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Chuva forte deixa 3 mil desabrigados em
Sergipe
Após um dos maiores temporais já registrados em sua
história, o Estado de Sergipe contabilizou nesta
terça-feira mais de 3 mil desabrigados. A situação mais
grave é na capital, Aracaju, onde 830 pessoas estão
desalojadas, 895 desabrigados e quatro ficaram feridos.
Nenhuma morte foi registrada. As chuvas ocorrem desde
quinta (6). Hoje, a coordenação estadual da Defesa Civil
detectou 121 pontos de alagamentos com a tempestade
registrada pela manhã.

O trânsito ficou caótico, as ruas se transformaram em
lagoas, diversos semáforos quebraram e muitas famílias
deixaram de levar os filhos à escola, a exemplo da
comerciante baiana Maria Elvira de Oliveira, 34 anos.
Natural de Alagoinhas, ela mora há 10 anos em Aracaju, e
disse que está assustada com a força das chuvas.
O susto de Maria Elvira coincide com a perplexidade do
coordenador do Centro de Meteorologia de Sergipe,
Overland Amaral, que também nunca viu chuvas com tamanha
intensidade em tão pouco tempo. Em seis dias foram 380
mm de chuvas, quando o esperado para o mês inteiro era
212 mm.
"Em maio do ano passado choveu 750 mm, enquanto que o
esperado para o mês era 300. Naquela época assustou, mas
a chuva foi distribuída durante o mês. Dessa vez, foram
apenas seis dias", afirmou. Ele disse que as chuvas
continuarão, mas com intensidade moderada, sempre no
início da manhã e à noite. "Acredito que no final de
semana, já teremos sol", afirmou. O governo do Estado
montou um gabinete de crise que trabalha com a
coordenação da Defesa Civil.
Um dos pontos mais preocupantes nesse período foi a
ameaça de desabamento da torre de transmissão da TV
Sergipe, afiliada da TV Globo, localizado no bairro
Cidade Nova. A assessoria de comunicação da emissora
divulgou um comunicado afirmando que desde o inicio das
chuvas monitora o local através do seu Departamento de
Engenharia e da Sonda Engenharia. Na segunda (11), foi
contratada uma empresa que fez um novo estudo
gráfico da região e controle de verticalização da
torre. Mesmo com esses cuidados, 10 famílias foram
retiradas das proximidades do local pela Defesa Civil e
Corpo de Bombeiros.
Desabrigados em hotéis
A chuva também provocou situações inusitadas em Aracaju.
Enquanto a maioria dos desabrigados está refugiada em
escolas das redes municipal e estadual, os moradores do
conjunto residencial Costa do Sol, no bairro Aruana,
zona de expansão da capital, foram enviados para hotéis,
atendendo um pedido da Justiça Federal e dos Ministérios
Públicos Federal e Estadual.
A Secretaria Municipal de Ação Social e Cidadania
disponibilizou 184 vagas em diversos hotéis na capital
por 10 dias, prorrogáveis por mais 10, mas não informou
o número exato de famílias desabrigadas neste conjunto.
No Morro do Avião, invasão do Santa Maria, moradores
listaram várias casas que desabaram. Gilvanete Celestina
Resende testemunhou a queda do barraco vizinho e, embora
tenha medo das consequências de se manter no local, diz
não ter onde se acomodar com as duas filhas de 2 e 18
anos.
"Só se eu for pra casa de minha mãe em Salgado, não
quero voltar pro interior", disse. Muitas famílias estão
abrigadas no Colégio Vitória de Santa Maria. Outras
cinco escolas do município e do Estado estão servindo de
abrigo em Aracaju.
Interior
De acordo com o último boletim divulgado pela Defesa
Civil, 16 municípios sergipanos foram atingidos pelas
chuvas e quase 2,7 mil pessoas estão desalojadas e
desabrigadas em todo o Estado. Na segunda, o canal da
invasão Guaxinim, na Barra dos Coqueiros transbordou,
deixando moradores ilhados em suas casas.
Segundo Léo Andrade, da Associação de Moradores da
Barra, esta é uma situação corriqueira que independe da
gestão. "A falta de coleta de lixo contribui para o
alagamento. As águas das chuvas se misturam com o esgoto
e a fedentina toma conta do lugar. Vários prefeitos já
foram eleitos e nada foi feito para resolver o
problema", afirmou Andrade. Segundo ele, a invasão do
Guaxinim tem mais de dez anos e vai do centro da cidade
até o conjunto Prisco Viana.
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