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Quanto tempo � poss�vel sobreviver sem c�rebro?

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir nesta quarta-feira se as mulheres podem interromper a gesta��o de fetos anenc�falos. A anomalia ocorre quando o embri�o n�o desenvolve o c�rebro e o cerebelo. Alguns especialistas defendem que o direito dessas crian�as � vida deve ser respeitado, enquanto outros alertam para os riscos e traumas de uma gesta��o desse tipo. Mas afinal, � poss�vel que um beb� que nasce sem c�rebro sobreviva por muito tempo?

A anencefalia � caracterizada por uma m� forma��o do feto, que n�o desenvolve o c�rebro e o cerebelo


Foto: Getty Images/Terra


Segundo o m�dico docente em gen�tica na Universidade de S�o Paulo (USP) e especialista em medicina fetal, Thomaz Rafael Gollop, a sobrevida sem a estrutura cerebral �, na maioria dos casos, de poucas horas. "A anencefalia � um defeito cong�nito, que atinge o embri�o por volta da quarta semana de desenvolvimento, ou seja, numa fase muito precoce. Em fun��o dessa anomalia, ocorre um erro no fechamento do tubo neural, sem o desenvolvimento do c�rebro", diz. Para Gollop, a chance de sobrevida por um per�odo prolongado � "absolutamente invi�vel".

Cinquenta por cento das mortes em casos de anencefalia s�o provocadas ainda na vida intrauterina. Dos que nascem com vida, 99% morrem logo ap�s o parto e o restante pode sobreviver por dias, ou poucos meses. "Os que sobrevivem, conseguem fazer o movimento involunt�rio de engolir, respirar e manter os batimentos card�acos, j� que essas fun��es s�o controladas pelo tronco cerebral, a regi�o que n�o � atingida pela anomalia. Alguns n�o precisam do aux�lio de aparelhos e chegam at� a serem levados para casa, mas vivem em estado vegetativo, sem a parte da consci�ncia, que � de responsabilidade do c�rebro", afirma o professor de bio�tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jos� Roberto Goldim.

O especialista em bio�tica defende que � um equ�voco afirmar que os beb�s anenc�falos s�o "natimortos cerebrais". Ele diz que o Conselho Federal de Medicina revogou uma resolu��o em 2010 que tratava os casos de anenc�falos como morte encef�lica, j� que eles apresentam uma "viabilidade vital". "O mais importante � desmistificar a vis�o de que a anencefalia � incompat�vel com a vida extrauterina. Temos um caso em Porto Alegre, no Hospital de Cl�nicas da UFRGS, de paciente que viveu quatro meses. Enquanto para algumas m�es � um sofrimento levar adiante uma gesta��o que vai resultar em morte, para outras � importante permitir o curso natural at� a morte", diz ao defender o direito de escolha nesses casos.

J� os casos de beb�s que apresentam uma sobrevida maior - de at� 2 anos - os especialistas concordam que n�o podem ser considerados anencefalia. Thomaz Gollop cita como exemplo a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, que sobreviveu 1 ano e 8 meses ap�s ser diagnosticada como anenc�fala. Para o geneticista, esse � um caso extremamente raro de uma anomalia chamada merocrania - quando h� resqu�cios do c�rebro revestido por uma membrana que protege contra infec��es e prolonga a expectativa de vida. "Mesmo assim, todos os casos tamb�m culminam na morte".

Brasil � o quarto Pa�s com maior incid�ncia de casos
A incid�ncia � de aproximadamente um em cada mil nascimentos no Brasil. "Isso corresponde a cerca de 3 mil casos por ano", afirma Gollop. Segundo ele, o Pa�s � o quarto do mundo com o maior n�mero de casos de anencefalia. Em primeiro lugar est� o Pa�s de Gales. "N�o sabemos por que da incid�ncia maior nesses pa�ses, j� que apresentam caracter�sticas t�o diferentes", afirma.

A ci�ncia ainda n�o sabe explicar exatamente as causas da anencefalia. Gollop explica que ela � uma condi��o multifatorial, influenciada por fatores gen�ticos, ambientais, sazonais e geogr�ficos. O m�dico disse ainda que h� formas de prevenir pelo menos metade das ocorr�ncias a partir da ingest�o de �cido f�lico (um tipo de vitamina B) dois meses antes e no primeiro m�s da gesta��o.

Diagn�stico
O diagn�stico pode ser feito a partir do terceiro m�s de gesta��o por meio de uma ultrassonografia. Segundo Gollop, mesmo que a anomalia seja detectada precocemente, n�o h� mecanismos que possam ser adotados para salvar o feto. Segundo ele, a partir do diagn�stico as m�es que querem interromper a gravidez precisam recorrer a uma decis�o judicial, que normalmente leva em torno de 15 dias. Se os ministros do STF decidiram pela regulamenta��o da interrup��o da gravidez nesses casos, Gollop destaca que as m�es que desejarem manter a gesta��o ter�o seu direito assegurado. "Muitas m�es preferem seguir com a gesta��o e isso tamb�m precisa ser respeitado", afirma.

Os especialistas afirmam que esse tipo de gesta��o apresenta alguns riscos. Como a crian�a n�o tem reflexos para engolir o l�quido amni�tico, ele fica retido no �tero, que pode n�o contrair na hora do parto, provocando hemorragias. Outros problemas mais comuns em gesta��es de risco podem ocorrer, como desenvolvimento de hipertens�o e deslocamento da placenta.

Com informa��es do Terra

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