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Temperatura da Terra pode subir 4ºC em 50 anos
Satélite mostra redução no gelo entre o inverno de 2005
(à esquerda) e 2008. A área em branco representa camadas
de gelo de 4 a 5 m de espessura, enquanto o azul escuro
indica de 0 a 1 m
Reduzir Normal Aumentar Imprimir Um relatório do
principal centro de pesquisas sobre mudanças climáticas
da Grã-Bretanha alertou nesta segunda-feira para um
aumento de 4º C na temperatura do planeta em apenas 50
anos caso as emissões de carbono não sejam reduzidas em
breve.

O estudo do Centro Hadley, financiado pelo governo
britânico, constitui o alerta mais grave já divulgado
sobre o aquecimento global desde que o Painel
Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC),
órgão científico da ONU, estimou em 2007 que a
temperatura do planeta pode subir entre 1,8ºC e 4ºC até
o fim deste século.
Utilizando novos dados a partir de análises sobre o
ciclo do carbono e de observações atualizadas de
emissões de países emergentes, como China e Índia, as
conclusões não apenas reforçam a possibilidade do pior
cenário do IPCC como reduzem pela metade o tempo
disponível para ação.
Segundo o Centro Hadley, em um cenário de altas
emissões, o derretimento de neve e gelo no Ártico
poderia elevar a absorção de raios solares e elevar a
temperatura ártica em até 15,2 ºC. Secas atingiriam
severamente o oeste e sul da África, afetando a
disponibilidade de água, segurança alimentar e saúde da
população.
O estudo diz que "todos os modelos" indicam reduções na
precipitação de chuvas também na América Central, no
Mediterrâneo e partes da costa australiana. Em outras
áreas, o aumento da temperatura em 50 anos poderia ser
de 7º C, disse o estudo.
Já o padrão das chuvas seria severamente afetado na
Índia - onde o nível de precipitações poderia aumentar
20% ou até mais, piorando o risco de enchentes.
Não bastasse o cenário consideravelmente pior do que os
cientistas pensavam, o estudo alerta ainda que, em um
cenário de emissões altas, a previsão de aumento de 4º C
podem ser "adiantada em 10 anos, ou até 20 anos em casos
extremos".
Entretanto, concedem os cientistas, ainda há tempo de
evitar o pior cenário se as emissões de carbono
começarem a baixar de nível dentro da próxima década.
Ação
O estudo está sendo apresentado em uma conferência sobre
a mudança climática na cidade inglesa de Oxford, e sai a
público no mesmo dia em que delegados de 190 países se
reúnem em Bangcoc, na Tailândia, para uma nova rodada de
negociações antes da reunião da ONU em Copenhague, na
qual espera-se um novo acordo de emissões de carbono em
substituição ao Protocolo de Kyoto, vigente até 2012.
Líderes mundiais têm reiterado a necessidade de limitar
a elevação da temperatura global nas próximas décadas em
2º C. Mas, como aponta o analista de ambiente
Roger Harrabin, a questão tem esbarrado nos recursos que
serão necessários para "limpar" a matriz energética
global.
Um dos pontos fundamentais, diz o especialista, é que
países em desenvolvimento querem ajuda para arcar com os
custos de tal empreitada. O premiê britânico, Gordon
Brown, tem falado em uma cifra de US$ 100 bilhões para
conter o aquecimento global através do combate à
pobreza. A União Europeia tem concordado.
No entanto, o presidente americano, Barack Obama, que
preside a nação que mais polui em termos per capita, tem
encontrado dificuldades para aprovar leis de controle de
emissões no Congresso americano, ainda que reafirme a
"determinação" dos seu país para agir e assumir suas
"responsabilidades" em relação ao aquecimento global.
Na semana passada, a China anunciou que vai redobrar os
investimentos em eficiência energética para reduzir as
suas emissões de CO2 em uma "margem notável" - porém
ainda não precisada - até 2020.
Tanto a China como os EUA repondem por cerca de 20% das
emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de
carvão, gás natural e petróleo. A União Europeia produz
14% do total, seguida por China e Rússia, cada qual com
5%.
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