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Abemc: setor público precisa assumir compromisso com
clima
A administração pública brasileira já deveria ter
assumido uma postura mais pró-ativa na questão do
aquecimento global, afirmou nesta quinta o presidente da
Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono
(Abemc), Flávio Gazani.
Em entrevista, ele disse que mesmo os Estados Unidos,
maior poluidor mundial, responsável por 25% das emissões
globais, já começam a apresentar uma mudança de postura
em relação ao tema, com a nova gestão do presidente
Barack Obama.
"Já tem muitos estados e municípios (norte-americanos)
que fizeram seus inventários de emissões, estabeleceram
metas e estão buscando reduzir as emissões. Estou
falando de órgãos da administração direta e indireta ",
afirmou.
Segundo ele, no Brasil, apenas o estado de São Paulo
apresentou a primeira iniciativa de elaborar um
inventário de emissões. "Existe uma falta de compromisso
da administração pública e do país como um todo em
assumir a nossa mea-culpa", analisou Gazani. Entre os
países desenvolvidos, não ratificaram o Protocolo de
Quito, além dos Estados Unidos, a Nova Zelândia e a
Austrália.
Apesar disso, Gazani está otimista em relação ao
resultado das negociações que ocorrerão durante a 15ª
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
(COP-15) em Copenhague, na Dinamarca , entre 7 e 18 de
dezembro. O encontro objetiva elaborar um acordo em
substituição ao Protocolo de Quioto, cuja vigência
termina em 2012.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a
chanceler alemã Ângela Merkel tenham afirmado hoje que
não se deverá chegar a um "acordo ideal" na COP-15,
Gazani assegurou que "toda e qualquer tentativa de
salvar o resultado final da conferência é válida".
Segundo ele, a convergência das atenções do mundo para
essa conferência vai sensibilizar a sociedade mundial
com relação à seriedade do problema das mudanças
climáticas. "A gente tem maiores chances de que os
governantes assumam posturas mais responsáveis. À medida
em que há a participação pública, a possibilidade de
demonstração de vontade política aumenta".
Gazani disse que observa com satisfação os governos do
Brasil, da França e Alemanha engajados nesse esforço de
encontrar uma saída para o problema do aquecimento
global "até porque existe uma necessidade premente de
que um novo acordo ou a continuação desse acordo seja
atingido logo, para que não haja uma interrupção no
compromisso assumido em Quioto, nem nas iniciativas que
já vêm contribuindo de alguma forma para a mitigação das
mudanças climáticas".
A proposta brasileira de reduzir as emissões entre 36,1%
e 38,9% até 2020, em relação aos níveis de 2005, foi
considerada audaciosa pelo presidente da Abemc. "E
coloca o Brasil em uma posição de liderança ante outras
nações em desenvolvimento".
Gazani ressaltou, contudo, que as metas estabelecidas
pelo governo brasileiro são voluntárias. Isso significa
que não há, ainda, a intenção do Brasil de assumir metas
mandatórias, como foi feito anteriormente pelos países
desenvolvidos.
Para estimular a redução das emissões no Brasil, em
especial aquelas oriundas do desmatamento, Gazani
sugeriu que todos os meios de financiamento sejam
direcionados a projetos ou iniciativas que visem reduzir
o desmatamento, principalmente na Amazônia. "Nós temos
hoje cerca de 40% das florestas tropicais do mundo".
Ele defendeu que seja instituído um sistema misto, em
que fundos de governo e fundos privados possam investir
nessas iniciativas de redução de emissões, aceitando a
inclusão de mecanismos de mercado, como os projetos de
mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), que gerem
créditos de carbono e tenham um valor no mercado
internacional "para que essas iniciativas venham ocorrer
de fato e o mais rápido possível".
O mercado voluntário de carbono é relativamente pequeno,
se comparado ao mercado regulado pelo Protocolo de
Quioto. Ele representa 2,9% do mercado regulado em
termos relativos. Em faturamento, a participação é de
0,6%. O mercado global de carbono faturou no ano passado
cerca de US$ 126 bilhões, enquanto o mercado voluntário
registrou um total de US$ 700 milhões.
Para Gazani, a participação nesse mercado voluntário de
carbono pode ser interessante para as empresas
brasileiras, porque os créditos voluntários são mais
baratos. Os projetos não têm que passar pelo mesmo
processo de aprovação do mercado regulado.
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