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Sonda mostra por que Vênus é seco, quente e sem
vida
Uma série de estudos publicados hoje na revista "Nature"
confirmam que
Vênus
possuía, em um passado distante, grandes oceanos de água
--perdidos em razão de um efeito-estufa desenfreado-- e
apresentam a primeira evidência de raios na atmosfera do
planeta.
"À luz dos dados novos, é possível construir um cenário
no qual os climas de Vênus e da Terra eram muito
semelhantes quando eles nasceram e depois evoluíram para
o estado que vemos agora, como gêmeos separados no
nascimento", disse Fred Taylor, da Universidade Oxford,
um dos cientistas que coordenaram os instrumentos da
Venus Express, em entrevista coletiva em Paris para
divulgar o trabalho. "Bilhões de anos atrás havia até a
possibilidade de Vênus ter sido habitável."

Apesar de terem surgido de maneiras semelhante, o
segundo e o terceiro planetas do Sistema Solar têm hoje
ambientes bem diferentes. Em Vênus a atmosfera é
composta de 96% de gás carbônico (CO2), provavelmente
porque o vapor de água remanescente dos oceanos
evaporados foi perdido. As moléculas de H2O teriam sido
quebradas pela luz solar, deixando o hidrogênio escapar
para o espaço.
Os átomos de oxigênio, mais pesados, ficaram no planeta
oxidando quase tudo na superfície e contribuindo para o
clima seco e estéril visto hoje lá. Essa teoria,
reforçada agora, fora proposta a partir dos dados da
sonda Pioneer, lançada em 1978 pela Nasa.
Raios extraterrestres
A sonda americana também já tinha colhido evidências de
que existem descargas elétricas na atmosfera de Vênus,
mas muitos cientistas acreditavam que os dados obtidos
eram ruídos de interferência. Com a Venus Express,
lançada em 2005, veio a certeza.
"Consideramos esta a primeira evidência definitiva de
que há abundância de raios em Vênus", diz David
Grinspoon, do Museu de Ciência e Natureza de Denver
(EUA), outro cientista da missão.
As descargas elétricas ocorrem entre nuvens acima de 55
km da superfície, afirma um dos trabalhos publicados
hoje na "Nature". Os pesquisadores consideram a
descoberta importante porque eletricidade afeta a
química dos gases, e cientistas terão de levar isso em
conta na hora de entender melhor a composição
atmosférica de Vênus. Acredita-se que raios também
tenham ajudado a criar, na Terra, a química que deu
origem à vida.
Mas em Vênus a realidade é outra. Apesar de o passado do
planeta ter sido um pouco mais ameno --possivelmente
capaz de abrigar seres vivos- hoje Vênus tem um ambiente
infernal. A pressão atmosférica lá é 92 vezes a da Terra
e as temperaturas de superfície chegam a até 457C. Em
uma altitude de 70 km, os ventos no planeta chegam a 360
km/h -três vezes a força de um furacão.
"Ele [Vênus] deve ser o 'gêmeo malvado' da Terra", diz
Christopher Russell, geocientista da Universidade da
Califórnia em Los Angeles, autor principal do estudo que
sai hoje sobre os raios em Vênus.
A espaçonave deve continuar operando até 2011. Neste
período ela vai colher dados novos para explicar
aspectos ainda mal compreendidos sobre o planeta, como o
efeito do vento solar --partículas eletricamente
carregadas emitidas pelo Sol-- sobre sua atmosfera.
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