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Rio de janeiro, uma cidade inteira
dominado pelo crime
A Polícia Militar (PM) divulgou, por volta das 17h45, o
terceiro balanço parcial das operações realizadas em
diversas comunidades do Rio de Janeiro em busca dos
criminosos que promovem ataques desde o último domingo.
De acordo com a corporação, 14 pessoas morreram em
confronto com os agentes, 25 foram presos e dois
policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se
feriram durante as ações nesta quarta-feira. Desde a
segunda-feira, 22 pessoas morreram, 153 foram presas ou
detidas, uma cabine foi metralhada e 33 veículos foram
incendiados no Rio.

Nesta quarta-feira, nas comunidades do Guaxá e Jardim
Floresta, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, foram
oito mortos. No Morro do Faz Quem Quer, em Rocha
Miranda, zona norte do Rio, a polícia contabiliza três
vítimas fatais. No Tuiuti, em São Cristovão, uma pessoa
morreu e duas pistolas foram apreendidas. No Jacaré, um
homem morreu e foram apreendidas uma pistola e uma
garrafa pet de gasolina.
Além dos mortos e presos, um PM ficou ferido, 14 armas
de porte - pistolas e revólveres - dois fuzis, uma
espingarda calibre 12, uma submetralhadora, uma granada,
duas bombas caseiras, duas garrafas pet com gasolina,
cinco litros de combustível e quantidade de maconha e
cocaína não contabilizada foram apreendidos. Uma moto e
quatro carros foram recuperados.
As operações policiais estão ocorrendo nas comunidades
do Jacaré, Tuiuti, Encontro, Salgueiro, Boa Vista,
Martins, Faz Quem Quer, Vila Kennedy, Vila Operária,
Morro da Fé, Jardim Roma, Mangueirinha, Lixão, Brizamar/Itaguaí,
Guandu/Japeri, Antares e Rolas. Durante uma operação do
Bope na Chatuba, na Vila Cruzeiro, Penha, quatro fuzis
foram apreendidos e 1 t de maconha foi encontrada.
No final da tarde de hoje, mais dois ônibus e um
caminhão foram incendiados. Bandidos atearam fogo em um
coletivo e um caminhão na rua Leopoldo Bulhões, em
Benfica. Ninguém ficou ferido, mas a via foi fechada nos
dois sentidos e vários caminhões dos correios foram
impedidos de passar. O outro ônibus foi queimado na
avenida Getúlio de Moura, centro de Mesquita. Segundo as
primeiras informações, o coletivo estava cheio, mas
todos os passageiros tiveram tempo de descer do veículo.
Ninguém ficou ferido. Também nesta quarta, bandidos
metralharam uma cabine da PM no Jardim América, zona
norte, e incendiaram um automóvel.
Violência
A onda de ataques teve início na tarde de domingo, dia
21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três
veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura
da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos
veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o
terceiro.
Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do
Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade
reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou
a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O
ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato
Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.
Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma
quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São
Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e
um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como
Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na
cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio
Vargas.
Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados
atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à
avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os
criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma
van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo
para o Centro, um Monza e um Uno. Também na segunda pela
manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma
cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao
Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha
sido provocado pelos mesmos bandidos que queimaram os
carros no Trevo das Margaridas.
À noite, criminosos atearam fogo em outros dois veículos
na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura
da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar
(PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em
Del Castilho.
Já na manhã de terça-feira, dois homens foram mortos a
tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís,
altura do km 122. A PM diz que não há relação entre este
crime e os ataques anteriores. O governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência
à atuação do Estado no combate à criminalidade nas
favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa
política de segurança pública", afirmou, referindo-se à
implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).
Também na terça-feira, a cúpula da Polícia Militar
anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê colocar
todos os homens nas ruas para reforçar o patrulhamento.
A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais
gradativamente até o ano que vem, além de prometer a
contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime,
a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140
motocicletas.
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