Aquecimento global aumenta volume de
chuva, causando morte e prejuízos
Sudeste
A tempestade que atinge a região Sudeste já matou 19
pessoas desde o dia 25 de dezembro, de acordo com a
Secretaria Nacional de Defesa Civil. "Do Natal para cá,
foram cinco mortos no Espírito Santo, 12 em Minas
Gerais, e no Rio de Janeiro tivemos duas mortes e um
desaparecimento", disse o chefe do Centro Nacional de
Gerenciamento de Risco e Desastres, Armin Augusto Braun.

Ele afirmou que o Espírito Santo é o Estado mais
afetado, com 33 municípios em estado crítico, seguido
por Minas Gerais. "Quanto a desabrigados e desalojados,
até o momento temos 17.093 no Espírito Santo, 1.766 em
Minas Gerais e 3.441 no Rio de Janeiro".
De acordo com Braun, os principais riscos deste período
de chuva mais intensa são as inundações e deslizamentos
de encostas. "Mesmo sem nenhum risco extremo previsto
para essa região nos próximos dias, se a área é de
risco, o morador deve sair o quanto antes da residência
e buscar a defesa civil municipal. Se for caso de risco
à vida, procurar o Corpo de Bombeiros para informações
de como proceder", afirmou.
Segundo o meteorologista Claudenir de Azevedo do
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Minas
Gerais, algumas regiões ainda sofrerão com as chuvas nos
próximos dias. "Tivemos um período com muitas chuvas e
ainda estamos passando por ele. A tendência para os
próximos dias é que a chuva se concentre no sul do
estado, no Triângulo Mineiro e na Zona da Mata. Na
capital, a previsão é que a chuva tenha uma redução a
partir de quinta-feira e teremos então uma certa
melhoria no índice pluviométrico".
O Inmet no Rio de Janeiro, que também é responsável pelo
Estado do Espírito Santo, informa que a tendência
capixaba é que o tempo melhore já a partir de
quarta-feira. "Nesta terça ainda chove um pouco por lá",
afirmou o meteorologista Almerino Marinho. Já a previsão
para o Rio de Janeiro continua sendo de chuva,
principalmente na região serrana. "Mas essa chuva vai
dar uma acalmada a partir de quinta-feira".
Rio de Janeiro
A Defesa Civil de Petrópolis (RJ) interditou quatro
casas nesta terça-feira em função da chuva que atinge a
cidade e que pode provocar deslizamentos. Segundo a
assessoria da prefeitura, um abrigo foi montado para
atender os 15 moradores dessas residências. Na
quarta-feira, a Secretaria de Assistência Social e
Direitos Humanos vai encaminhar à cidade colchonetes,
água e cestas básicas.
Desde o dia 23 de dezembro, a Defesa Civil registrou
cerca de 460 ocorrências, sendo 252 deslizamentos de
terra em residências. A Secretaria de Obras identificou
60 pontos onde serão necessárias intervenções, como em
pontes e ruas.
Durante a madrugada, três crianças morreram por causa de
um deslizamento de terra. Segundo a Defesa Civil, a casa
foi construída em área imprópria. Outras quatro pessoas
conseguiram escapar do acidente.
Minas Gerais
A chuva que atinge Minas Gerais há pelo menos uma semana
já começa a provocar alagamentos em algumas cidades,
principalmente na região sul do Estado. Em Itapeva,
próximo à divisa com São Paulo, o rio Camanducaia
transbordou e inundou casas e lojas.
Pelo menos dez residências foram atingidas e os
moradores tiveram que ser alojadas em casas de parentes
e em uma escola municipal. Na zona rural, também foram
registrados alagamentos e pelo menos três pontes foram
danificadas. Funcionários da prefeitura e da Defesa
Civil visitam os imóveis atingidos para saber se houve
danos na estrutura. Também é feita a limpeza das
residências e ruas.
No município de Camanducaia, o rio transbordou e inundou
ruas da periferia da cidade. Um posto de saúde teve que
ser fechado. Segundo a prefeitura, o nível do rio
começou a baixar na manhã desta terça-feira, mas as
áreas de risco ainda são monitoradas. Não há registro de
desabrigados.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a
previsão é a de que a chuva no Sul de Minas Gerais
continue até amanhã. Já a Defesa Civil estadual (Cedec)
emitiu um alerta para as próximas 24 horas para a região
e também para as regiões Oeste, Campo das Vertentes e
Zona da Mata do Estado, onde há previsão de chuva com
forte intensidade. O volume de precipitação acumulado
poderá chegar a 100 mm.
De acordo com o balanço atualizado nesta terça-feira
pela Cedec, 47 cidades mineiras já decretaram situação
de emergência por conta dos estragos causados pelas
inundações e deslizamentos. Segundo a Cedec, 15 pessoas
morreram e mais de 12 mil pessoas estão desalojadas,
além de 1,6 mil desabrigados. Cerca de 1,2 milhão de
pessoas já foram afetadas pelos temporais desde o início
do período chuvoso, em novembro do ano passado. Destas,
954 mil moram em Belo Horizonte, onde chove
ininterruptamente há quatro dias.
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