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Mapa aponta 66 áreas para salvar sapos
EDUARDO GERAQUE
O mapa latino-americano das áreas prioritárias de
conservação dos sapos, rãs e pererecas, divulgado nesta
quarta-feira, é conclusivo. Para salvar as 700 espécies
mais ameaçadas de extinção desse grupo será preciso
"blindar" 66 regiões. No Brasil, elas estão no litoral
do Sudeste e da Bahia, no interior do Paraná e no norte
da Amazônia.

"Nossa função é identificar o problema, agora
cabe aos formuladores de políticas públicas o restante",
afirma Rafael Loyola, aluno de doutorado da Unicamp
(Universidade Estadual de Campinas) e principal autor do
estudo, publicado hoje na revista científica "PLoS ONE".
Ele é assinado por mais cinco pesquisadores do Brasil.
O desafio é gigantesco. As 66 regiões representam uma
área de 6.254.500 km2, o que significa 73% da área do
Brasil. Apenas 26,60% desse território ainda estão
intactos. Todas as regiões brasileiras mapeadas agora
estão em perigo.
O levantamento, afirma o pesquisador, considera tanto as
espécies que precisam de água para a reprodução quanto
aquelas que se desenvolvem sem passar pela fase de
girino. Apesar de a lista das 700 espécies mais
ameaçadas de extinção ser conhecida, é a primeira vez
que a distribuição desses bichos é analisada a partir de
uma óptica geográfica.
Os cientistas processaram os dados das espécies por meio
de um modelo matemático.
De Cuba a Ushuaia
Outras regiões vitais para a população de sapos, rãs e
pererecas que precisam de água na fase reprodutiva estão
no México, nas ilhas do Caribe, no norte dos Andes, na
América Central e no sul da América do Sul (Patagônia).
Em todos os casos estudados, diz Loyola, é sempre
importante considerar a diferença de ciclo reprodutivo
de cada grupo.
"As espécies que têm girinos, e por isso precisam de
corpos d'água para a reprodução, sofrem mais com a
fragmentação das regiões", diz o pesquisador. O corte de
florestas por estradas, plantações ou construções faz
com que lagoas freqüentadas por determinadas espécies do
litoral paulista, por exemplo, comecem a sumir.
No caso das espécies com desenvolvimento apenas
terrestre, segundo Loyola, os riscos são outros. "Aqui
entram impactos desde o aumento da temperatura, por
causa, por exemplo, do aquecimento global, até a
competição provocada pela invasão de espécies exóticas".
Os focos de ameaça a esses animais foram flagrados,
segundo o mapa dos biólogos, em áreas mexicanas,
brasileiras, chilenas, dos Andes tropicais e também da
Costa Rica (Montanhas Talamancan).
A preocupação com sapos, rãs e pererecas, diz Loyola, é
justificável, porque esses vertebrados --o grupo dos
anuros-- fazem parte do grupo animal mais ameaçado de
extinção hoje no mundo.
Segundo o pesquisador, existem hoje, em todo o planeta,
6.184 espécies conhecidas de anfíbios. Um terço delas
corre o risco de desaparecer.
"Por isso essas 66 regiões são as mais importantes
mesmo, na América Latina", afirma o biólogo. "Elas
reúnem boa parte das espécies que estão realmente
ameaçadas de extinção."
Endemismo
O mapeamento latino-americano dos sapos, além dos grupos
sob risco, também detectou aqueles que são endêmicos das
regiões analisadas, ou seja, que são exclusivos dessas
regiões ecológicas do mundo.
Somando tanto as espécies terrestres como aquelas que
têm girinos, os cientistas identificaram a ocorrência de
422 dessas espécies endêmicas.
Isso, segundo Loyola, aumenta ainda mais a importância
de preservar as 66 áreas prioritárias para conservação.
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