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Mudanças climáticas ameaçam 30 milhões em Bangladesh
Alheios às discussões internacionais sobre mudanças climáticas, milhares de
moradores de Bangladesh tornam-se refugiados ambientais todos os anos, e o
aquecimento global pode elevar o número de pessoas afetadas por inundações,
ciclones e tufões para 30 milhões, de acordo com o Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
O país de maior densidade populacional do mundo tem mais de 140 milhões de
habitantes que vivem em uma área de 14,4 milhões de hectares, a grande maioria
na pobreza. A situação geográfica do país favorece enchentes regulares, já que
está pouco acima do nível do mar e abriga a foz de três grandes rios: o Ganges,
o Brahmaputra e o Meghna.
Em meio ao debate do aquecimento global, o governo bengalês já trabalha com a
certeza de que as coisas vão piorar. As previsões do IPCC dão conta de que até
70% das terras mais baixas de Bangladesh podem simplesmente sumir do mapa com
uma elevação do nível do mar de menos de um metro.
"Para nós, não é uma questão de "se", e sim, de "quando" e "quão", disse à BBC
Brasil o ministro do Meio Ambiente e da Agricultura de Bangladesh, Chowdhry S.
Karim.
Diante da ameaça, em 2005 o governo lançou um plano de adaptação às mudanças
climáticas, que inclui ações de reflorestamento nas zonas costeiras, construção
de abrigos para vítimas de enchentes e uma integração das mudanças climáticas no
planejamento e execução de projetos de infra-estrutura do país.
"A conscientização pública é o mais importante: temos que estar prontos para o
que provavelmente vai acontecer", disse Karim.
Pobreza
A questão, no entanto, é como um país que já enfrenta graves problemas de
pobreza, com uma população que cresce rapidamente, pode se adaptar a mudanças
radicais que podem reduzir em 20% o território do país.
"Temos que ser proativos", respondeu Karim.
Bangladesh lidera o grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em
inglês) nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas e conta com
forte atuação de dezenas de organizações não-governamentais (ONGs) e da
Organização das Nações Unidas (ONU).
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