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Moradores convivem com água suja e doenças há dois meses
em SP
Os moradores do Jardim Helena, na zona leste de São
Paulo estão entre os mais afetados pelas chuvas diárias
que caem sobre São Paulo há quase dois meses. Em algumas
ruas, mais próximas do rio Tietê, a água não baixou
completamente desde 8 de dezembro.

"Agora, dizemos que está 'seco', já que normalmente
quando chove a água chega acima da cintura", diz a
doméstica Sônia, apontando a água escura que cobre o
chão até a altura da canela. Assim como outros
proprietários de casas na travessa Laranjeiras, Sônia
teve que deixar sua casa, onde mantinha um bar, e
procurar refúgio em outro lugar após desistir de
combater as águas por mais de um mês.
O autônomo Antônio, outro que saiu de sua casa inundada,
conta que, de 8 de dezembro até o final de janeiro,
colocava o celular para despertar de tempos em tempos
durante a noite por medo de ser surpreendido pelo rio
enquanto dormia.
"Comecei a fazer isso depois que fui acordado pelo
cachorro, que deu o alarme de que a água estava subindo
rapidamente", diz. Ele afirma que costumava dormir com a
água a poucos centímetros de distância do colchão.
Os moradores dizem que a água escura e mal-cheirosa
costuma atrair ratazanas, peixes e cobras, além do medo
de doenças. É possível ver colônias de mosquitos por
toda a parte. "Antes, gastávamos um dinheirão com
inseticida, mas agora a gente queima casca de ovo, para
espantar os mosquitos", diz a auxiliar de enfermagem
Edileuza, dona de um sobrado no local.
Ela diz que, nos piores momentos, chegou a hospedar 17
pessoas no andar de cima de seu sobrado. Hoje, no
entanto, olha as rachaduras na estrutura, surgidas
segundo ela no último mês em que esteve em contato com a
água, e diz não saber quanto tempo a casa ficará de pé.
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