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Mundo precisará de US$ 10,5 tri para limitar CO2, diz
AIE
O mundo precisará investir US$ 10,5 trilhões no setor de
energia entre 2010 e 2030 para atingir o objetivo de
limitar as emissões globais de gases do efeito estufa e
impedir um aumento das temperaturas mundiais em mais de
2ºC, segundo um relatório anual divulgado nesta
terça-feira pela AIE (Agência Internacional de Energia).
O relatório World Energy Outlook 2009 ("Panorama da
Energia Mundial 2009", em tradução livre)adverte que
cada ano de atraso na obtenção de um acordo para limitar
as emissões somaria US$ 500 bilhões no custo total
desses investimentos. Ainda assim, diz a agência, se
esse atraso for de alguns anos, ficará impossível
cumprir a meta de limitar o aumento das temperaturas
globais em 2ºC.
No mês que vem, líderes de todo o mundo devem se reunir
numa conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas em Copenhague, na Dinamarca, para tentar
chegar a um acordo para limitar as emissões. Há um
consenso cada vez maior entre os países de que é
necessário limitar o aumento das temperaturas globais em
até 2ºC, acima do qual as mudanças climáticas podem se
tornar imprevisíveis e irreversíveis. Mas ainda há
grandes divergências sobre qual a maneira de se
conseguir esse objetivo.
Ingrediente crítico
Para a AIE, "a cada ano que passe, a janela para ações
sobre as emissões se tornam mais estreitas, e os custos
de transformar o setor de energia aumentam". "Um
ingrediente crítico no sucesso dos esforços para
prevenir as mudanças climáticas será a velocidade com
que os governos ajam nos seus compromissos. A salvação
do planeta não pode esperar", afirma o relatório.
Segundo a AIE, se nada for feito para limitar as
emissões e o aumento das temperaturas mundiais em 2ºC,
os custos de adaptação do mundo aos efeitos do
aquecimento global serão "várias vezes maiores" do que
os custos dos investimentos para limitar as emissões.
"Os países que estarão na Conferência da ONU sobre
Mudanças Climáticas não devem perder isso de vista",
recomenda o relatório.
Queda no consumo
Segundo o documento da AIE, o consumo global de energia
deve cair pela primeira vez em 2009 desde 1981, por
conta da crise econômica global. Mas a agência diz que,
mantidas as atuais políticas de desenvolvimento, o
consumo retomará rapidamente sua tendência de alta no
longo prazo, acompanhando a recuperação econômica.
O relatório prevê um aumento anual de 1,5% no consumo de
energia mundial entre 2007 e 2030, totalizando um
aumento total de 40% no período. Os principais motores
desse crescimento da demanda, segundo a AIE, seriam os
países da Ásia (incluindo a China e a Índia), seguidos
dos países do Oriente Médio.
Apesar do crescimento da produção de energias
alternativas mais limpas, a AIE prevê que o petróleo
continuará como a principal fonte de energia mundial até
2030 - a participação do petróleo deverá cair apenas de
34% para 30% no consumo total de energia. A AIE espera
um aumento anual de cerca de 1% na demanda global por
petróleo até 2030, apesar de uma queda na demanda entre
os países desenvolvidos.
Graças às descobertas das novas reservas de petróleo na
camada pré-sal, o Brasil deve ser o terceiro país com o
maior aumento percentual previsto na produção de
petróleo, de 2,9% ao ano entre 2008 e 2030. O aumento da
produção ficaria apenas atrás do aumento anual de 4,8%
esperado para o Iraque, graças principalmente aos
investimentos para a exploração das reservas já
existentes, e dos 5,4% de aumento anual previstos para a
produção canadense.
As projeções da AIE colocam o Brasil como o 6º maior
produtor mundial de petróleo em 2030, com 3,4 milhões de
barris diários, atrás de Arábia Saudita, Rússia, Iraque,
Irã e Canadá.
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