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Cientistas cultivam plantas em solo parecido com
o da Lua
RICHARD BLACK
Cientistas ligados à ESA (Agência Espacial Européia)
dizem que o dia em que será possível cultivar plantas na
Lua está agora mais próximo.
Uma equipe da Academia Nacional de Ciências de Kiev, na
Ucrânia, conseguiu cultivar calêndulas em um solo
formado por anortositas quebradas. A anortosita é um
tipo de rocha encontrada na Terra, mas muito parecido
com a superfície lunar.
Os pesquisadores não precisaram usar fertilizantes, mas
adicionaram diferentes tipos de bactérias à mistura.
Aparentemente, as bactérias retiraram das rochas
substâncias necessárias às plantas, como potássio.
A nova pesquisa foi apresentada em um encontro da União
Européia de Geociência realizada em Viena, na Áustria, o
maior evento anual reunindo cientistas que estudam a
Terra, seu clima e seus vizinhos no espaço.
O cientista Bernard Foing, do Centro Europeu de Pesquisa
e Tecnologia Espacial, com sede na Holanda, foi quem
apresentou o estudo em Viena.
Para ele, em princípio, não há porque a mesma idéia não
poderia funcionar na Lua. Seria necessário apenas
quebrar as rochas e adicionar bactérias e sementes.
Foing acredita mesmo que cientistas poderiam ir além,
selecionando plantas e bactérias que podem se adaptar
mais facilmente às condições lunares ou até mesmo
criando geneticamente outros tipos de plantas.
Uma das dificuldades de se cultivar plantas na Lua é que
elas estariam fora do campo magnético protetor da Terra
e estariam sujeitas a níveis altos de radiação.
"Ficção Científica"
Mas a proposta de cultivar plantas na Lua não é um
objetivo oficial da Agência Espacial Européia.
Um alto funcionário do órgão, presente no encontro em
Viena, disse ser improvável que a plantação de
calêndulas ou qualquer outro tipo de planta faça parte
de uma futura missão da Esa à Lua e disse que a idéia é
"ficção científica".
Mas Foing, que também é diretor do Grupo Internacional
de Trabalho para a Exploração Lunar, acredita que
cultivar plantas na Lua poderia servir como uma
ferramenta para aprender como espécies vivas se adaptam
às condições lunares.
"Seria um tipo de base tecnológica sobre como manter uma
forma simples de vida em um ambiente extremo", afirmou.
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