Poluição urbana pode afetar fertilidade masculina
Taxista, motoboys e outros homens que passam muito tempo
no trânsito devem ficar atentos: poluição urbana pode
causar infertilidade masculina, diz pesquisa da
Universidade de São Paulo (USP). O trabalho indica que
até mesmo homens que ficam expostos à poluição por pouco
mais de duas horas ao dia são afetados.
"O estudo é a primeira evidência de que a poluição
atmosférica e veicular contribui para a infertilidade
masculina. A poluição cria disfunção na produção de
espermatozoides e aumenta a quantidade de radicais
livres, que são tóxicos para os espermatozoides, no
sêmen. O espermatozoide passa a não reconhecer o óvulo,
causando infertilidade", explica o urologista Jorge
Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia
Reprodutiva e Andrologia da USP.
O trabalho apontou ainda que a poluição também torna o
espermatozoide mais lento. Segundo o médico, o problema
é causado pela gasolina e pelo diesel, que concentram
uma grande quantidade de metais pesados, que são
lançados no ar. "Há indícios de que esses combustíveis
têm algum componente que desencadeia uma reação
imunológica no organismo, que passa a reconhecer o
espermatozoide como uma célula invasora, que passa a ser
atacado pelo organizmo", diz.
Segundo Hallak, dos 748 pesquisados, 500 apresentaram
algum tipo de alteração na fertilidade. O trabalho foi
realizado com três grupos: um de homens férteis, o
segundo de homens com problemas de fertilidade e o
terceiro de taxistas e motoboys, que passam entre seis e
oito horas por dia expostos à fumaça dos carros.
Saúde pública
"Isso é um problema grave, de saúde pública, que precisa
ser discutido e resolvido", afirma Hallak, que defende
mudanças na fórmula dos combustíveis. Ele afirma ainda
que os homens não devem buscar clínicas como primeira
opção à dificuldade de ter filhos. "Hoje, muitos
problemas já são revertidos nos consultórios e as
pessoas conseguem ter filhos da forma natural", diz.