Aquecimento global pode afetar Brasil até 20% mais, diz
Inpe
O aquecimento global no Brasil pode ter efeitos 20%
maiores que a média global até o fim do século, com
grandes impactos sobre os índices pluviométricos do
país, de acordo com um novo estudo do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe), lançado durante a reunião
das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague.
Em parceria com o Met Office Hadley Centre, da
Grã-Bretanha, cientistas fizeram projeções dos efeitos
dos gases que provocam o efeito estufa no país usando
diferentes modelos. As consequências econômicas para o
país são potencialmente desastrosas, já que uma redução
no regime de chuvas do Brasil teria efeitos diretos
sobre a produção de energia elétrica - 70% da qual é
gerada por hidrelétricas.
Além disso, as pesquisas do Inpe e do Hadley Centre
alertam para os riscos do desmatamento que também
colabora para deixar o clima mais quente e seco.
Chuva
Se mais de 40% da extensão original da floresta
amazônica for desmatada, isto pode significar a
diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental.
Segundo os pesquisadores, 40% de desmatamento ou um
aquecimento global entre 3°C e 4°C representariam o 'tipping
point', ou seja, o ponto a partir do qual parte da
floresta corre o risco de começar a desaparecer.
Com apenas 2ºC a mais no termômetro, a bacia amazônica
perderia 12% do volume de chuvas e a bacia do São
Francisco, 15%. Na bacia do Prata, por outro lado, os
cientistas prevêem um aumento nos índices pluviométricos
de 2%.
São Francisco
Nas previsões mais extremas, com um acréscimo de
temperatura de 6,6%, as chuvas na Amazônia e na região
do São Francisco poderiam cair 40% e 47%,
respectivamente, literalmente transformando essas
regiões. Os pesquisadores ainda fizeram uma versão
intermediária dos impactos do aquecimento, levando em
conta um acréscimo de 5,3ºC. Nesta, a bacia do São
Francisco perderia 37% das suas precipitações, enquanto
a região amazônica teria 31% a menos de chuvas.
Mesmo a hipótese menos drástica, de um aquecimento de
2ºC, ameaçaria o futuro do rio São Francisco, que já
terá o seu volume d'água bastante afetado pelas obras de
transposição. O modelo climático global do Hadley Centre
é faz projeções de alterações do clima em todo o mundo.
Já o modelo climático regional do Inpe se concentra no
Brasil e avalia o impacto de níveis diferentes de
aquecimento global. Desde a década de 80, o Inpe vem
aplicando modelos climáticos globais como ferramenta
para estudar os impactos do desmatamento na Amazônia
sobre o clima.