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Britânicos descobrem planeta que deve ter apenas
2.000 anos
PAUL RINCON
de Belfast para a BBC
Pesquisadores britânicos da Universidade de St Andrews,
na Escócia, detectaram um "planeta em estágio
embrionário", nos arredores do nosso Sistema Solar, que
pode ter menos de 2.000 anos de idade.

A descoberta foi apresentada na Reunião Nacional de
Astronomia do Reino Unido, em Belfast. A equipe de
astrônomos disse que detectou, em volta de uma estrela,
uma bola de poeira e gás que está se transformando em um
planeta gigante.
A cientista que liderou as pesquisas, Jane Greaves,
afirmou que a descoberta foi uma grande surpresa. Ela
acrescentou que o crescimento do planeta pode ter sido
desencadeado pela passagem de uma outra jovem estrela
pelo sistema há cerca de 1,6 mil anos.
"Na verdade [o planeta] não era o que estávamos
procurando. E ficamos surpresos quando encontramos. O
planeta mais jovem já confirmado tem 10 milhões de
anos", disse Greaves.
Disco de gás
Os cientistas começaram estudando um disco de gás e
partículas rochosas em volta da estrela HL Tau, que está
a 520 anos-luz da constelação de Touro e teria menos de
100 mil anos.
O disco seria gigantesco e brilhante, o que o torna um
local excelente para a procura por sinais de planetas em
processo de formação.
Segundo os pesquisadores, a imagem que eles conseguiram
é a de um planeta primitivo, ainda envolto no material
presente em seu nascimento.
De passagem
Para Ken Rice, do Instituto de Astronomia de Edimburgo,
na Escócia, a descoberta joga nova luz nas teorias sobre
a formação de planetas.
Segundo um modelo de teoria, os planetas se formam de
baixo para cima. Observando este cenário, as partículas
de material rochoso colidem e "grudam" umas nas outras,
formando um objeto cada vez maior.
Para Rice, o planeta primitivo perto da estrela HL Tau
se formou de maneira relativamente rápida quando uma
região do disco sofreu um colapso, formando uma
estrutura independente. Isto poderia ter ocorrido devido
à instabilidade no próprio disco.
E, o mais intrigante, uma outra jovem estrela na mesma
região, chamada XZ Tau, pode ter passado bem próxima da
HL Tau, há cerca de 1,6 mil anos.
Apesar de isso não ser necessário para a formação de um
novo planeta, é possível que a passagem desta estrela
tenha perturbado o disco, tornando-o instável. E, em
termos astronômicos, este evento é muito recente.
"É possível que [a estrela XZ Tau] tenha dado 'puxão' em
um lado do disco em volta da HL Tau, o que fez com que
ele ficasse instável, e este foi o 'gatilho' para que o
planeta se formasse", disse Rice.
"Se o planeta foi formado nos últimos 1,6 mil anos, este
evento seria incrivelmente recente", acrescentou o
cientista.
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