma pede um maior envolvimento
internacional para ajudar financeiramente os países que abrigam a floresta, e
cita como possível caminho o Fundo Amazônia, que prevê o investimento de fontes
estrangeiras para desenvolver projetos que combatem o desmatamento.
O Pnuma prevê que o relatório final, com mais dados ainda sigilosos, seja
divulgado durante o encontro anual de seu conselho administrativo, marcado entre
16 e 20 de fevereiro em Nairóbi, no Quênia.
|