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Degradação florestal aumenta a
população de carrapato em SP
Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em
parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da
Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, identificou uma hipótese
para explicar a diferença no número de casos da febre maculosa (ou
"febre do carrapato"), transmitida através do carrapato Amblyomma
aureolatum (ou carrapato amarelo do cão) entre as regiões sul e
norte da capital paulista.

Fotô:ipevs.org.br |
Os pesquisadores
observaram que a ocorrência da febre
maculosa está relacionada ao estado de
conservação dos fragmentos florestais nas
quais está o carrapato transmissor. As áreas
nas quais os fragmentos florestais estão
mais conservados e apresentam maior
diversidade de espécies de animais, como as
da região norte de São Paulo, não apresentam
casos da doença. Já em áreas onde a
vegetação foi destruída e poucas espécies de
animais permaneceram, como na região sul da
cidade, há maior incidência de febre
maculosa. |
Os resultados do estudo, foram publicados no início de maio no
periódico Parasitology e irão nortear o controle da febre maculosa
na região metropolitana de São Paulo. "Comparamos a diversidade de
animais entre as duas regiões da zona metropolitana de São Paulo e
observamos que na região norte, onde não há casos da doença, as
áreas de vegetação são mais bem preservadas e apresentam maior
diversidade de animais, enquanto nos municípios da região sul há
áreas muito pobres em espécies de animais. Isso pode ser um fator de
prevalência da doença", disse Maria Halina Ogrzewalska, autora da
pesquisa.
De acordo com a pesquisadora polonesa, em fragmentos florestais bem
preservados e com grande diversidade de espécies, o carrapato
Amblyomma aureolatum parasita diferentes tipos de animais
silvestres, como esquilos, aves e ratos, cuja habilidade de
transmitir a bactéria Rickettsia rickettsi varia.
Já nos fragmentos florestais mais degradados, onde boa parte dos
animais desapareceu por consequência da destruição ambiental, os
pesquisadores suspeitam que exista uma chance maior de o carrapato
parasitar espécies generalistas, que podem ser justamente os animais
com maior capacidade de infectá-los com a bactéria causadora da
febre maculosa. "A maior diversidade de espécies de animais
silvestres de uma região diminui a possibilidade de o carrapato se
infectar com um patógeno, porque ele tem maior chance de se
alimentar de um animal com baixa capacidade de amplificar a
bactéria, o que resulta em menores taxas de infecção entre os
carrapatos na região. Isso pode ser um dos fatores pelos quais em
regiões de mata bem preservada não há registros de casos de febre
maculosa", apontou Ogrzewalska.
A doença é transmitida para os humanos por meio de carrapatos de
cães domésticos, que ficam soltos nas comunidades situadas em bordas
de mata, como as na periferia da região metropolitana de São Paulo.
Ao entrarem na mata, os animais podem ser parasitados pelo carrapato
e levá-los para dentro das casas, onde podem picar e infectar
pessoas com a bactéria causadora da febre maculosa.
Porém, os cães domésticos possuem anticorpos específicos contra a
bactéria Rickettsia rickettsi e, em função disso, geralmente não
adoecem e apresentam cura espontânea. Por isso, são considerados
ótimos "sentinelas". Já em humanos infectados, se não forem tratados
a tempo, a febre maculosa pode ser letal. "Estimamos que, nessas
áreas da região metropolitana de São Paulo que registram casos da
doença, se os pacientes não forem tratados a tempo a letalidade pode
chegar a quase 100%", disse Adriano Pinter, pesquisador da Sucen.
Com informações da Agência Fapesp
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