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Pesquisa liga formação de gelo na Antártida à queda do CO2 na atmosfera

da Efe, em Madri

A formação das grandes camadas de gelo da Antártida há 33,5 milhões de anos foi causada pela redução da concentração de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera terrestre, uma mudança que fez cair a temperatura do planeta.

Até agora, as hipóteses sobre a formação dos gelos antárticos indicavam que esse processo não foi acompanhado de uma mudança global da temperatura terrestre. No entanto, cientistas da Universidade Yale, nos Estados Unidos, afirmam, em estudo na revista "Science", que, antes da "expansão dos gelos", as temperaturas a altas latitudes eram 10ºC mais elevadas do que havia sido calculado anteriormente.

O pesquisador Zhonghui Liu afirma que os modelos de mudança climática desenvolvidos para prever o que aconteceu há 33,5 milhões de anos podem ter subestimado o aquecimento das altas latitudes, derivado das altas concentrações de CO2 existentes na atmosfera.

Durante a transição climática desencadeada pelo congelamento da Antártida houve uma redução da temperatura da superfície oceânica de entre 5ºC e 10ºC nos dois hemisférios. O resfriamento substancial que ocorreu a altas latitudes dos hemisférios norte e sul aponta para a existência de uma redução no nível de CO2, mais que para uma mudança localizada da circulação oceânica.

Os cientistas chegaram a estas conclusões após calcularem a temperatura da superfície do mar nessa época, graças à análise dos sedimentos oceânicos, nos quais se preservam moléculas de plâncton que só poderiam existir a determinadas temperaturas.

A equipe sustenta que o gelo se formou sobre a Antártida em 100 mil anos, uma mudança "repentina" em termos geológicos. Os pesquisadores descartam que, paralelamente, tenha ocorrido uma expansão de gelo no hemisfério norte.

 

 

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