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Prefeito de Maceió é cassado por fraude
no lixo
O Ministério Público Estadual de Alagoas entrou com ação
civil pública por ato de improbidade administrativa
contra o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), o
ex-superintendente de Limpeza Urbana, João Vilela, o
atual superintendente, Ernande Baracho, e mais cinco
empresas de lixo. Todos são acusados de desviar R$ 200
milhões de contratos do lixo nos últimos cinco anos.

O MP quer a perda de cargo, pagamento de multa e
ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos. "Foi uma
fraude grosseira", disse o promotor de Justiça Marcus
Rômulo. Os desvios, de acordo com ele, envolviam a
pesagem do lixo nas balanças. O material era pago por
quilo, mensalmente. "O técnico atestava que a balança
estava quebrada e o lixo era pesado nas empresas. Fiz
uma análise de apenas um mês. Atestei que a balança
funcionava", disse o promotor.
Os valores do lixo eram superfaturados. Em 2005, a
prefeitura pagava R$ 464 mil a Marquise, empresa de
lixo. Um ano depois, a empresa foi substituída pela Viva
Ambiental, com um contrato quase oito vezes superior: R$
3,3 milhões mensais.
"Isso sem contar as sucessivas fraudes que foram
efetuadas para que a empresa pudesse substituir a
antecessora no recolhimento de resíduos. Para se ter uma
ideia, a Viva passou 18 meses como responsável pelo lixo
da capital sem nenhuma licitação, além de vencer, sem
dificuldades, o processo licitatório realizado em 2008",
disse o promotor.
As investigações reúnem 6.800 páginas, 180 delas
correspondem apenas a petição encaminhada ao Judiciário,
para pedido de afastamento do prefeito do cargo. "Em
outra parte da investigação, constatamos que uma empresa
de lixo- a Limpel- tinha contrato de cinco anos. Rompeu
o contrato faltando três meses para acabá-lo. O prefeito
contratou outra empresa - a Marquise - emergencialmente.
Descobrimos que a empresa que rompeu o contrato fez isso
de forma amigável, diferente da versão atual", disse o
promotor.
Assessores do prefeito não atenderam às ligações, para
se manifestarem sobre o assunto. As empresas de lixo
citadas na ação - Marquise, Viva Ambiental, EBR
Consultoria e Limpel - não atenderam às ligações nem se
manifestaram.
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