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Florianópolis é infectada por
caramujos gigantes da África
Com a chegada do verão e o período de chuvas, uma nova
praga está se alastrando por vários bairros de
Florianópolis. A infestação de caramujos africanos
gigantes está aumenta a cada ano e preocupa a população
local por causa das doenças que o animal causa.

O chamado caramujo africano (Achatina Fulica), ocupa
normalmente terrenos baldios e áreas de cultivo de
hortaliças. O molusco, que pode atingir 15 cm de
comprimento e pesar até 200 g, se prolifera rapidamente
e já começa a causar muitas dores de cabeça a moradores
de algumas praias.
A ameaça de infestação assusta pois o animal é vetor de
doenças graves pelo fato de hospedar dois tipos de
vermes. O Angiostrongylus costaricensi é causador de
sérios problemas abdominais que podem levar à
perfurações no intestino e até à morte por hemorragia. O
outro verme é o Angiostrongylos cantonensis, principal
causador da angiostrongilíase meningoencefálica humana,
que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante,
rigidez da nuca e distúrbios do sistema nervoso.
Durante o dia, o animal se esconde do sol na terra. À
noite, ele invade terrenos e chega sobe em árvores e
paredes.
O simples toque na "gosma" que ele solta pode causar
doenças. Por isso, a recomendação é a de que as pessoas
não recolham caramujos sem luvas em hipótese alguma.
Reprodução assexuada acelera infestação
A proliferação é maior em áreas litorâneas. Em
Florianópolis, a infestação começou pela região norte da
cidade e há pelo menos dois anos sua presença vem sendo
relatada com frequência em outras regiões. Por se tratar
de uma espécie hermafrodita, o caramujo africano se
reproduz rapidamente: um único indivíduo chega a botar
200 ovos a cada dois meses. Ele se esconde para
reprodução no inverno e sai para se alimentar no verão.
Com cinco meses de vida, o molusco já atinge a fase
adulta e começa a se reproduzir.
No bairro do Campeche, na região sul da cidade, os
caramujos vêm se transformando em uma das grandes pragas
locais. O cineasta Anselmo Doll chega a retirar 200
animais de seu terreno em dias de chuva. "Eles parecem
brotar do chão", afirma. "Eu mantinha plantações em meu
terreno, mas fui obrigado a acabar com tudo depois que
os caramujos começaram a aparecer".
Doll recolheu os caramujos e os colocou em um carrinho
de mão. Ele usa sal para matá-los e depois incinera as
conchas. "Ele se reproduz muito rápido e recolho mais de
100 por dia", disse. "Ano passado chegamos a fazer
mutirão com os moradores para retirá-los todas as
noites. O pessoal parou e os caramujos tomaram conta".
Espécie trazida como variação de escargot
De acordo com os dados da Vigilância Sanitária do estado
de Santa Catarina, a proliferação dos caramujos
africanos começou depois que a espécie foi introduzida
clandestinamente no País no início da década de 80. Ele
foi trazido do nordeste da África como uma variação
popular do escargot.
Os primeiros relatos da Vigilância Sanitária sobre a
presença do molusco em Santa Catarina datam de 1988. Nos
últimos cinco anos, entretanto, a praga se alastrou em
praticamente todos os municípios do litoral. Sua
presença próxima a áreas de plantações ainda pode
acarretar em sérios riscos para a população.
Apesar de ser considerada uma "ameaça à saúde pública",
a prefeitura de Florianópolis não recolhe os moluscos em
áreas particulares. A recomendação é a de que a
comunidade use luvas para recolher os caramujos. Eles
devem ser queimados em recipientes. Em seguida, as
cascas deve ser quebradas e enterradas.
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