UE: cortes de CO2 dos EUA e China podem ser
decepcionantes
A União Europeia (UE) reconheceu nesta quinta-feira os
esforços realizados por Estados Unidos e China, que
prometeram uma redução de emissões de 17% e de entre 40%
e 45%, respectivamente, mas disse que estes compromissos
podem ser "decepcionantes" para alguns. O
primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, e o
presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE),
José Manuel Durão Barroso, demonstraram satisfação em
comunicado sobre o que estas duas novas ofertas podem
significar para a Conferência da ONU sobre a Mudança
Climática, em Copenhague, que começa no dia 7.

"EUA e China são atores essenciais nesta negociação",
reconheceram Reinfeldt e Durão Barroso, ao valorizar o
fato de os dois países terem finalmente divulgado até
onde estão dispostos a chegar em matéria de corte de
emissões. Para a UE, é preciso evitar que Copenhague
seja um fracasso e respeitar o objetivo de impedir que a
temperatura do planeta se eleve acima de dois graus
centígrados para que as consequências da mudança
climática não alcancem níveis perigosos.
"O mundo está esperando um acordo ambicioso e completo.
Todas as partes devem fazer tudo o que puderem em
relação a esse objetivo", diz o comunicado do bloco
europeu. Reinfeldt e Durão Barroso afirmaram que
analisam com cuidado as propostas dos EUA e da China e
permanecem em contato com os dois países. Além disso,
disseram que esperam abordar a questão na cúpula que a
UE realizará na próxima segunda-feira com a China em
Nanquim.
Os europeus destacaram que a oferta de Washington prevê
grandes cortes em 2025 e 2030 e reconheceram o trabalho
do presidente americano, Barack Obama, para mudar a
posição do país. Os representantes da UE afirmaram, por
outro lado, que é preciso continuar conversando com os
EUA sobre o apoio financeiro a nações em
desenvolvimento, em particular sobre a necessidade de
antecipar parte da ajuda para que esses países possam
tomar as primeiras medidas de luta contra a mudança
climática.
Em relação à proposta chinesa, a UE demonstrou
satisfação com o fato de que outro importante país em
desenvolvimento tenha decidido seguir o exemplo de
Brasil e Indonésia, definindo números concretos para a
redução de emissões. "Esperamos que as indicações
chinesas e americanas representem os primeiros passos
rumo a reduções mais fortes", disseram Reinfeldt e Durão
Barroso.