|
Chuvas castigam o Rio de Janeiro, mais de
90 mortos
Chuvas alagam Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido
nesta terça-feira deixou ao menos 94 mortos no Estado,
informou o Corpo de Bombeiros. Por volta das 16h42,
segundo a agencia meteorológica Climatempo, voltou a
chover na cidade. De acordo com a corporação, o número
de mortos pode aumentar porque diversos corpos ainda
estão sendo contabilizados em Niterói.

"Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de
Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos
locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover,
estamos abrindo nossos frontes de trabalho", disse o
sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros. O número de
feridos é de ao menos 44.
A maioria das mortes, 40, aconteceu em Niterói, no
Grande Rio, disseram os Bombeiros. Segundo a corporação,
na capital houve 36 vítimas fatais. Outras cidades
afetadas foram São Gonçalo e Nilópolis.
No morro do Borel, na Tijuca, a bebê Ana Marcele
Barbosa, de cinco meses, uma jovem de 16 anos e
Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas
no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas
ficaram feridas.
No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco
vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na
rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais
cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro
do Turano, ambos na zona norte. A tragédia também fez
uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste.
A Defesa Civil contabilizou 12 mortos e 15 feridos no
Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O caos também se
abateu sobre a Região Metropolitana. A prefeitura de
Niterói informou que as mortes no município em
decorrência do temporal já somam 14 pessoas. Em São
Gonçalo, o número chega a nove. Segundo os bombeiros,
muitos corpos ainda estão desaparecidos. Nilópolis, na
Baixada Fluminense, registrou uma vítima. Em Petrópolis,
na Região Serrana, houve a notificação de uma pessoa
morta.
Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a
população foi orientada a permanecer em casa e deixar
áreas de risco. Foram registrados pelo menos 180
deslizamentos e há ainda muitos desaparecidos.
O prefeito Eduardo Paes (PMDB) informou que em menos de
24 horas choveu em média 288 mm na cidade, e que havia
pelo menos 10 mil residências em locais de risco,
principalmente em morros e favelas. "É a maior chuva das
grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", disse.
"A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas
e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não
saiam de casa, não levem seu filho à escola até que
possamos avaliar melhor a situação e alterar a
orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem
muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em
áreas de risco. A situação é muito crítica", disse o
prefeito.
De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo,
num período de 12 horas entre segunda e terça-feira
choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio
de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do
Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração
do Crescimento na comunidade.
"As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em
locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a
jornalistas no Rio, antes de participar de evento na
sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social.
"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das
pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda
por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do
Rio, Sérgio Cabral.
Alagamentos
A Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e
inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira,
na região central, alagou logo no início do temporal na
segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou
que tentavam cruzar a região ficaram submersos, muitos
foram abandonados.
Prédio ameaça desabar
Um prédio de quatro andares na estrada do Rio Jequiá, na
Ilha do Governador, corre risco de desabar. Bombeiros de
várias unidades foram deslocados para o local.
Mais chuva
Segundo a Climatempo, a chuva ainda deve atingir o Rio.
Uma forte frente fria avança pelo Sudeste do Brasil e o
intenso contraste térmico entre o ar polar e o ar quente
tropical mantém as condições de chuva constante. Além
disso, a temperatura superficial das águas do Atlântico,
perto do litoral fluminense, está cerca de 2°C acima do
normal.
Em menos de 12 horas foram acumulados, em algumas áreas
da cidade, cerca de 300 mm de chuva. No geral o volume
acumulado variou entre 150 e 300 mm. O volume normal
para todo o mês de abril é de cerca de 140 mm. Ainda
chove de forma constante ao longo do dia de hoje,
totalizando pelo menos cerca de 70 mm nesta terça-feira.
Além disso, o mar sobe muito nas próximas 24-36 horas.
Há previsão de ressaca entre esta quarta e quinta-feira.
Aeroportos
O aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pousos e
decolagens durante três horas na manhã desta
terça-feira. O terminal alternou períodos de
funcionamento e suspensão das atividades. Às 16h, o
boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura
Aeroportuária (Infraero) registrava 28 atrasos (27,5%) e
68 cancelamentos (66,7%).
Ainda de acordo com a Infraero, o Galeão, que operou por
instrumentos durante o dia, também tinha problemas, com
38 dos 78 voos atrasados (48,7%) às 16h.
Transporte
A Secretaria de Transportes informou que a operação do
metrô continua normal na tarde desta terça-feira com
intervalos de 6 minutos nas linhas 1 e 2. Os trens
operados pela SuperVia também circulam regularmente em
todos os ramais, inclusive na linha para Saracuruna,
normalizada às 15h30.
Para quem utiliza as barcas, a volta para casa também
está garantida. Os intervalos na travessia Rio-Niterói
são de 30 minutos. Por determinação da Capitania dos
Portos, e em função da baixa visibilidade no mar, as
embarcações estão operando com velocidade reduzida e
auxílio de instrumentos. A linha Rio-Charitas continua
interrompida em função da previsão de ondas de até 3 m.
As viagens para Cocotá a partir do Rio serão retomadas a
partir das 17h.
Aulas suspensas
A Secretaria de Educação do Rio anunciou que os
estabelecimentos de ensino da rede municipal devem
suspender as aulas nesta terça-feira. A decisão se deve
aos alagamentos causados pelo temporal de 13 horas que
atingiu a cidade. A informação é da Globo News.
Ministério Público fechado
O Ministério Público (MP) suspendeu as atividades em
todo o Estado devido à forte chuva que atinge o Rio de
Janeiro.
Energia
As equipes da Light estão mobilizadas para atender as
ocorrências de emergência e restabelecer o fornecimento
de energia em trechos de ruas de alguns bairros. A Light
esclarece aos seus clientes que está com um grande
volume de ligações. A empresa, no dia de hoje, concentra
seu call center nos atendimentos de emergência pelo
Disque-Light Emergência (0800-0210-196). As agências
comerciais da Barra da Tijuca, Copacabana, Ilha do
Governador e Santa Cruz não realizam atendimento hoje.
As outras unidades estão operando de forma emergencial.
Neste momento, a empresa trabalha com 60% do efetivo e
continua em contato com residências de funcionários para
viabilizar o transporte ao local de trabalho. A Light
registra interrupções em trechos de ruas dos seguintes
bairros: Tijuca, Botafogo, Ilha do Governador, Barra da
Tijuca, Laranjeiras, São Conrado, Santa Teresa e Rio
Comprido. Especificamente em Botafogo, o alagamento de
galerias subterrâneas e acúmulo de detritos dificultam o
acesso aos cabos e equipamentos.
Na estrada Grajaú-Jacarepaguá, os técnicos da empresa
continuam trabalhando para restabelecer o fornecimento,
onde houve queda de postes após deslizamento de terra.
Equipes da Light também estão em Santa Teresa, Morro do
Borel, Andaraí, Horto e Alto da Boa Vista para realizar
manutenção em postes e na fiação elétrica, danificados
por deslizamentos e pela queda de galhos de árvores. No
Morro do Borel e no Andaraí, a Light auxilia o trabalho
do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
Devido aos alagamentos, as equipes encontram
dificuldades para acessar alguns locais que necessitam
de reparos ou manutenção corretiva. Nessas
circunstâncias, para prevenir que as pessoas fiquem
presas nos elevadores devido a eventuais interrupções no
fornecimento de energia, a Light recomenda que, sempre
que possível, dêem preferência ao uso das escadas.
O fornecimento foi restabelecido em trechos da Taquara,
Recreio, Vila Isabel e São Cristóvão.
Trânsito
A CET-Rio informa que a Rua Jardim Botânico na tarde
desta terça-feira. Porém, a saída do túnel Rebouças para
a avenida Epitácio Pessoa segue interditada, assim como
a saída para a avenida Borges de Medeiros, devido a
bolsões d'água que impedem a passagem de veículos nestas
vias.
Para os motoristas que saem do túnel Tebouças em direção
à Copacabana, o retorno está sendo feito pelo Humaitá,
seguindo pelo túnel Velho. Vale lembrar que o acesso ao
túnel Rebouças pelo Cosme Velho também está interditado.
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|