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Especialistas: clonar animais por comida é
antiético
O Grupo Europeu de Especialistas sobre Bioética não vê
argumentos convincentes que justifiquem no momento a
clonagem de cabras, vacas ou porcos para obter
alimentos, como carne ou leite, e tem "dúvidas" de que
isso seja ético, devido ao possível sofrimento do
animal, segundo um relatório divulgado hoje.
O organismo remeteu à Comissão Européia (CE) um parecer
no qual opina sobre os aspectos éticos da clonagem
animal a fim de produzir alimentos, após um ano de
reuniões e consultas.
No relatório, o Grupo indica que "tem dúvidas sobre se a
clonagem animal para obter alimentos se justifica
eticamente, considerando o nível real de sofrimento e os
problemas de saúde" tanto do animal a partir do qual a
clonagem é feita como dos clones.
Quanto à sua descendência, o Grupo diz que a questão
está aberta a novas pesquisas científicas.
O organismo acredita que, atualmente, "não há argumentos
convincentes que justifiquem a produção de alimentos de
animais clonados e de suas crias", segundo o relatório,
enviado ao presidente da CE, José Manuel Durão Barroso.
Os especialistas afirmam que se no futuro fossem
introduzidos no mercado europeu alimentos derivados de
animais obtidos mediante técnicas de clonagem, o Grupo
recomendaria que fossem cumpridos requisitos adicionais
àqueles adotados com produtos agroalimentares
convencionais.
No documento, a organização admite que pode haver razões
econômicas para a clonagem, mas, por outro lado, pode
ser eticamente inaceitável para algumas pessoas.
O relatório menciona inclusive o dilema que pode
representar a consideração dos animais como "um mero
instrumento" para o homem, mas neste sentido indica que
há opiniões divergentes na sociedade e várias crenças
religiosas.
Além disso, o Grupo insiste em que a hipotética criação
de animais mediante a clonagem deveria incluir medidas
adicionais para evitar o sofrimento ou os maus-tratos
contra os bichos e acrescenta que há dúvidas sobre se o
aproveitamento econômico gerado por esta atividade
justificaria uma infração do bem-estar do gado.
Segundo os especialistas, a União Européia (UE) deveria
adotar medidas para conservar a herança genética das
espécies animais de fazendas e levar em conta que a
clonagem poderia representar uma ameaça para a
biodiversidade.
O Grupo é formado por 15 especialistas, entre os quais
estão professores de ética, teologia, filosofia e
direito.
O relatório de hoje é o segundo divulgado em uma semana
por especialistas da UE sobre o procedimento científico,
pois a Autoridade Européia para a Segurança dos
Alimentos (Aesa) emitiu um parecer mais positivo sobre a
clonagem, indicando que carne ou leite de animais
clonados são seguros.
O Grupo de Bioética faz referência em sua sentença à
Aesa e, neste ponto, diz que faltam outras pesquisas
para comprovar as afirmações da Autoridade.
O documento também alude ao direito do consumidor de
escolher e pede à CE que estabeleça regras de
etiquetagem para assegurar a liberdade do comprador.
A Comissão Européia afirmou que o relatório publicado
hoje é de um organismo que presta assessoria, e não o do
Executivo da UE.
A CE "examinará com detalhe a opinião do Grupo de
Bioética e da Aesa e fará uma consulta ampla" para obter
a opinião dos setores interessados e da sociedade sobre
a clonagem, segundo a porta-voz de Saúde do bloco, Nina
Papadoulaki.
Segundo ela, calcula-se que a pesquisa ou Eurobarômetro
que a CE fará entre os cidadãos de países do bloco
europeu só deve ficar pronta a partir da segunda metade
do ano.
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