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Geleiras dos Pirineus podem desaparecer com aquecimento global
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Os Pirineus tiveram quase 90% de degelo em suas montanhas no século passado e o
aquecimento global pode fazer o que restou das geleiras desaparecer nas próximas
décadas, de acordo com um estudo do governo espanhol.
A pesquisa, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, verificou que dos cerca de
3.300 hectares de gelo que cobriam a cadeia de montanhas entre a Espanha e a
França no começo do século 20, restam somente 390 hectares hoje.

Parte francesa dos Pirineus, cordilheira onde o derretimento de geleiras cresce
muito; aquecimento pode fazê-las desaparecer
Segundo o estudo, o derretimento de geleiras no sul da Europa tem agilizado nos
últimos anos. Entre 2002 e 2008, por exemplo, os Pirineus espanhóis perderam
cerca de um quarto do gelo das geleiras.
Os cientistas espanhóis começaram a perceber a gravidade da situação depois que
um programa foi lançado, em 1978, para estudar a quantidade de neve nas
montanhas e avaliar anualmente o derretimento. Ao longo dos anos, eles começaram
a ver as geleiras diminuírem a um ritmo alarmante.
Miguel Frances, coordenador do estudo divulgado na semana passada, disse que
mesmo invernos com fortes quedas de neve não parecem ser capazes de parar o
processo.
"No ano passado caiu um monte de neve. Isso estabilizou as geleiras, mas elas
não cresceram", afirmou ele ao jornal espanhol "El País".
O estudo do ministério afirma que o derretimento das geleiras nos Pirineus e em
outras cadeias de montanhas ao redor do mundo é uma consequência direta do
aquecimento global e das mudanças nos padrões de precipitação.
Abastecimento
De acordo com a Unep (programa das Nações Unidas para o ambiente), as geleiras
em todo o mundo estão ameaçadas, o que compromete o abastecimento de água para
centenas de milhões --ou até bilhões-- de pessoas.
A Unep diz que sua página na internet que é importante os governos chegarem a
acordo sobre metas de redução das emissões de gases de efeito estufa na
Convenção do Clima da ONU em Copenhague (Dinamarca), no final deste ano. Caso
contrário, "é possível que as geleiras desapareçam completamente de muitas
cadeias de montanhas no século 21".
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