Sedimentos de lago no Ártico mostram aquecimento desde
1950
Uma análise dos sedimentos de um lago no Ártico revelam
mudanças biológicas e químicas ocorridas em 1950 e
resultado de um aquecimento sem precedentes em 200 mil
anos, revela um estudo publicado na segunda-feira.
"As últimas décadas são únicas em 200 mil anos em termos
de mudanças biológicas e químicas observadas em
sedimentos" do lago da ilha de Baffin, no Canadá,
explicou Yarrow Axford, especialista da Universidade do
Colorado, em Boulder (oeste), principal autor deste
trabalho difundido nos Anais da Academia Americana de
Ciências (PNAS).
"Observamos indicações claras de um aquecimento em um
dos locais mais isolados da Terra, em um período no qual
o Ártico vivia um ciclo natural de esfriamento".
As mudanças ambientais neste lago durante o milênio
passado estão estreitamente ligadas a causas naturais da
evolução climática, como modificações periódicas da
órbita terrestre, mas a partir de 1950 mostram que o
ciclo de esfriamento do clima foi modificado por
emissões de gases do efeito estufa de origem humana,
destacaram os autores.
Um estudo divulgado pela revista Science de setembro,
que reconstruiu a evolução das temperaturas no Ártico
durante os últimos 2 mil anos, a partir de amostras
glaciais, camadas de sedimentos de lagos e círculos de
crescimento de árvores revela que o recente aquecimento
inverte um ciclo natural de esfriamento de vários
milênios - produto da mudança do eixo de rotação da
Terra.