Calor que atingiu Baltimore em 2007 foi motivado por
"vizinhos"
Enquanto a maior parte da Europa e da América do Norte
está no meio de uma onda de frio, pesquisadores tentando
entender uma onda de calor que atingiu o nordeste dos
Estados Unidos em 2007 descobriram que as altas
temperaturas de Baltimore foram exacerbadas pela
presença de seus vizinhos, Washington, D.C., e Columbia,
Maryland.
As cidades estão ficando cada vez mais quentes

O meteorologista Da-Lin Zhang, da Universidade de
Maryland em College Park, e seus colegas usaram um
modelo meteorológico tridimensional para investigar como
o clima e a temperatura mudam ao longo do tempo em
Baltimore e na região de Washington. Baltimore está
cerca de 100 km a nordeste de Washington, e Columbia
fica aproximadamente na metade do caminho entre as duas
cidades.
Zhang queria observar o efeito da ilha de calor, um
fenômeno no qual áreas urbanas se tornam muito mais
quentes do que áreas rurais ao redor durante a época de
calor. Seus modelos incluíam dados sobre o uso do solo
nessa ampla área. Superfícies irregulares - quer sejam
cobertas por árvores, água ou edifícios - afetam o clima
na superfície, e ele conseguiu uma precisão de 500
metros no modelo.
Então, usando dados de 7 a 10 de julho de 2007, quando a
área foi atingida por uma onda de calor, Zhang usou os
modelos para simular as condições do tempo no período.
Essa onda de calor foi "horrível e perigosamente
quente", segundo Russell Dickerson, químico atmosférico
e coautor do estudo, que está publicado no Geophysical
Research Letters.
Calor estagnado
Os modelos confirmaram que o calor havia sido maior em
Baltimore do que em Washington. Baltimore chegou a 37,5
C enquanto Washington teve uma temperatura relativamente
mais amena, de 36,5 C. Além disso, a qualidade do ar em
Baltimore foi muito pior, com os níveis de ozônio
chegando a 125 partes por bilhão (ppb) em comparação a
85 ppb em Washington. A Agência Americana de Proteção
Ambiental recomenda um nível máximo de ozônio na
superfície de 75 ppb. As quantidades de material
particulado em Baltimore também foram mais altas do que
em Washington.
"O efeito da ilha de calor foi pior em Baltimore do que
em Washington", disse Dickerson, e isso não pode ser
explicado simplesmente pela física dos edifícios e das
superfícies rodoviárias de Baltimore, ele acrescentou. O
efeito é necessariamente uma consequência da dinâmica do
clima na área.
Os ventos predominantes na região em julho de 2007
vinham do sudoeste. Também houve uma brisa vinda da Baía
de Chesapeake, a leste de Baltimore. O modelo mostrou
que o ar quente das duas ilhas de calor de Washington e
Columbia foi transferido para Baltimore pelo vento
predominante e se estagnou por causa da brisa da baía,
fazendo as temperaturas se elevarem e a poluição
permanecer sobre a cidade, que também ficou sujeita à
sua própria ilha de calor.
Quando Zhang e sua equipe substituíram Washington por
árvores em outra simulação, a temperatura esfriou em
Baltimore. O efeito da ilha de calor foi reduzido em 25%
e a cidade ficou 1,25 C mais fria.
"A ilha de calor urbana é um fenômeno conhecido, mas se
acreditava que ela fosse algo bem pontual", disse
Gabriele Curci, que estuda qualidade do ar e transporte
de poluição na Universidade de L¿Aquila, Itália. Ele
sugere que esse trabalho irá ajudar a decidir quais os
melhores lugares para instalar balões de monitoramento
da qualidade do ar.
"É bom saber que a ilha de calor urbana não tem apenas
um efeito local", disse Susanne Grossman-Clarke, do
Instituto Global de Sustentabilidade da Universidade
Estadual do Arizona em Tempe. "Os urbanistas pensam
apenas no aspecto local da ilha de calor", ela
acrescenta. "A cidade está no contexto de outras
cidades."
Dickerson concorda que, sob a luz de seu trabalho, os
urbanistas devem prestar mais atenção nas influências
exteriores das ilhas de calor urbanas. E eles talvez
façam isso, já que a pesquisa foi apoiada em parte pelo
Departamento do Meio Ambiente de Maryland para
determinar como a plantação de árvores pode ajudar a
melhorar a qualidade do ar, segundo Dickerson. Zhang
está atualmente trabalhando na China, assessorando nos
problemas de ilhas de calor do país.
"Um pequeno Estado como Maryland não pode fazer muito
para ajudar a combater a mudança climática global, mas
existem coisas que podem ser feitas para mitigar os
impactos adversos do clima localmente", diz Dickerson.