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Estudo: é possível treinar para ser mais
inteligente
Nicholas Bakalar
Um novo estudo constatou que talvez seja possível
treinar as pessoas para que sejam mais inteligentes,
aumentando o poder cerebral com que nasceram.
Até agora, a suposição dominante era a de que a
capacidade mental que nos permite resolver problemas
novos sem que tenhamos experiência prévia relevante -
definida pelos psicólogos como "inteligência fluida" - é
inata e não pode ser ensinada (ainda que as pessoas
possam elevar seus resultados nos testes dessa
habilidade por meio da prática).
Mas no novo estudo, pesquisadores nos Estados Unidos
descrevem um método de reforçar essa capacidade, bem
como experiências que comprovam que o sistema funciona.
O essencial, constataram, era treinamento cuidadosamente
estruturado para a memória funcional - a espécie de
memória que permite memorizar um número de telefone
apenas pelo tempo necessário a discá-lo.
Esse tipo de memória se relaciona estreitamente à
inteligência fluida, de acordo com as mesmas informações
de referência contidas no artigo, e parece depender dos
mesmos circuitos cerebrais. Assim, os pesquisadores
arrazoaram que melhorá-la poderia conduzir a melhoras na
inteligência fluida.
Primeiro eles mediram a inteligência fluida de quatro
grupos de voluntários empregando testes padronizados.
Depois, treinaram cada um deles em uma tarefa de memória
complicada, uma variação elaborada do jogo infantil de
cartas chamado Concentração, na qual eles tinham de
memorizar estímulos visuais e auditivos apresentados
simultaneamente, e recordá-los posteriormente.
O jogo foi montado de forma a se tornar difícil a cada
sucesso, e mais fácil a cada tarefa que os participantes
fracassassem em cumprir. Isso assegurava um nível
elevado de dificuldade, ajustado individualmente para
cada participante, mas não um nível de dificuldade alto
a ponto de destruir a motivação dos participantes de
continuar tentando. Os quatro grupos passaram por meia
hora diária de treinamento por prazos de respectivamente
oito, 12, 17 e 19 dias.
Ao final de cada sessão, os pesquisadores testavam
novamente a inteligência fluida dos participantes. Para
garantir que eles não estavam melhorando apenas sua
capacidade de realizar testes, os pesquisadores
compararam seu desempenho ao de grupos de controle que
faziam os testes mas não passavam pelo treinamento.
Os resultados, publicados na mais recente edição da
Proceedings of the National Academy of Sciences, foram
notáveis. Ainda que os grupos de controle tenham
conseguido avanços, presumivelmente porque ganharam
prática nos testes de inteligência fluida, a melhora dos
grupos treinados foi substancialmente maior. Além disso,
quanto mais longo o treinamento, melhores os resultados.
Todos os participantes, do mais fraco ao mais forte,
mostraram melhoras.
"A inteligência foi sempre considerada como traço
hereditário inalterável", disse Susanne Jaeggi,
pesquisadora de pós-doutorado em psicologia na
Universidade de Michigan e uma das co-autoras do estudo.
"Nossos resultados demonstram que você pode aumentar sua
inteligência, dando o treinamento adequado".
Por que o treinamento funcionou? Os autores sugerem
diversos aspectos do exercício que podem ter sido
relevantes para solução de novos problemas: ignorar
itens irrelevantes, monitorar o desempenho atual, gerir
duas tarefas simultaneamente e conectar itens
relacionados uns aos outros no tempo e no espaço.
Ninguém sabe por quanto tempo os ganhos persistirão
depois que o treinamento pára, disse Jaeggi, e a
estrutura da experiência não permitia que os
pesquisadores determinassem se treinamento adicional
continuaria a resultar em avanços.
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