Por aquecimento, templo é invadido pelo mar em Bangcoc
Dezenas de aldeões tailandeses e monges travam há anos
uma batalha para evitar que um templo sucumba diante do
aumento do nível do mar, um fenômeno causado pela
mudança climática.
Situado a 30 km de Bangcoc, em uma região litorânea onde
os mangues já desapareceram e as famílias de pescadores
tiveram de migrar, o avanço do mar afastou atingiu o
templo de Khun Samut Trawat, unido agora a terra por uma
estreita e frágil passarela.
Monge mostra foto do templo no início da invasão do mar

Os poucos habitantes que permanecem na aldeia erguida na
foz do rio Chao Phraya resistem para não perder o templo
que construíram há décadas.
"Há 14 anos decidi recuperar o templo, que estava há
mais 11 anos com um metro de água e, pouco a pouco,
conseguimos isolá-lo construindo muros de pedras e
rochas e replantando o mangue para frear a água",
explicou à Agência Efe o abade Atikarn Somnuek Atipanyo,
43 anos.
Nas últimas duas décadas, a erosão do mar engoliu mais
de dois quilômetros da costa em torno da aldeia de Samut
Prakan, província vizinha à capital do país.
O abade lembra que para deixar de andar com a água até
os joelhos, os monges arregaçaram as mangas e com mais
imaginação que conhecimentos de engenharia conseguiram
elevar em um metro o templo conhecido que esta
afundando, condição que o transformou em um monumento
digno de atrair a atenção de curiosos e turistas.
A constante elevação do nível do mar obrigou os aldeões
a transferirem suas casas de lugar em direção aos locais
mais distantes da água.
"Mas se as águas seguirem subindo, ninguém poderá evitar
que desapareça o templo e, com o tempo, que o mar também
invada Bangcoc", lamentou um morador.
Este é o futuro de Bangcoc, uma agitada metrópole onde
os arranha-céu e casas disputam um palmo de terreno, não
tem um futuro muito diferente que o desta pequena
aldeia.
Smith Dharmasaroja, especialista em meteorologista
tailandês que previu o tsunami que em 2004 causou uma
das maiores catástrofes da Ásia, alertou que grande
parte de Bangcoc será invadida pelo mar.
Ele calcula que até 2030 a água de atingir 1,5 metro, se
as autoridades não tomarem medidas para frear a
situação. Grande parte do que hoje é a capital, foi
construída há pouco mais de dois séculos sobre uma
superfície lamacenta, ao fecharem pequenos canais, que
deram o nome de "Veneza do Sudeste Asiático".
Agora, só aqueles moradores que vivem na região mais
antiga da cidade têm à porta de casa um daqueles canais
do passado, já que a maior parte está coberta pelo
pavimento das ruas e o cimento das edificações. A única
semelhança de Bangcoc nestes dias com Veneza, é a que
também está afundando, a um ritmo de mais de 7,5
centímetros ao ano por causa do aumento do nível do mar
e o afundamento do terreno.
Há dois anos, um grupo de analistas propôs a construção
de um muro de 80 quilômetros ao redor de Bangcoc, ao
redor do rio Chao Phraya, semelhante aos de algumas
regiões de Cingapura e os Países Baixos. O governo, no
entanto, mantém paralisado o projeto, cujo custo chega a
mais de US$ 3,2 bilhões e requereria oito anos de
trabalhos.
Alguns bairros de Bangcoc são inundados em algumas
épocas pela água salgada, que invade a partir do subsolo
pelos sistemas de águas e esgoto, e que um potente
sistema de bombeamento se encarrega de devolver ao mar.
Dharmasaroja advertiu que dentro de 15 ou 20 anos talvez
seja tarde demais para evitar o afundamento da capital
tailandesa.