Prejuízo ambiental causado até 2008 é de
R$11.2 trilhões de reais
Representantes de empresas de 25 países participaram na
terça-feira, 5 de outubro, de uma cúpula empresarial
sobre mudanças climáticas realizada no México. Os
empresários elaboraram uma declaração ao final do
evento, na qual defendem que os governos devem
estabelecer metas "ambiciosas, mensuráveis e claras" de
redução de emissões dos gases causadores de estufa até
2020.

Os empresários constatam que a criação de "economias
baixas em carbono é um imperativo social" e estabelecem
compromissos em cinco setores: energético, informação e
telecomunicações, construção, agricultura e alimentação
e transportes.
No setor energético, as companhias acreditam na
possibilidade de se ter 100% de energia renovável no
planeta até 2050. "Esta é uma declaração muito
importante porque este é o coração do problema: como
eliminarmos os combustíveis fósseis. Dizem que podemos
fazê-lo com as tecnologias que já existem", afirmou o
diretor-geral do Fundo Mundial para a Natureza, James
Leape, na entrevista coletiva final.
"As mudanças climáticas são o maior desafio econômico,
ambiental e de desenvolvimento de nosso tempo",
advertiram os empresários por meio da declaração
elaborada a menos de dois meses da 16ª Conferência das
Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP16), que será
realizada em Cancún, no México.
Entre as empresas presentes estavam: Acciona, Alstom,
British Telecom, Walmart, Tata, Bimbo, Hewlett Packard,
AP Moeller Maersk, Coca-Cola, Siemens, Nestlé, Calera,
Cemex, Deloitte, McKinsey e Tria Solar.
A reivindicação das corporações do setor privado em
relação aos governos foi feita no mesmo dia em que o
Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente)
acusou as 3.000 maiores empresas do mundo de
responsabilidade por um terço dos danos ambientais em
2008.
Segundo o órgão da ONU, o custo dos danos ambientais
causados por essas grandes organizações chega ao valor
de US$ 2,15 trilhões. O comunicado se baseia em um
estudo que calcula o valor monetário do prejuízo da
atividade empresarial sobre a natureza e das possíveis
cifras futuras destes danos para os investidores.
O custo econômico da atividade humana, em geral, causou
prejuízos ao meio ambiente na ordem de US$ 6,6 trilhões
em 2008, o equivalente a 11% do PIB (Produto Interno
Bruto) mundial, de acordo com o relatório do Pnuma.