Calor na Rússia afasta idéia de benefício
com mudança climática
A forte onda de calor no verão russo alterou as
perspectivas de que países hemisfério norte poderiam ter
benefícios com as mudanças climáticas, obtendo vantagens
como o prolongamento da estação do plantio ou diminuição
do número de mortes causadas por invernos rigorosos,
disseram especialistas. A onda de calor na Rússia dobrou
a taxa de mortalidade em Moscou, arruinou um quarto da
colheita de grãos do país e poderá levar à perda de US$
14 bilhões do Produto Interno Bruto do país
Canadá, países nórdicos e a Rússia vinham sendo listados
entre as poucas nações de clima frio que se
beneficiariam com o aquecimento global. Entre as
vantagens, estariam menos gastos com aquecimento durante
o inverno, mais florestas e lavouras e, talvez, mais
turismo de verão. O presidente russo Dmitry Medvedev
atribuiu a forte onde de calor, de dois meses de
duração, às mudanças climáticas, apesar de muitos
especialistas dizerem ser impossível a relação entre
clima de determinada área e mudanças gerais.
"Como consequência disso, deverá haver uma consciência
maior de que muitos perigos surgem com a mudança do
clima", disse Kevin Trenberth, chefe do setor de análise
de climas do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas,
em Boulder, nos Estados Unidos. "Não é benigna a
mudança, mesmo propiciando uma estação mais longa de
plantio nas nações do norte", disse ele.
Muitas pessoas nos países nórdicos e no Canadá estão
mais preocupadas com os efeitos colaterais nocivos da
redução do clima frio, incluindo o risco de pragas de
insetos para as lavouras e florestas, normalmente
afastados pelas geadas de inverno. Mas essa crença é
menos disseminada na Rússia, onde o primeiro-ministro
Vladimir Putin fez no passado declarações sobre os
benefícios do aquecimento global.