Aquecimento Global duplica calamidade nas
cidades brasileiras
O número de municípios que decretaram estado de
calamidade pública ou de emergência no primeiro semestre
de 2010 já é superior ao total registrado em todo o ano
de 2009. Foram 1.635 portarias de reconhecimento
emitidas de 1° de janeiro a 16 de junho contra 1.389 em
todo o ano passado. O levantamento foi feito pela
Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com base nas
portarias emitidas pela Secretaria Nacional de Defesa
Civil.

O estado de emergência é decretado quando há
reconhecimento pelo poder público de situação anormal,
provocada por um ou mais desastres, que causa "danos
superáveis" à comunidade afetada. Já a situação de
calamidade é um reconhecimento de que há "sérios danos à
comunidade afetada, inclusive à incolumidade ou à vida
de seus integrantes".
A maioria das portarias emitidas em 2010 se referem a
desastres relacionados às chuvas, incluindo enchentes,
alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra,
inundações, vendavais e granizo. São 1.028 registros, o
que representa 62% do total. Em seguida, aparecem os
desastres relacionados à seca, com 588 ocorrências.
As regiões Sul e Nordeste foram as mais afetadas durante
2010, com 753 e 472 portarias emitidas respectivamente.
Já entre os Estados, os que tiveram mais decretos
emitidos no período foram Santa Catarina (380), Rio
Grande do Sul (286), Bahia (177) e Minas Gerais (166).
A entidade destaca que, entre 2003 e 2009, "vários
municípios sofreram problemas recorrentes". Na lista dos
30 mais afetados está Sobral (CE), com 18 portarias
emitidas durante o período. "No Brasil, todos os anos,
ocorre uma repetição de desastres naturais. Com a
crescente urbanização em áreas inadequadas, consideradas
de risco, os danos humanos e os prejuízos econômicos se
agravam cada vez mais", disse o estudo.